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sábado, 26 de setembro de 2026
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Por Jacinto Júnior : ESCOLA – A dinâmica transformadora

“Tudo que era guardado a chave permanecia novo por mais tempo. Mas meu propósito não era conservar o novo e sim renovar o velho” (Walter Benjamin).

Quando falamos em mudança de paradigma no campo da ciência humana e social, especialmente a educação, o primeiro olhar cético é voltado para a qualificação do professor. Mudar numa perspectiva emancipatória constitui o cerne do processo educacional tendo o método cientifico como elemento fundante objetivando inaugurar um novo modelo que alargue a compreensão e o papel do educador na construção de um sujeito dialético/crítico.

Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

Portanto, cogitar a reformulação do conceito de método para exteriorizar a força e o potencial intelectual do educando, exige, de um lado, a capacidade teórica do educador de descortinar as perspectivas mais nobres engendrando as condições concretas para a formação desse sujeito-leitor; e, de outro, estimular a participação do sujeito-leitor para compreender sua estrutura psicomotora e social a partir do processo de leitura dinâmica. Leitura dinâmica é o ponto chave desse processo dialético. Formar leitores competentes, críticos e produtivos demanda tempo e, acima de tudo, paciência para alcançar o propósito final. A nossa cultura – diante da realidade conjuntural – exprime um comportamento contraditório em relação ao sujeito-leitor (educando), pois, é visível a apatia em cada um deles (há, na verdade, uma rejeição ao processo educacional devido às experiências vivenciadas pelos educandos em seu cotidiano) sobre elementos negativos como: a violência social, que, de certa forma, se reflete em seu lar; a ausência dos pais como peças fundamentais no processo de formação da personalidade de seus filhos e tantos outros elementos que poderíamos evocar como vitais para uma sólida cidadania do educando, por conseguinte, estão desperdiçando oportunidades singulares aos seus pupilos.

Nesse sentido, urge os argumentos inquietantes e necessários sobre o papel da escola na formação intelectual do educando: será que a escola contemporânea não estar sendo suficientemente competente para formar um cidadão? E, se, de fato, isso for uma realidade, quem é o culpado pelo fracasso escolar? Essas duas interrogações são pertinentes e requer uma resposta à altura.

A tarefa da escola é fomentar o desejo do educando pela aprendizagem, ou melhor, pela apreensão dos saberes social e historicamente construído. O educador nesse processo ensino-aprendizagem será o mediador para consolidar a formação cidadã do futuro sujeito-leitor. O educador por sua vez, não pode estabelecer divisão dicotômica entre aprender e ser no contexto social. O educando deve ser lapidado de forma ampla e dinâmica, respeitando seu espaço e sua intelectualidade e, obviamente, seus limites. E, para integrar esse processo produtivo, é indispensável a construção de estratégias que sejam capazes de sensibilizar o educando, promovendo nele a paixão pelo ato de aprender a aprender. A leitura pode e deve ser a ponte constituinte para tornar o educando em um ávido leitor e, assim, desbravar o mundo abstrato contido nas páginas dos livros e textos, permitindo estabelecer diálogos com esses autores. Estes devem ser leves e resumidos para não gerar um espírito de enfado e apatia ao que está sendo lido e descoberto.

A leitura é um processo trabalhoso e árduo, requer dedicação, empenho e uma clara intenção por parte de quem ler para compreender o objeto estudado naquele texto e/ou livro; ou seja, ser autônomo e crítico exige uma ruptura com o senso comum; e tornar-se leitor dialético é reinterpretar a leitura sob o ponto de vista da diferença em toda dimensão educacional, cultural, política, econômica, social e de si mesmo.

É na escola que o educando ingressa no mundo cientifico. Nela é possível integrar os saberes que, de um lado, foram se construindo progressivamente, incorporados na experiência concreta do educando cotidianamente; e, de outro, sua aproximação aos elementos mais formais (ou seja, os conteúdos tradicionais) que, de certo modo, confere-lhe status de conhecimento cientifico. Mas, o conhecimento científico estar para além da mera reprodução em sala de aula desses conteúdos, sua perspectiva transcende ao costume, as tradições e, coloca-se num lógica essencial ao educando como interprete desses saberes resultando na pesquisa e na investigação. E o elemento chave desse processo é a leitura dinâmica. Somente uma leitura crítica, independente pode estabelecer o ethos para a reinterpretação do conhecimento científico. Não há outra via, a não ser o da curiosidade metódica para a produção do conhecimento.

Contudo, para atingir o auge do conhecimento cientifico propriamente dito, é necessário que o sujeito-leitor esteja alinhado com a prática da leitura dialética. A escola, portanto, tem que se tornar uma espécie de correia para conduzir o educando na perspectiva do domínio da leitura crítica dos fatos e acontecimentos, sem, contudo, deixar de lado a produção do conhecimento científico.

Desde cedo a escola procura formar a personalidade do educando. E esta formação necessita de um suporte maior para consolidar sua cidadania: a família. A escola e a família representam uma via de mão dupla, cujo objetivo é o cuidado com educando e seu consequente crescimento intelectual e social.

Uma escola alfabetizadora produz excelentes educandos. Tal método tem na leitura sua maior estratégia producente e, isso, nos remete para uma concepção de escola democrática, humana e genuinamente cidadã. Uma escola com o compromisso de formar cidadãos não busca apenas seu sucesso com um método transformador e essencialmente humanista, na verdade, ela traduz objetivamente a necessidade de se repensar o papel de ensinar-e-aprender concomitantemente.

Quando pensamos em uma educação de qualidade com equidade social a lógica nos empurra para essa concepção democrática do fazer se refazendo e do refazendo-se se desfazendo; ou seja, o cerne desse processo é mediado pela dialética – melhor ainda, pela capacidade do sujeito-leitor se renovar sistematicamente.

Inegavelmente, a escola se transforma e transforma o indivíduo de tal modo que, a cada momento, ele se percebe como ser inacabado e mergulha profundamente no mundo do desconhecido para emergir como sujeito totalizante do objeto. Enfim, a relação da escola com o sujeito – educando – se mede pela forma como ela o molda; isto é, pode ser pela perspectiva conservadora ou, então, progressista, tal processo depende muito de quem o realiza enquanto mediador do conhecimento.

 

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

7 comentários

  1. “Na verdade, não há eu que se constitua sem um não-eu. Por sua vez, o não-eu constituinte do eu se constitui na constituição do eu constituído. Desta forma, o mundo constituinte da consciência se torna mundo da consciência, um percebido objetivo seu, ao qual se intenciona.”

    – Paulo Freire –

    Lendo a frase acima, é possível entender porque a Educação no Brasil é um desastre e continua ladeira a baixo: estabelecer como Patrono da Educação uma pessoa que sequer sabe se expressar de forma clara e não prolixa, e que tudo que fez foi embalar toda a teoria de luta de classes sob uma máscara de pseudo-pedagogia.

    Pra começar, os professores deveriam retirar a Pedagogia do Oprimido das salas de aula.

    1. Legal pedro, é a miséria da licenciosidade e a alienação descabida que a direita com seu ódio propõe para a educação brasileira que beira ao ridículo. Só o fato de exigir uma MORDAÇA ao mediador do conhecimento explicita a intenção do domínio classista sobre a formação do sujeito como capaz. A ideia de uma educação dialógica visa construir educandos críticos e autônomos e não meramente reprodutores de interesses ideológicos da ciência subordinada ao domínio burguês. Você pressupõe que a educação não tem nenhuma conexão com a luta de classe, quanta ingenuidade! É compreensível sua postura em defesa de um projeto que é absolutamente excludente!Lamentável o que o governo Temer tem proposto como solução para resolver a crise profunda que o nosso país perpassa e, por gentileza, não culpe o governo petista pelo que está ocorrendo à nossa subserviente colonia brasileira. Saudações!

      1. Prezado Jacinto,

        embora a retórica seja atraente, o fato é que na prática essa teoria simplesmente não funciona! Vejamos: há anos que a Pedagogia do Oprimido vem sendo aplicada nas escolas brasileiras e qual o resultado disso? uma Educação vergonhosa, quando comparada à qualquer outro lugar do mundo; o surgimento de uma geração de analfabetos funcionais e uma geração de alunos mimados, incapazes de encarar a realidade da vida, e como consequência, se tornam agressivos tal qual vemos todos os dias o quão perigoso se tornou a profissão de professor.

        Porque temos que aceitar toda a retórica freiriana, se o que vemos na prática é um verdadeiro caos educacional? Porque aceitar a teoria e ignorar a prática?

        “A ideia de uma educação dialógica visa construir educandos críticos e autônomos e não meramente reprodutores de interesses ideológicos da ciência subordinada ao domínio burguês”

        Na teoria, concordo com vc, mas o que se vê na prática é a criação de uma massa de educandos totalmente subordinada à militância de luta de classes. Basta olhar o que se tornou a maioria dos CCHs das universidades públicas. Ou seja: continuam sendo educandos que apenas reproduzem interesses ideológicos. Esse é o foco da educação freiriana: ser uma educação “libertadora” desde que isso signifique ser alinhado à ideologia da luta de classes.

        “Você pressupõe que a educação não tem nenhuma conexão com a luta de classe, quanta ingenuidade! ”

        Exato! A inserção da luta de classes nas salas de aula graças à Pedagogia do Oprimido foi a responsável pelo caos educacional que temos hoje.

        “por gentileza, não culpe o governo petista pelo que está ocorrendo à nossa subserviente colonia brasileira”

        Não é necessário. Os fatos podem mostrar isso:

        https://goo.gl/snYXjY
        https://goo.gl/Aa1jzR
        https://goo.gl/P8HcE4
        https://goo.gl/1ZSS1o

        1. Reforço minha opinião sobre você: é um “expert” em matéria do pensamento clássico liberal – hoje rearranjado com a nomenclatura neoliberalismo, mundialização e/ou globalização – o que dá no mesmo!

          Vamos, então, aos pontos cruciais postos:

          1. Quando afirmas que ‘a retórica seja atraente’, isto implica dizer que a natureza de uma concepção educacional vista sob o angulo da maioria, resulta numa preocupação exorbitante pelos setores da direita conservadora. Tanto é que, a mobilização articulada por alguns intelectuais raivosos, espelham o retorno do método tradicional de aprendizagem. Por isso, esse odioso ataque a um pensador que contribuiu não apenas internamente, mas, externamente. Paulo Freire é uma figura respeitada no mundo todo. Isto é necessário ser reconhecido. Inclusive, seus trabalhos é citados por vários pesquisadores mundo afora – aliás, ele é um dos mais citados, diga-se de passagem.
          2. O Método Paulo Freire nunca foi institucionalizado – ou seja, disposto como programa de governo em nosso país, pelo contrário, ele foi rejeitado. O fato de Paulo Freire ter sido homenageado com a honraria de Patrono da Educação, não implica dizer que sua teoria tenha sido acolhida pelo governo tornando-a oficial; é apenas um reconhecimento pelo seu esforço intelectual na perspectiva de alfabetizar gente; portanto, há um delírio por quem afirma tal coisa.
          3. O quadro crítico que se apresenta em nossa educação não é resultante da metodologia freiriana. A despeito da capacidade teórica – do educando em apropriar-se do saber e do conhecimento, é de competência individual do próprio educando, pois, a base está sendo construída no decurso do processo de aprendizagem.
          4. Sobre a natureza do ser em tornar-se um sujeito dialético-crítico – ou seja, sobre o que você diz quanto a formação intelectual do educando: “o surgimento de uma geração de analfabetos funcionais e uma geração de alunos mimados, incapazes de encarar a realidade da vida, e como consequência, se tornam agressivos tal qual vemos todos os dias o quão perigoso se tornou a profissão de professor” – permita-me aspear e apropriar-me desse termo “mimado”, para explorar melhor o conceito pedagógico freiriano: A) O Método Paulo Freire não trabalha com crianças, ele foi concebido para alfabetizar jovens e adultos, portanto, não tem nada a ver a reação do aluno “agressivo” e, socialmente, “mimado” com a pedagogia freiriana, seu argumento é desconexo e fora de cogitação! E, ainda, sobre o termo “mimado”, a teoria freiriana trabalha com gente que pertence à classe popular, por conseguinte, ela não trás a lume a questão do ‘mimo’, até por que seria uma contradição estupida. Se, de um lado, ela fora concebida para trabalhar com membros da sociedade menos abastada, jamais iria construir um educando com as características da proteção ou seja, um garoto ‘mimado’ e, por conta desse mimo, ser pedagogicamente “agressivo”. Este aspecto social é formado no seio familiar. Mimo não tem nenhuma relação com a pedagogia freiriana! Inclusive, Freire condena a cultura internalizada nas escolas na relação educacional entre educando-educador, quando o educando o chama de ‘tio’ ou ‘tia’. Portanto, se, há algum educando “mimado” e “agressivo” tal comportamento é gerado a partir de sua relação social ante a realidade do sistema que o educando convive. Se em seu lar ele convive com uma família desestruturada, logicamente que ele vai replicar sua indignação em sala de aula, isto é uma lógica natural. E tal agressividade recai sobre o profissional da educação – ator que pretende ajudá-lo em todos os sentidos e aspectos.
          5. Nada contra seu posicionamento baseado no movimento Escola Sem Partido. Tudo aquilo que não satisfaça o ideário liberal e neutro da ciência, se resume numa questão: doutrinação. Espere…! Espere…! Espere…! o que é doutrinação? Escute estou elaborando um artigo sobre o espetacular movimento ESP que, em breve publicarei e, obviamente, esperarei sua contra-argumentação. Engraçado como os defensores do ESP agride todo aquele que fala em liberdade, igualdade, fraternidade, conhecimento acessível para todos e etc., como se eles não representassem uma ideologia também. Deixemos de hipocrisia, e assumamos a condição de teóricos do liberalismo! E não se esconder atrás de um discurso insustentável chamado de neutralidade, afinal, se proclama algo, esse algo obviamente, tem uma função, uma especificidade, uma lógica ordenada.
          6. A crise que infesta o setor educacional tem nome: falta de investimentos financeiros. Agora, mais do que dantes, o setor educacional sofrerá seu desmonte com a política de contenção de gastos por 20 longos anos promovida pelo governo Temer – réplica do mercado financeiro internacional. É a liberalização mercadológica da educação (privatização).
          7. O conceito tão aclamado pelos defensores da tal ciência neutra, se exime da sua principal característica: a própria capacidade de se definir enquanto sujeito do processo social, histórico, político, cultural, econômico que é a liberdade!!! Por exemplo, meu conceito de liberdade é sustentado na concretude da realidade social. Sou um sujeito aprendiz-temporal, convivo com as circunstâncias eivado pela capacidade de avaliar a conjuntura de forma crítica e autonomamente. Ao fazê-lo estou sendo doutrinado? Ou, com minha experiência de 15 anos de magistério público não posso posicionar-me no interior do processo ensino-aprendizagem? (perdoe-me a indelicadeza, mas quantas primaveras você têm?)
          8. Não, há um equivoco de vossa parte quando tenta comparar um processo que perscrute a vida do individuo. O educando universitário, já é um garoto formado (psicologicamente, já sabe o que é o certo e o errado, o que é bom e o que é ruim), portanto, se no transcurso de sua passagem pelo centro de excelência (Universidade) será capaz de distinguir o que é aproveitável e o que não é; falando teórica e ideologicamente. É claro que, para o sistema capitalista não é nada agradável ter em sua estrutura pessoas potencialmente críticas, que reconhecem a realidade social e suas travas opressivas. Portanto, para o sistema capitalista o conceito de liberdade só tem sentido quando esta lhe proporciona a ‘prosperidade’, contudo, quando se refere a critérios mais humanos, mais igualitários, ela está prenhe da ideologia de classes e, por conseguinte, não serve; é uma anomalia. O que deve prevalecer é a meritocracia, a individualidade, a competitividade, a divisão e exploração exacerbada. Você, por exemplo, é um defensor da ideologia do mercado. Portanto, ao fazer a defesa de um movimento como a ESP você está tentando impor um processo doutrinário sobre o sistema de ensino brasileiro. Então, o que se verifica é uma disputa pelo controle do aparelho de estado por uma ideologia. Em síntese, é uma luta de classe que se estabelece.
          9. Repito: a metodologia Freiriana nunca foi constituída como processo educacional oficial – imposição do governo como parte integrante da grade curricular do sistema de ensino – como criticam os representantes do movimento ESP de que a filosofia freiriana é que estabeleceu o “caos” na educação brasileira.

          Uma observação: Eu conheço um jovem que possui o mesmo estilo que você (discurso). Ele é um inveterado liberalista. Estranho que ele nunca mais se posicionou quanto aos meus Posters e, de repente, surge um “pedro” que, francamente, tem uma mesma “pegada teórica” do clássico liberalismo que é incansavelmente defendido por esse jovem.

  2. Sr. Jacinto , Se nós não culparmos o Pmdb, psdb, pmn, dem, pt, o Michel Temer, Dilma, Lula, Fhc, Itamar Franco, color, Sarney, você mesmo quando foi secretário de Educação de nosso município, por tudo aquilo que deixaram de fazer, quando prometeram revolucionar a educação, vamos culpar o Sr. Raimundo lá do boi não berra?

    Quem sao o(a)s culpado(a)s, se não aqueles/ aquelas que assumiram o Poder e não fizera?
    Responde aí por favor ou prefere dizer que as lutas de classes…..? , pelo que sabemos, tanto um lado como outro já estivera lá.
    E quero lhe dizer que no Brasil nao tem esquerda e nem direita.
    Voce mesmo que se diz de esquerda é de direita. Sabia disso?

    1. Sim Prof Paulo Silva, você tem toda razão quando afirma que sou de “direita”. Francamente, gostaria que você fizesse uma explanação sobre o conceito histórico de esquerda e direita, para que eu possa assim, me decidir por qual tendencia optar. Pois, o seu comentário foi extremamente oportuno, diria até, significativo. Fiquei impressionado com sua argumentação e, por gentileza, reitero: faça uma exposição sobre a diferença entre um e outro termo (direita X esquerda em nossa deplorável colônia). Saudações… de direita ou de esquerda, não sei… bom, saudações.

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