No mais recente quadro Conversa Franca, do programa Comando Geral, da TV Cidade Record, o jornalista Genivaldo Cobra recebeu uma das figuras mais respeitadas do cenário intelectual e político codoense – o professor e ex-secretário de Educação, Jacinto Júnior.
Em uma entrevista densa e carregada de memórias, Jacinto refaz o caminho que o levou do movimento estudantil em Goiás ao topo da gestão pública em Codó.
Raízes e o “Amor à Primeira Vista”
A história de Jacinto Júnior começa muito antes de seu nascimento, no antigo distrito de Capinzal do Norte, na década de 1940. Filho de Jacinto Pereira Sousa — piauiense, comerciário por 28 anos e três vezes vereador de Codó — e da professora cearense Francisca Enir Gonçalves Sousa, Jacinto recordou com bom humor o início da união de seus pais.
“Ele foi saliente com ela quando a viu por trás de um balcão. Foi amor à primeira vista”, brinca o entrevistado sobre o encontro que deu origem a uma família de seis filhos, da qual ele é o primogênito entre os homens.
O Despertar Político: De Goiânia ao Chão de Escola
Em 1985, a busca por novos horizontes levou o ainda jovem Jacinto à Goiânia, então o epicentro do movimento estudantil brasileiro. Lá, sob a mentoria de Ruberval, coordenador do movimento, o novato Jacinto Júnior refinou sua visão política. Ao retornar para Codó, no final da gestão 1 de Biné Figueiredo e início da era José Inácio, Jacinto deixou sua marca na Escola Senador Archer.
Foi ali, enquanto cursava o magistério, que ele mobilizou a criação dos primeiros grêmios estudantis da cidade. “Selei minha digital de homem público a partir do movimento estudantil”, afirma, relembrando como o trabalho de base o tornou conhecido na comunidade local.
A Fundação do PT e a Luta com “um Tamborete e uma Caixa de Som”
Jacinto Júnior também detalha sua histórica ligação com o Partido dos Trabalhadores (PT). O contato inicial veio em 1989, na icônica campanha de Lula contra Collor. Em 1991, ao lado dos companheiros Raimundinho do PT e professora Edna Rodrigues, fundou o primeiro diretório municipal do partido.
A estrutura era precária, mas o idealismo era sólido: “Nossa estrutura era um tamborete e uma caixa de som”, recorda. Em 1992, o partido já lançava chapa própria, com a professora Graça Rodrigues para prefeita e Jacinto Júnior como vice.
A Ascensão na Educação e o Legado no IDEB
A carreira técnica de Jacinto Júnior foi forjada no mérito. Após passar em primeiro lugar no concurso público de 2002, na gestão de Ricardo Archer, ele consolidou sua posição como educador. No entanto, sua chegada ao cargo de Secretário de Educação, no primeiro mandato de Zito Rolim, não foi fruto de mera indicação política, mas de um processo democrático inédito.
Jacinto foi o mais votado em uma lista tríplice escolhida pelos próprios professores em uma eleição histórica realizada no clube A Fazenda. Sob sua gestão, Codó alcançou números expressivos:
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Democratização: Escolha do gestor por mérito e votação.
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Resultados: Alcance dos melhores índices do IDEB da história do município na época.
O Olhar do Escritor
Para além dos números e da política, a entrevista revela o lado introspectivo do “Jacinto Escritor”. Para ele, escrever é uma necessidade vital de traduzir a realidade. Seus artigos político-filosóficos são publicados, com frequência no blogdoacelio.
“Viver é pensar, e pensar requer um olhar cuidadoso. Procuro delinear nossa realidade com propósito”, filosofa o intelectual, que segue contribuindo para o ciclo de escritos que alimentam a cultura local.

