A vendedora Sônia Raquel Gonçalves Oliveira está indignada. O processo de habilitação dela vencerá muito em breve (17 de março) e ela que planejava encerrar tudo agora em janeiro iniciou o ano sabendo que não haverá exames práticos em Codó, último passo para que conseguisse sua Carteira Nacional de Habilitação.
“Meu prejuízo vai ser imenso porque eu tô pagando, fiquei reprovada se pudesse pra fazer ainda no final do mês, melhor, caso eu não passasse eu tinha o mês de fevereiro pra mim fazer o reteste…MAS NÃO VAI TER? não vai ter, e aí, eu vou ficar no prejuízo”, reclamou a vendedora
Francildo dos Reis Santos tinha exame de prática marcado para este mês, com a notícia da não realização corre o risco de perder o emprego que está dependendo, urgentemente, da Carteira Nacional de Habilitação.
“A previsão como disse dona Sônia é pra março e daqui pra março se eu não fizer o meu teste será se o DETRAN terá possibilidade de me empregar lá pra sustentar minha família? Minha habilitação, meu emprego tá dependendo dessa habilitação, será se ele vai conseguir me sustentar lá, eu com minha filha e minha esposa?”, questionou o representante comercial
A ALEGAÇÃO DO DETRAN
De acordo com os denunciantes o DETRAN MA alega que não tem dinheiro para bancar as viagens dos examinadores até Codó. Com isso, cerca de 400 alunos de autoescolas se dizem prejudicados.
Irmão Bernardo Maria, que coordena um abrigo para Idosos Casa de São Pio, contou que o dinheiro para a habilitação foi uma doação, se perder o prazo, cujo término também já se aproxima, não sabe se terá doação novamente para recomeçar o processo e os beneficiários do abrigo perderão um motorista mais que poderiam ter (além do próprio Bernardo Maria, que já é habilitado).
“Nós vivemos de doação, Essa carteira foi doada pra nós e a gente não pode perder, então o DETRAN precisa dá um jeito de arrumar uma forma dessa pessoa vir fazer a prova pra que a gente não perca, não saia no prejuízo (…) todos já pagamos as taxas, pagamos o reteste e nós precisamos da carteira”, disse
PALAVRA DA CIRETRAN
Nós estivemos com o chefe da 3ª Ciretran. Ele explicou que o orçamento do Estado fecha nos primeiros meses do ano, daí a falta de dinheiro para a viagem dos examinadores. Ricardo Reis culpou as autoescolas por não terem evitado este problema.
“Então todas elas sabem que no final do ano o sistema do Estado fecha e só reabre depois de dois ou três meses que é disponibilizado recurso (…) deveriam ter se programado para que não deixasse que a pessoa querendo tirar a sua carteira fizesse então uma programação para que não fosse no final do ano, quer dizer, faltou então planejamento das autoescolas de nossa circunscrição”, afirmou
REAÇÃO
Nenhum dos proprietários ou gerentes de autoescolas com quem estive depois da declaração de Ricardo Reis quis gravar entrevista, mas todos rebateram a fala do chefe da Ciretran.
Disseram que não têm culpa porque quem abre vagas e suas respectivas datas para os exames práticos é o próprio DETRAN MA, as autoescolas apenas indicam os alunos que já podem realizá-los nas datas disponibilizadas.
Portanto, afirmaram que não são as autoescolas as responsáveis pelo problema apresentado nesta reportagem.

