
A Comissão Pastoral da Terra levantou que de 2003 até dezembro de 2018, exatamente 432 trabalhadores que se identificaram como codoenses foram resgatados em situação de trabalho escravo Brasil afora.
Por isso, Codó está entre os municípios maranhenses que estão com atividades relacionadas ao combate à este tipo de crime.
“Trabalhadores resgatados aqui, trabalhadores resgatados em outros municípios do Maranhão e trabalhadores resgatados em outros Estados do Brasil, codoenses que moram aqui ou que são naturais daqui (…) Nós enquanto CPT estamos fazendo a semana toda porque essa campanha precisa ser contínua, tem o dia ‘D’ mas são 365 dias do ano porque é um crime e não é fácil de erradicar”, disse Linalva Cunha, uma das coordenadoras da RAICE que atua aqui e em Timbiras onde 101 pessoas resgatadas disseram que nasceram timbirenses e mais 108 resgatados declararam que moram na terra do prefeito Antonio Borba.
Dentro destes dados o bairro Nova Jerusalém possui uma estreita relação com este trabalho escravo, como nos explicou outra coordenadora da Raice na região, Brígida Rocha dos Santos.
“Pelas referências de moradores do bairro que já foram também vítimas do trabalho escravo, então lideranças conhecem pessoas que já foram, a gente teve entrevistando alguns períodos atrás (…) então essas pessoas têm endereços aqui, por isso é um dos bairros escolhidos pela CPT pra gente execute este trabalho do RAICE”
RAICE é a Rede de Ação Integrada para Combater a Escravidão. Com seus parceiros ela saiu hoje (30) pela manhã pelo Nova Jerusalém de casa em casa panfletando e orientando pessoas.
“Principalmente, em termos de conscientização porque as vezes a pessoa ta trabalhando, tá em um trabalho escravo e ela não se dá conta, então É alertar mesmo com a distribuição do material, do folder, alertar mesmo por que daquilo, daquela situação”, explicou Raquel Aguiar Tremembé, que veio de São José de Ribamar reforçar o trabalho.
No bairro, realmente, existem muitos exemplos de quem já viajou pelo país em busca de melhores oportunidades, se expondo ao perigo da escravidão moderna.
Quando José Francisco dos Santos Cunha, encontrado por nossa reportagem, saiu pela primeira vez tinha apenas 17 anos, hoje aos 31 lembra da discriminação sofrida, de como aprendeu que algo pode ser feito dentro de Codó mesmo para evitar este êxodo constante, tão perigoso.
“Então o que falta ter na nossa cidade, no nosso Estado é cultura, é valorização ao aprendizado porque se eu for uma pessoa culta as portas vão se abrir pra mim, vai ser muito mais fácil eu arrumar um emprego com destaque eu sendo uma pessoa culta do que eu ser uma pessoa ignorante que não sabe se expressar, que não tenha nenhuma faculdade, que não tenha, no mínimo, uma assinatura na carteira”