COLUNA DO SARNEY: Louvado seja

Senador José Sarney - uma vida dedicada ao Brasil
Senador José Sarney – uma vida dedicada ao Brasil

Francisco é um papa diferente. Como São João Paulo II, já ingressou na vida sacerdotal com uma vivência deste mundo de virtudes e pecados. Francisco teve um juventude de militância política e, com certo humor, diz que foi o primeiro papa jesuíta, o primeiro latinoamericano, o primeiro argentino e o primeiro peronista. Ele viveu o populismo que assolou a Argentina com uma doutrina que até hoje ninguém sabe o que é, a não ser que foi o modo de fazer política do general Perón. Francisco saiu do mundo dilacerado da política e partiu para a paixão do futebol, tornando-se fanático do clube San Lorenzo.

Com experiência de vida, da realidade dos bairros miseráveis de Buenos Aires e, pela mão de Deus, tocado pela fé, cumpriu o destino de entrar num seminário jesuíta. Fez uma carreira brilhante de pastor e, chegando a arcebispo e cardeal de Buenos Aires, não esqueceu suas vivências e continuou um homem simples, que andava de ônibus, fazia sua comida. Praticava uma vida de ascetismo, carregando, como dom Pedro II, sua pasta na mão, recusando as pompas. Para defender os excluídos, bateu de frente com Cristina Kirchner. Depois de quase ser eleito papa na sucessão de João Paulo II, foi consagrado no Concílio que que escolheu o substituto de Bento XVI.

Ele já firmou seu estilo, com seu jeito bom, sua simplicidade e a quebra de tabus do Vaticano, abandonando a residência papal e celebrando em outras igrejas, misturado ao povo e sem separações de hierarquia. Com habilidade está renovando a Cúria. Já modificou o banco do Vaticano, que estava mergulhado nas práticas nada católicas dos outros bancos.

Marcou presença internacional e, verdadeiro milagre, acabou com os 50 anos de isolamento de Cuba pelos Estados Unidos, resolvendo um problema que afetava a vida da América Latina e quase tinha sido pivô de uma catástrofe, quando Kruschev resolveu instalar mísseis em Cuba, ameaçando o mundo da destruição de uma guerra nuclear.

Encíclica era um documento papal restrito aos assuntos da Igreja, distribuído aos bispos e ao clero com a orientação suprema. Depois estendeu-se a problemas da humanidade e passou a ser dirigida a todos os fiéis e ao mundo em geral, firmando a posição da Igreja. Algumas tornaram-se históricas, como a Rerum novarum, de Leão XIII, que na Revolução Industrial abordou a questão operária, e foi completada por João Paulo II com outra, a Laborem exercens, sobre o trabalho humano. O papa Francisco, com sua humildade, fez a sua primeira encíclica, Lumen fidei (A luz da fé), com texto quase todo esboçado e escrito por Bento XVI, abordando a questão da fé, na linha do Evangelista São João – ”Deus é a luz do Mundo.”

Agora, Francisco, com humildade, ouviu cientistas e ecologistas de todo o mundo para fazer uma encíclica sobre a Terra, que está ameaçada de destruição, com o meio ambiente tratado como objeto de ganância e explorado para gerar lucros.

Li toda. É muito bem escrita, didática, e aborda todos os aspectos da questão: poluição, mudanças climáticas, perda da biodiversidade, a disponibilidade da água, a degradação social e a fraqueza das reações. Muita coisa serve de reflexão ao Brasil.

Francisco adverte: “A política e a economia tendem a culpar-se reciprocamente a respeito da pobreza e da degradação ambiental. Mas o que se espera é que reconheçam os seus próprios erros e encontrem formas de interação orientadas para o bem comum.”

O título da encíclica é Laudato si, Seja louvada a Terra, morada que Deus nos deu e que deve ser preservada e respeitada.

FONTE: O Estado do MA/Via Gilberto Léda

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