A partir da leitura de um texto elaborado pelo professor Afrânio Jardim – Mestre e Livre-Docente em Direito Processual Penal (Uerj) – com o sugestivo título: “A perversidade da Mídia e a Sociedade Ingênua”, (publicado em sua pagina oficial no Facebook) tentarei aprofundar o caráter venal que a mídia conservadora busca impregnar na consciência do telespectador uma verdade única e absoluta.

Afrânio desvela o espírito tendencioso da mídia em defesa dos interesses de grupos corporativos – econômicos – é o que costumamos chamar de capitulação descarada. Sua abordagem, com efeito, desmistifica o contrassenso apelativo impregnado na ideologia do discurso dominante, veja como ele aponta a tática da grande mídia no que tange à informação e seus objetivos diante da opinião: “A GRANDE IMPRENSA, ALÉM DE (de) FORMAR A OPINIÃO PÚBLICA, DEPOIS PASSA A DAR PUBLICIDADE DAQUILO QUE LHE INTERESSA DIZER QUAL SERIA A OPINIÃO PÚBLICA, CRIANDO UM CIRCULO VICIOSO. SEM QUALQUER PESQUISA SÉRIA E CIENTÍFICA, A MÍDIA NOS DIZ COMO PENSAMOS SEGUNDO O SEU DESEJO” (o grifo em caixa alta é do próprio autor e não meu).
Olhando para essa definição, vislumbramos três características que enchem o ideário midiático na perspectiva da alienação do telespectador, a saber:
- Recepção da informação cunhada pelo favorecimento de uma classe social em detrimento de outra com uma fina sutileza que acaba convencendo a classe subalterna a digerir tal informação;
- Incapacidade teórica dos membros da classe subalterna para refletir de forma independente sobre o conteúdo apresentado, devido sua labuta diária (associada ao cansaço) e, por conseguinte, a informação repassada torna-se uma verdade única e inquestionável;
- E, por último, estabelece ‘princípios’ que devem coexistir numa relação social, eliminando desse modo, a presença do contraditório, pois, tudo está selado a um dócil arranjo cordial. Dito de outro modo, a cultura e a própria condição daqueles que não se envolvem em questões sociais e políticas, aparentemente, estão resguardados e protegidos da famigerada e indolente chaga da corrupção.
Note o perigo que representa a mídia conservadora com suas manipulações! Mas o pano de fundo é exatamente tolher a ação de todo e qualquer sujeito que ouse interpelar o modelo e o arranjo floral da notícia institucionalizado por esta estrutura de poder. Quando percebe que corre perigo, imediatamente, ela evoca a presença democracia e o conceito de liberdade de imprensa para, assim, se safar do mecanismo que definirá a sua função e papel social como formadora de opinião – isto é, sobre o Marco Regulatório da Comunicação em bases democráticas.
Afrânio Jardim aprofunda sua crítica remetendo para a necessidade de se ter um sujeito interventor com consciência crítico-intelectual para confrontar-se com o que designa de “consciência ingênua’: “Consciência crítica não interessa a quem tem o poder social. Eles precisam de consciências ingênuas que acreditam em tudo o que veem na perniciosa “telinha da televisão”. Por isso, alguns trabalhadores estão favoráveis às reformas trabalhistas e da previdência social, sem notar o quanto vão perder em termos de bem estar social”.
Sua preocupação se estende até mesmo sobre o caráter da irracional reforma trabalhista e previdenciária proposta pelo traidor/golpista/ilegitimo Temer, pois, os mesmos sofrerão danos e perdas irreparáveis no que concerne à sua aposentadoria e aos direitos trabalhistas. A incompreensão por parte desse sujeito – que, diretamente, está envolvido no processo desta reforma sendo atacado e colocado como o principal elemento causador do déficit -, aceita passivamente a ideia ilusória depreendida pela mídia de que para consertar a desordem atual da Seguridade Social, urge a reformulação da Previdência Social. Somente quem não conhece por dentro a realidade da Previdência Social pode acreditar nessa estória da ‘carochinha’.
E retratando a fortes pinceladas sobre a aguda realidade socioeconômica do sujeito histórico alienado, diz num tom quase que clamando para aquele, despertai de seu devaneio heterodoxo econômico ô pobre trabalhador: “pobre não sabem porque são pobres, apenas querem ficar ricos”(…) . Aqui temos um paradoxo um tanto heterodoxo com essa afirmativa. Para ele o sujeito inconsciente (aquele de consciência ingênua, lembra?) precisa romper as amarras não apenas do silêncio, mas, sobretudo, estabelecer uma ruptura com o corriqueiro e colocar-se numa perspectiva renovada naquilo que é fundamental: pensar criticamente a realidade social que embrutece sua arrasada vida econômica. Sua arguta afirmação pressupõe um eixo determinante para que o sujeito encontre o verdadeiro mecanismo que o aprisiona numa dada circunstância histórica. Na verdade, Afrânio Jardim propõe uma reflexão muito simples para o sujeito despossuído de toda abastança que detém o capitalista. Nesse discurso, percebem-se duas vertentes muito claras:
- A necessidade do ‘pobre’ se reconhecer como tal, porém, precisa tomar consciência de toda a estrutura que circunda sua vida, a partir desse ponto, integrar uma nova fase de seu conhecimento, ou seja, apropriar-se do saber, e, para isso, tem uma tarefa a desempenhar: estudar história, filosofia, política, sociologia e, principalmente, economia. Com estes elementos internalizados assumirá sua identidade classista, sua condição histórica de pertencimento e questionar sua condição subumana; ou seja, descobrir os tramite que proporcionaram sua condição de miserável no sistema excludente capitalista.
- Da ‘consciência ingênua’ à consciência crítico-social. O ‘pobre’ segundo Afrânio desconhece as razões pelas quais ele é pobre e continua pobre na realidade social. Ele estimula o ‘pobre’ a se submeter a um processo revolucionário de rompimento (ruptura) dinâmico, sustentado na teoria social que ele se apropriou (história, filosofia, política e economia), que dará a justa consciência política de como é formada a estrutura de poder e os mecanismos produzidos que geraram e continua a gerar sua miséria social. A ideia do ‘pobre’ desconhecer as razões que o condicionou a ser ‘pobre’, está intimamente ligado à ideia da violência simbólica; por conseguinte, ele acha que só o fato de querer ser rico é o suficiente para superar sua condição socioeconômica, na verdade, ele vai ter de estabelecer estratégias capazes de reinventar a si mesmo e, a partir disso, ter uma nova consciência política e social dialética para se libertar da dominação de classe a que vive submetido com sua ‘ingênua consciência’ sociopolítica.
Contextualizar a ambiência de uma vida marcada pela pobreza deve perscrutar a reflexão do sujeito para que ele compreenda sua condição social e subumana como uma determinação estruturada na lógica de um sistema opressivo: o capitalismo. Isto implica afirmar que, o sujeito ‘pobre’ – alienado de sua condição econômica – que busca a riqueza sem antes saber por que vive numa situação de penúria, internaliza apenas o desejo superficial de querer ser rico também e essa vontade se expressa no conceito burguês da individualidade, da competitividade e exímia superação dentro do sistema excludente – cuja palavra-chave é a ditosa meritocracia (grifo nosso). Esse conceito é uma antítese da coletividade. Essa é a lógica perversa do neoliberalismo sob a ‘ingênua consciência’ sociopolítica.
Portanto, a ideia de sopesar a natureza da informação constitui pedra de toque para aquele que, de fato, irrompe com o modelo idealizado pelo jornalismo canhestro e tendencioso. Isto se chama dialética. Saber distinguir uma informação de uma falsificação é um exercício prático de analise teórico-dialético.
Sucintamente, Afrânio Jardim tenta justapor a ideia da reflexão crítica como mola propulsora para desencarnar a manipulação ideológica contida na informação falsificada; pondo-a nua, colocando-a em seu devido lugar sem nenhuma maquiagem e tendência; apenas informando corretamente o fato ao telespectador atento como ele o é, ou na melhor hipótese, como se constituiu.
Por JACINTO JUNIOR
11 Respostas
A dialética é que Lula …., Zé Dirceu é ….. e o PT é o partido da corrupção.E tu, tá viajando na maionese.
“Rita” esse comentário é, de fato, carregado de ingenuidade. Para seu governo não faço parte mais do PT, desde 2009. E não tenho nada a ver com a operação lava jato. Seria bom se situar na história local e não expressar bobagens. Atualmente, estou sem partido. Já fui convidado por várias lideranças de partidos da direita e da extrema-direita, porém, não quero rasgar minhas convicções ideológicas com quem não sabe o verdadeiro sentido em lutar por um ideário social justo e democrático. Respeitosamente.
vamos voltar ao período de sua presença como secretario de educação..o que tem o mostrar agora?
Do abstrato conceito do Che Guevara de Shopping Center à conceituação dialética da falácia.
Pelo menos este texto não está carregado de adjetivos desnecessários.
“Wallace” gostaria de ver um escrito de sua lavra, para poder retrucar à altura. Faça isso, demonstre sua profunda capacidade teórica e dialogue com autores contemporâneos. Seja um colaborador da cultura política, econômica, social; enfim, mostre seus atributos e contribua com o nível de consciência política e social daqueles que necessitam de informações em sua essência. Respeitosamente.
e tu ainda se deu ao trabalho de ler?
A mídia nunca foi conservadora e o senhor erra muito ao dizê-lo. Ela, sem dúvida, usa seu poder para fins próprios e para manipulação, e obedece apenas a uma agenda altamente progressista, que desestabiliza a família e expõe as nossas crianças. Quanto a crítica ao governo e às reformas o senhor mostra apenas um discuso pronto e, por sinal, criado por partidos políticos que foram os verdadeiros responsáveis pela corrupção e pela destruição do Estado brasileiro (PT). Dizer que a reforma trabalhista é desnecessária é hipocrisia e falar que não precisa de reformas na previdência também o é. Certamente precisamos de uma reforma previdenciária, mas não essa proposta pelo Temer. A reforma trabalhista, no entanto, é altamente útil. Países como Dinamarca e Estados Unidos não têm tamanha regulamentação sobre o trabalho e nem por isso vejo gente de lá vindo ao Brasil para trabalhar sobre o regime da CLT. Seu discurso, enfim, é apenas uma reprodução exata dos mesmos ladrões e covardes da pátria e têm um viés socialista, sistema de governo que só causou morte e destruição.
Não dá para compreender seu profundo raciocínio emblemático “FILHO”, você é de outro nível. Francamente, sinto-me amiudado diante de sua argumentação! Tchau!
O pior cego é aquele que não quer enxergar, antes a pouca cultura daqueles que poderiam ser manipulados pela mídia bem como por discursos mentirosos, prática corriqueira de nosso políticos corruptos, a desfrutar de um cultura invejável e deixar-se dominar por estes governantes maléficos que destruíram o caminho de desenvolvimento no qual o Brasil trilhava, e hoje estamos sem saber que rumo tomar, já que nossos representantes já provaram que em sua grande maioria só pensam em encher o bolso, abra o olho e use seus conhecimentos em benefício de todos.
Nobre Ney Maran Oliveira Soares, gostaria de explicitar que a concepção ideal de sociedade é baseada no conceito de justiça social e igualdade para todos. Uso o meu conhecimento com o propósito de esclarecer à comunidade – melhor dizendo: o cidadão – o verdadeiro embate político que ocorre entre os diversos movimentos de natureza ideológica. É essencial partir desse princípio para uma compreensão ampla da realidade que permeia a vida de toda a sociedade civil. Não faço menção à tendencia “a” ou “b”, mas, sim, à intenção ocultada nos “discursos mentirosos, prática corriqueira de nosso políticos corruptos”. A questão central é desmistificar esses representantes que, de fato, “só pensam em encher o bolso”. Neste sentido, garanto-lhe que estou vaticinado, já dei provas incontestes de minha ética e minha honestidade. Agora, lamento que nosso país tenha sido uma colonia de uma nação que enviou para cá as prostitutas, os estupradores, os condenados, os degredados e assassinos – nosso país é resultante dessa química cultural horrenda e, isso, se reflete em nosso presente com força impressionante. E raros são aqueles que resistem bravamente a esse tipo de comportamento hediondo.
Somos um povo aculturalizados, se o somos, como reafirmar nossa identidade específica enquanto nação com capacidade para imprimir um projeto de nação desenvolvimentista e independentemente de outras nações que se apresentam com a mesma filosofia de dominação de mercados; enfim, um país com autodeterminação? Lamento e fico profundamente triste quando um indivíduo critica e condena a tentativa de elevação de seu próprio país; parece que se manifesta o espírito da subserviência apregoado por Nelson Rodrigues na década de 1950, chamado de “complexo de vira lata”. Da mesma forma que você afirma que “destruíram o caminho de desenvolvimento no qual o Brasil trilha”, é a minha mesma impressão. Com um acréscimo, reportando ao início de meu comentário: com justiça social e igualdade para todos. Saudações, nobre colega Ney Maran!