Dos 513 deputados federais eleitos no último domingo (5), pelo menos 87 (16,95%) são parentes de outros políticos.

De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), órgão de assessoria parlamentar de sindicatos, 42 dos herdeiros políticos foram eleitos deputados federais pela primeira vez e outros 40 foram reeleitos.

O G1 identificou outros cinco deputados federais eleitos que têm parentesco com políticos e não estão no levantamento do Diap, considerado preliminar pelo próprio órgão (dois eleitos pela primeira vez e dois reeleitos): César Messias (PSB-AC), primo do ex-governador do Acre Orleir Cameli; Felipe Maia (DEM-RN), filho do senador José Agripino Maia; Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS), filho do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados Nelson Marchezan; Marcelo Álvaro Antônio (PRP-MG), filho do ex-deputado federal Álvaro Antônio Teixeira; e Fábio Garcia (PSB-MT), neto do ex-governador do estado Garcia Neto.

Entre os herdeiros políticos que atuarão na Câmara dos Deputados na próxima legislatura (2015-2018) estão Clarissa Garotinho (PR-RJ), filha do ex-governador e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR-RJ); Bruno Covas (PSDB-SP), neto do ex-governador de São Paulo, Mário Covas; Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-deputado por São Paulo e ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Lula, José Dirceu; e Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ) e Requião Filho (PMDB-PR), filhos dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Paraná, Roberto Requião, respectivamente.

No Pará, reduto político do ex-senador, ex-deputado e ex-governador do estado Jader Barbalho, conseguiram se reeleger Elcione Barbalho e José Priante, mulher e sobrinho do político.

Outro estado que também elegeu um sobrenome tradicional na política foi o Maranhão, terra da família Sarney. O deputado federal Sarney Filho (PV-MA) vai exercer seu oitavo mandato em Brasília. O parlamentar é filho do senador e ex-presidente da República, José Sarney, e irmão da ex-senadora e atual governadora do estado, Roseana Sarney.

No Rio Grande do Norte, dos oito deputados federais eleitos, seis são de famílias tradicionais na política do estado, entre os quais Walter Alves (PMDB), filho do senador Garibaldi Alves, atual ministro da Previdência Social; e Felipe Maia (DEM), filho do senador José Agripino Maia.

No Senado, quatro dos 27 senadores eleitos no domingo fazem parte de famílias tradicionais em seus estados de origem. No Acre, Gladson Cameli (PP) é sobrinho do ex-governador do estado, Orleir Cameli. No Maranhão, o senador eleito Roberto Rocha (PSB) é filho do ex-governador Luís Rocha. No Mato Grosso do Sul, a candidata eleita foi Simone Tebet (PMDB), filha do ex-presidente do Senado e ex-governador Ramez Tebet. Em Goiás, o ex-deputado federal Ronaldo Caiado (DEM) se elegeu senador. Ele é neto do ex-senador Antônio Ramos Caiado e sobrinho do ex-senador Enival Caiado.

O diretor do Diap, Antônio Augusto Queiroz, disse que, entre os parentes de políticos, há muitos parlamentares inexperientes, alçados ao Legislativo Federal sem nunca terem exercido outro cargo eletivo.

“As pessoas são eleitas não em razão da pauta que defendem, mas em função do sobrenome. Isso não garante que o desempenho vai corresponder às expectativas do eleitor”, observou o diretor.

Para o professor de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Hermílio Santos, os herdeiros políticos costumam herdar a estrutura política consolidada por seus parentes. Segundo ele, em geral, os políticos que se elegem com sobrenomes famosos “não inovam muito” em suas atuações no Parlamento. Para o professor, quem busca a eleição aproveitando-se do nome da família “se dispõe a continuar um legado, e continuar um patrimônio.”

O professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, avalia que a prática de eleger herdeiros faz parte da “política tradicional brasileira”. De acordo com Fleischer, nascido nos Estados Unidos, ter um sobrenome tradicional pode “tanto ajudar quanto atrapalhar”.

“É uma prática cultural que é bastante enraizada na nossa política, eu não sei se vai mudar. A não ser que você mude o sistema eleitoral, que é baseado no voto nominal. Se mudar para lista fechada, ou outro tipo de sistema eleitoral, isso pode atrapalhar a eleição de herdeiros”, explicou.

Maranhão
Roberto Rocha (PSB): eleito senador, é filho do ex-governador Luís Rocha.
Sarney Filho (PV): reeleito deputado federal, é filho do senador e ex-presidente da República, José Sarney, e irmão da ex-senadora e atual governadora do estado, Roseana Sarney.
Juscelino Filho (PRP): eleito pela primeira vez deputado federal, é filho do ex-prefeito do município de Vitorino Freire, Juscelino Rezende.
João Marcelo (PMDB): eleito pela primeira vez deputado federal, é filho do ex-governador e atual senador, João Alberto.

G1 Maranhão

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