A DINÂMICA DO MARKETING: Uma análise sobre a política e suas particularidades mercadológicas-eleitorais

Não farei uma revisão sobre o marketing como componente essencial na construção de um produto e sua consequente venda ao consumidor. Conhecemos uma estratégia no mercado que se manifesta na seguinte expressão: “a propaganda é a alma do negócio”.

Professor Jacinto Junior - um pensador contemporâneo
Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

Cá entre nós, a política se transformou num verdadeiro mercado horripilante. A ética política foi extirpada da decência e posta numa condição desprezível, a verdade tornou-se inócua e desnecessária, pois, o mais importante é vencer e vencer sob quaisquer aspectos e/ou circunstâncias duvidosas; a dúvida já não é mais objeto de discussão, ao contrário, foi sabotada e cedeu lugar para a monstruosa mentira; enfim, ocorre um profundo dilaceramento da jovem democracia brasileira, cujos reflexos recaem sobre o nosso recanto dos cocais, e com uma gravidade atroz: o fortalecimento da cultura inebriante da sordidez.

A lógica capitalista se sustenta no discurso da falácia e da hipocrisia. O mercado reproduz esses ideais perversos e dantescos sem o menor pudor. Não há formosura e nem felicidade sob o céu colorido dos pujantes marqueteiros. Eles são os verdadeiros operadores da mentira. Quando deslocamos o foco para a tônica eleitoral, ai a coisa ganha maior evidência, porque os efeitos mirabolantes projetam fatos espetaculares, inacreditáveis, inclusive, com o tom de “perfeição” e “vitória” esmagadora de determinado candidato em detrimento de outros. Aliado ao marqueteiro existe outro elemento fundamental: os indefectíveis institutos de opinião pública que exalam seu odor contra a verdade e busca tolher a vontade de alguém que deseja se manifestar de forma independente.

Particularmente, tenho uma posição sobre pesquisa eleitoral: simplesmente, não acredito em seus números-índices – raros são aqueles que conseguem demonstrar fidedignamente os fatos. Mas, de qualquer forma, temos uma responsabilidade perante a comunidade, aliás, temos uma incomparável função de alertar a comunidade sobre o que representa os dados apresentados pelos institutos de pesquisa eleitoral antes, durante e depois das eleições. Na verdade, os vejo apenas como uma fraude vergonhosa a serviço de uma elite que pretende se apropriar do poder político e, para isso, buscam esses recursos nada convincente e verossimilhante.

Qual é a linguagem dos marqueteiros? O que eles imaginam para oferecer ao mercado eleitoral um produto ideal a ser consumido sem nenhum questionamento sobre suas propriedades básicas? Não é muito difícil adivinhar quais são suas artimanhas para celebrar o ato triunfante sob a égide da mentira e da hipocrisia.

O mercado eleitoral exige um produto com garantia de compromisso, com sabor de mudança que atenda suas angustiantes reclamações históricas. E é neste sentido, que se faz presente o fetiche das pesquisas eleitorais evidenciando a tendência de ascensão e queda de candidato X, candidato Y e, assim, por diante, em intervalos mínimos de tempo. Entretanto, é de bom alvitre que o eleitor seja sábio o suficiente para temperar tal produto, e que ele não seja o produto velado meramente pela propaganda de que é, efetivamente, o mais competitivo e o melhor do mercado. Compete aos donatários das entidades de pesquisas comporem esse magnifico quadro para ressoar o espirito frenético e conturbado da sociedade por um produto diferente, saudável e de bom gosto.

Ai entra a questão fetichista da pesquisa eleitoral sempre duvidosa, nunca objetivamente imparcial e serena. Há sempre um dispositivo disponibilizado para o lado oposto da verdade. Isso é terrível. É um câncer, é um vício.

A melhor pesquisa é aquela que você faz, ou seja, ao tomar uma decisão sem influência externa – oriundas das pesquisas fantasiosas. Posso citar vários exemplos de como os marqueteiros associados a informações colhidas de pesquisas que acabaram sendo um fiasco no final do processo eleitoral. O detalhe: toda a equipe trabalhou com a perspectiva da vitória revelada pela pesquisa. Portanto, a pesquisa simplesmente se constitui numa espécie de manipulação irreal, ou seja, tenta a todo custo, inverter uma tendência eleitoral já definida.

A rotatividade eleitoral (mudança comportamental) é outro elemento que torna praticamente impossível à pesquisa aproximar-se de sua própria informação coletada. Só há um elemento capaz de promover uma mudança de uma determinada tendência eleitoral: ocorrendo um fato que repercuta negativamente contra aquele candidato que esteja bem perante a opinião pública. Exemplo: a divulgação antes da eleição de 1989, que Lula havia pedido que a mãe de sua filha Lurian provocasse um aborto porque ele não queria ter filhos. E, no entanto, a informação não era verdadeira. O principal objetivo era gerar um fato político negativo ao Lula e, assim, criar um clima de antipatia ao candidato propenso a vencer o embate eleitoral. Por isso, é preciso que o eleitor tenha muito cuidado ao receber determinada informação sobre aquele candidato que, a priori, nunca recebera uma acusação inglória. Ao marqueteiro e aos donatários de entidades de pesquisas cabe-lhes engendrar situações inverídicas para tentar desestimular o eleitor a votar naquele candidato cuja biografia é inatacável.

Enfim, o marqueteiro e os institutos de pesquisas eleitorais cumprem uma função apenas: institucionalizar a dúvida e a mentira como suporte para inverter a lógica de determinada tendência eleitoral já definida pela população. Assim, é possível dizer que: “a propaganda é a alma do negócio”.

Por Jacinto Junior

2 comentários sobre “A DINÂMICA DO MARKETING: Uma análise sobre a política e suas particularidades mercadológicas-eleitorais”

  1. Belo exemplo, este do Lula. Os marqueteiros só erraram este exemplo dele. A ideologia é crassa nesta base alienante. E aqui se aproveitam os ideólogos de plantão. Educação sem funcão irá favorecer os sem dó de plantão. Então, o que nós temos feito?

  2. A ideologia afundou o pais; um grupo sem nocao; confiados na inpunidade, mas temos um heroi sergio moro, levara todos pra cadeia.Deus e .maior!

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