Qualquer semelhança com políticos da sua cidade, é mera coincidência. A reportagem abaixo traz um retrato colorido da atual realidade brasileira – as capitanias hereditárias eleitorais.

PATRÍCIA BRITTO
DE SÃO PAULO/ Jornal Folha de São Paulo

Impedidos de disputar as eleições no próximo ano, políticos enquadrados na Lei da Ficha Limpa têm um plano B: muitos deles tentarão eleger parentes e afilhados ao Legislativo em 2014.

Até quem diz que estará na disputa -todos ainda poderão brigar na Justiça para participar do pleito- já prepara algum herdeiro para o caso de ter a candidatura barrada. Em geral, os sucessores são jovens e disputarão a primeira eleição. Formado em direito, Pedro Cunha Lima, 25, filho do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), tentará vaga na Câmara dos Deputados.

“Sempre cultivei o sonho de me tornar professor, mas percebi que posso contribuir com a Paraíba”, disse Pedro.

Cássio Cunha Lima foi cassado quando era governador da Paraíba e está inelegível até o próximo ano. Eleito senador em 2010, só foi empossado no ano seguinte após o Supremo Tribunal Federal definir que a Lei da Ficha Limpa não teve validade para aquela eleição.

A regra que torna os políticos “fichas-sujas” inelegíveis começou a valer nas eleições municipais de 2012 e será aplicada pela primeira vez em 2014 nas disputas para presidente, governadores, deputados e senadores.

Pela lei, não podem se candidatar políticos condenados em decisão final, quando não cabem recursos, ou colegiada -mais de um juiz. Também fica impedido quem teve contas rejeitadas, mandato cassado ou renunciou para escapar de cassação.

A legislação não impede que parentes de “fichas-sujas” participem das eleições. Em 2012, alguns desses políticos que elegeram afilhados acabaram integrando as gestões ou mesmo exercendo os mandatos na prática.

“Seria um grande avanço se essas pessoas [com ficha suja] fossem proibidas de participar da administração”, diz o juiz Márlon Reis, um dos autores da Lei da Ficha Limpa.

Em Rondônia, parentes do deputado Natan Donadon (ex-PMDB) e do senador Ivo Cassol (PP) preparam-se para seguir os padrinhos, que tiveram mandato preservado mesmo após condenados pelo STF, mas estão inelegíveis.

Preso há cinco meses, Donadon espera eleger o sobrinho Junior, 36, deputado federal. Donadon foi condenado a mais de 13 anos de prisão por desvio de recursos do Legislativo estadual. Cassol, condenado a mais de quatro anos em regime semiaberto por fraude em licitações, quer ver a filha Karine, 23, na Assembleia de RO.

GERAÇÕES

Condenado no julgamento do mensalão, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) prepara a volta do filho Fábio Corrêa Neto, 41. Advogado afastado da vida pública desde 2000, quando foi deputado estadual, Fábio poderá disputar para deputado federal.

Também trabalham para eleger sucessores o deputado federal João Pizzolatti (PP-SC) e o estadual José Riva (PSD-MT), ambos condenados por improbidade administrativa, e o ex-senador Expedito Júnior (PSDB-RO), cassado por compra de votos, mas com esperança de reverter a decisão.

“É lógico que sou candidato, não há nada que possa impedir. Mas estou preparando meu filho para o Congresso, caso haja impedimento para a gente”, disse Expedito.

Colaboraram FRANCISCO COSTA, de Porto Velho, WILLIAM DE LUCCA, de João Pessoa, e RODRIGO VARGAS, de Cuiabá

2 Responses

  1. Cumpade véi, tem ficha-suja no Cuduó que botou filho pra ser candidato a deputado de última hora e agora o outro filho pra assumir secretaria de Estado. Óleo de Peroba é pouco pra essa cambada. O pior é que ainda quer negar ser ficha-suja. Cuduó Véi de Açúcar tá ferrado com gente desse naipe.

  2. Essa mazelas já praticam em Timbiras deste 2004, O líder não pôde e botou a mulher, foi um fiasco a gestão. Em 2012 a maior liderança não pôde novamente e botou o filho. Aguenta Timbiras mais 4 anos.

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