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terça-feira, 28 de julho de 2026
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Agricultores codoenses de Bela Vista vão interditar a BR-316

Numa reunião de agricultores assentados, que adquiriram terras por meio do Crédito Fundiário, realizada no último dia 4 de novembro, Francisca Gonzaga, uma líder  rural da região, explicou que nas 11 comunidades formadas por meio deste programa federal, dentro de Codó,  existem problemas de toda ordem.

Bela Vista reunida em 04 11 2014
Bela Vista reunida em 04 11 2014

“Existem poços que foram construídos que não atendem a demanda onde a água é imprópria para o consumo humano, onde pessoas não têm terra pra trabalhar, onde pessoas não podem acessar (crédito) não podem nem renegociar. Nós temos hoje em Codó, quase 300 famílias assentadas pelo Crédito Fundiário onde algumas delas estão com recursos liberados para trabalhar  e não podem devido à burocracia”, explicou Francisca

 O CASO BELA VISTA

Mas o de Bela Vista, povoado às margens da BR-316 (rumo à Caxias) chama atenção ainda mais porque eles estão lutando pela terra que compraram e não receberam.

Documentos mostram que foram compradas, via Crédito Fundiário, 900 hectares, por R$ 213.000,00, em junho de 2005.

Mas  uma medição do ITERMA – Instituto de Colonização e  Terras do Maranhão – comprova que os lavradores só receberam 302 hectares até hoje, área insuficiente para que cada família possa trabalhar e por em prática diversos projetos que já estão com verba garantida, mas sem terra para execução.

“Se eles compraram uma terra pra gente trabalhar aí não vem entregar, como é que a gente pode trabalhar? Não tem benefício e os outros ficam estragando uma terra que eles compraram errado pra gente, quando chegar a época da gente receber vai receber a vassoura pra trabalhar aonde? Não tem como o cabra trabalha”, reclamou seu João Rocha de Santana, agricultor da área afetadaIMG_20141104_094951778

O programa do Ministério do Desenvolvimento Agrário pagou o valor integral direto para a ex-dona, mas deu 3 anos de carência aos lavradores e 15 anos para pagar o valor.

A carência terminou e de agora em diante, no fim de cada ano eles terão que pagar ao governo R$ 22.646,00 até quitar a dívida.

 “Você não tem de onde tira o dinheiro e no dia que arruma, tá pagando terra pro outros morar”, disse dona Maria Bernarda Batista dos Santos

 O DESEJO DOS AGRICULTORES

O que eles querem é a intervenção de órgãos estaduais na causa para receberem os 900 hectares ou o direito de pagar apenas os 302 que estão usando, segundo nos explicou o presidente da Associação de Bela Vista, Samuel de Jesus Trindade

“A gente quer uma resposta em primeiro lugar da Federação dos Trabalhadores, a FETAEMA, que é quem nos representa no Estado, e segundo o Governo do Estado Secretaria de Agricultura, isso é uma vergonha para o programa, foi criado o programa de Crédito Fundiário aonde o combate à pobreza aonde evita o conflito, aonde nós temos todas as comunidades comprada por crédito fundiário dentro do município de Codó todas têm irregularidades dentro”, afirmou o presidenteIMG_20141104_092602658

INTERDITAR A BR-316

Por causa da falta de uma solução concreta para este problema os lavradores já decidiram que, a partir de agora, agirão de forma mais radical para chamar a atenção das autoridades e ainda este mês interditarão a BR-316.

A data não foi revelada, segundo eles para que não sejam reprimidos pela polícia rodoviária, só avisaram que a interdição ocorrerá antes do dia 20 de novembro.

 “E fechando a BR, não tendo resultado, nós marchar pra São Luís e vamos ocupar o crédito fundiário, hoje SEDS (Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social)…A situação não pode mais continuar porque nós temos vários projetos, tamos com a dívida nas costas”, concluiu  Samuel Trindade

 INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Os lavradores de Bela Vista afirmaram que a ex-dona da terra nada tem a ver com o problema. Ela entregou o terreno (900 ha), conforme a  medição vendida, ao Programa Crédito Fundiário do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário).

Mas a medição realizada pelos técnicos do  programa foi feita de forma errada, inclusive incluindo pedaços de uma terra Quilombola, o que jamais poderia acontecer. A demarcação também foi deficiente e hoje invasões estão ocorrendo. De acordo com os agricultores prejudicados,  todo dia aparece um dono de pedaços que estariam dentro dos 900 hectares reclamados pela associação.

No fim das contas, se nada for feito, as 22 famílias de Bela Vista (eram mais de 40, o resto foi embora por causa da decepção), pagarão 15 parcelas de 22.646,00 ao Governo (via Banco do Nordeste) usando menos da metade da terra  à que têm direito.

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

5 comentários

  1. Eu sou a favor desse movimento, é uma sacanagem o que os governantes fazem com o povo da zona rural de Codó…eles não tem estrada…

    o povo é que sofre…no tempo de campanha aparecem os políticos lá se fazendo de bonzinho…..todos são safados

  2. Dep. Cesar pires VC foi reeleito e agora sumiu. Amigos meus me informaram que o sr esteve na região prometendo o fundo e o mundo para aquelas pessoas. Agora já quase empossado simplesmente abandonou os eleitores que te reelegeram. Bem feito pra nós. Incompetente

  3. E interditando a Br, vai ter resultado??? acredito que não, isso atrapalhará a vida de quem utiliza a Br e nada tem haver com a questão referida. Sou codoense, e utilizo assim como outras pessoas a Br cotidianamente pra ir a Caxias fazer faculdade, e nós estudantes e pessoas em geral que usurfruem da Br nada tem haver com essa questão e seremos prejudicados? Uma vez que todos os universitarios, estão em pleno fechamento de periodo, isso acontecendo, ficaremos todos prejudicados. Então é bom que se pense numa outra solução, e que se procure os responsaveis pra que se tenham dialogos e não a ser interditada a Br 316!

  4. Conheço essas duas pessoas Samuel e Francisca,pois os mesmos fizeram parte da interdição da Br316 no km 17 e fui testemunha no momento quando puseram o fogo na br de como os dois conduziram, ageram e se posicionam junto ao povo são lideres natos,os dois são pessoas serias e responsáveis e acredito que essa nova interdição só acontecerá se não houver outro jeito.de tornar notório os problemas das comunidades, e digo mais Codó precisa de pessoas como vcs, eu e minha família chamo também meus amigos a entra nessa luta de dois cidadão codoenses: (Francisca)Chaguinha e Samuel em defesa do homem do campo.

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