A luta das casas de recuperação de usuários de drogas para não fechar as portas

Estivemos no  ambiente rural pertencente à Casa Mãe do Divino Amor –  uma comunidade terapêutica para recuperação de usuários de drogas de Codó onde Rosivaldo, há 9 meses,  encontrou o que faltava para passar a ver a vida de uma outra forma.

“Um irmão chega lhe dá um tapa você vai querer agredir e aqui dentro a gente todo mundo não é igual, todo mundo tem uma diferença, mas a gente tenta lidar com a diferença do irmão pra gente crescer, não mais crescer fisicamente, mas crescer espiritualmente”, disse com a firmeza de quem se tornou o atual coordenador das atividades internas do centro de recuperação

Das seis da manhã até a hora de dormir, todos estão envolvidos com algum trabalho ou atividade religiosa, explicou-nos  padre Orlando da Cruz, com sua educação peculiar,  que está há algum tempo dedicando-se exclusivamente ao lugar.

PEDIR PARA NÃO FECHAR

A luta não é fácil, mas o mais difícil por, ao que nos parece,  é manter o serviço social e de saúde funcionando. A Mãe do Divino Amor tem fixo apenas R$ 3.788,00 de doação em dinheiro, vindos da Prefeitura de Codó e da empresa FC Oliveira,  insuficiente para suas atividades.

O complemento vem do ato de pedir, todo dia,  à todos – empresários, pessoas comuns.

Tudo para não deixar a casa fechar as portas.

Então um pouquinho daqui, um pouquinho dali, então faz com que a gente possa atender com qualidade os nossos meninos, o nosso estatuto diz que os residentes deveriam colaborar com meio salário mínimo, mas nós sabemos que a nossa Casa foi fundada, exatamente, porque eles não têm total condição, nós estamos hoje com 10 residentes, dos 10 nos temos aqui 3 colaborando naquilo que eles podem”, frisou Padre Orlando, até muito agradecido pelos os que colaboram.

EM TRIZIDELA DO VALE

E um problema geral. Esta semana, quatro pessoas de outra comunidade terapêutica do município de Trizidela do Vale, chamaram a atenção por aqui. Encontramos na entrada de Codó parando carros para pedir. A faixa, nos chamou a atenção também.

 “dois contos, três contos não vai quebrar a gente e tá dando um apoio, né, as autoridades não fazem isso aí”, disse o motorista Valdeci Fontenele que fez sua doação ao ser parado.

E é de gente solidária assim que, realmente, precisam, explicou Pastor Nonatinho, que há 7 anos criou a Casa de recuperação Bom Samaritano, atualmente com 11 internos (agora chamados de residentes).

Para mantê-la, este é o terceiro ano de peregrinação pelos municípios da região Leste.

 “Faz uns três anos que a gente sai assim de cidade em cidade né porque nós não temos ajuda assim de político, nem empresário, então é necessário nós sairmos nas ruas e quem nos ajuda mesmo é a população”, explicou o pastor de jeito bem humilde e sábio

Com ele, recuperados que hoje ajudam outras pessoas a se livrarem do vício que passam. Mariano Brito falou sobre a quantia que conseguem arrecadar em dois dias de estada em cada cidade.

“200, R$ 400…O MÁXIMO QUE VOCÊS JÁ CHEGARAM? R$ 800,00…NUMA CIDADE SÓ? Só numa cidade só”, respondeu

Passam dias numa cidade, depois retornam para Trizidela do Vale para dá de cara com uma nova necessidade e recomeçar tudo de novo. Para Lucinete de Sousa, uma luta com causa  de retribuição.

 “Uma forma de retribuir também o que Deus fez na minha vida, ajudando o meu irmão, o meu próximo também ”, afirmou sob um sol abrasador na MA-026, perto da rodoviária de Codó onde parava carros para pedir.

Um comentário sobre “A luta das casas de recuperação de usuários de drogas para não fechar as portas”

  1. Importante deuxar claro que o Povo de Codó, por meio da Prefeitura repassa R$ 3.000,00 por mês para a Casa Mãe do Divino Amor, além de apoio do CAPS.

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