Por Carlos Magno – QUESTÃO DE PRINCÍPIOS

No período em que vivemos, oxalá melhore, época conturbada com muitos acontecimentos, tanto políticos, como na segurança, no trabalho, no comercio, na indústria, serviços, construção civil, etc., o cidadão brasileiro perplexo com tudo isso, fica a indagar quando chegaremos a um tempo de paz, prosperidade, segurança familiar, principalmente de nossos filhos. O tema deste artigo é voltado ao ambiente de trabalho, e suas perspectivas, conjugado com o mundo politico. Claro que toda nossa atividade, seja ela qual for, tem a influencia da politica. Digo isso porque? Ora, tudo que fazemos é regulamentado por regras e normas, que são, obviamente, produzidas e editadas por políticos. Isso está na nossa Carta Magna.

As consequências desastrosas de um mau gestor, a falta de consenso entre os nossos representantes no parlamento, obviamente por motivos ideológicos, principalmente no âmbito nacional, se vê a todo momento, desagua no campo da realidade que é o grande numero de desempregados em nosso país. Quem acompanha o noticiário diário e lê a mídia escrita, tem conhecimento do que estamos passando.  Para quem aprecia o assunto, este é um canal, podemos dizer assim, complementar de informações, de referencia e de esclarecimento. Os jornais e a mídia de modo geral, quem acompanha diuturnamente, repito, tem destacado, que na era das redes sociais, a polarização de opiniões tem gerado novos conflitos no ambiente de trabalho. Mas as polêmicas ideológicas devem influenciar suas decisões sobre a carreira? As preferencias ideológicas podem atrapalhar o seu desempenho no serviço?

Escritor e notário Carlos Magno

E o mais curioso é que esses fatos, também, estão acontecendo em outros países.  Li que uma pesquisa da Associação de Psicólogos Americanos com 927 profissionais, concluiu que o acirramento das divergências políticas afetou o ambiente de trabalho após a última eleição presidencial. Em janeiro, um dia após a posse do presidente americano Donald Trump, milhares de pessoas foram às ruas nos Estados Unidos protestar contra ele. O movimento era uma resposta às posições do governante, que, durante a campanha, deu declarações polêmicas, ameaçou cortar relações comerciais com potências globais e prometeu um endurecimento das regras contra a imigração, com a construção de um muro na fronteira com o México. O sentimento de divisão que se abateu sobre o país também afetou o mercado de trabalho, com profissionais se demitindo publicamente por discordar do posicionamento de sua companhia em relação ao novo governo. Só para exemplificar, Elizabeth Wood, estrategista de conteúdo sênior na gigante de tecnologia IBM, decidiu renunciar ao cargo após a presidente da empresa, Ginni Rornetty, escrever uma carta parabenizando o republicano pela vitória e se colocando à disposição dele. Outro a tomar o mesmo caminho foi o gerente de operações George Polisner, que largou o emprego na Oracle, famosa empresa de tecnologia e informática da Califórnia, depois que o CEO entrou para a equipe de transição de Trump. O clima de polarização ideológica também aumentou a hostilidade em divergências políticas e 25% admitem que passaram a evitar alguns colegas por causa de suas opiniões.

Ideologia, valores morais e preocupações sociais são assuntos levados a sério pelas empresas em tempos de redes sociais e de globalização da informação. Uma revista especializada, traz uma reportagem em que diz que “isso não se limita às questões políticas. Prova disso é que os empregadores – sobretudo as companhias que atuam em setores polêmicos, como químico, de fumo e de bebidas alcoólicas – têm dado especial atenção à forma como atraem e selecionam os candidatos para suas vagas. Vão procurar entender como o candidato pensa, e ai aumenta a probabilidade de uma contratação equivocada. A nova geração é crítica e antenada”, diz Rodrigo Vianna, diretor da consultoria de recrutamento Talenses, em São Paulo.

A diretora de RH da multinacional Bacardi no Brasil, Fernanda Leal, diz que “O ponto é a forma como o colaborador expressa sua ideologia. Aqui, ele tem espaço para debater ideias, desde que o faça de maneira respeitosa.” Na sua entrevista, a diretora de RH disse que “para facilitar o conhecimento mútuo entre candidato e empresa, durante o processo seletivo, os candidatos podem circular pelo escritório para absorver o clima e a cultura da companhia na prática. Deixamos todos à vontade para nos questionar e falamos com honestidade sobre os desafios que vão encontrar se optarem por trabalhar conosco“, diz Fernanda.

Do ponto de vista de quem estuda trabalhar numa companhia, é importante aproveitar essa abertura para mapear a organização, conhecer seus valores e identificar se existe afinidade com a cultura e o negócio. Caso as discordâncias superem pontos positivos, é melhor dizer “não” ao emprego.

Com relação ao setor público, se a ideia for contestar o sistema – um pensamento recorrente de quem decide ingressar no setor público, por exemplo – deve-se saber que isso não será fácil. “É preciso ter em mente que, para desafiar o status quo, é preciso antes galgar uma posição que lhe permita ser um agente de mudança dentro da instituição“, afirma Victor Ribeiro, especialista em concursos públicos, de Brasília. Além disso, os profissionais que pretendem seguir carreira pública devem estar cientes de que, apesar de servir à população e não a um partido ou outro, seu trabalho está sujeito à alternância de poder entre a esquerda e a direita. Cedo ou tarde, será preciso enfrentar trocas de gestão e de direcionamento de políticas públicas, o que pode gerar choques ideológicos. Embora o trabalho continue igual, há o risco de o servidor ficar apenas pela estabilidade e pelo salário, mas em conflito interno. “Chamamos isso de ‘algema de ouro’, quando a única motivação do servidor é a boa remuneração. Caso contrário, sairia para fazer algo em que realmente acredita“, diz Victor

Mas como tomar uma decisão sobre o que fazer diante de um conflito ideológico quando já está dentro da organização? Como identificar se o desconforto justifica a saída? Isso é uma questão de princípios. Num momento em que, em todo o mundo, se discute a intolerância à divergência de opiniões, potencializada pelas redes sociais, com uma consequente radicalização, vale a pena realizar uma análise mais profunda antes de fazer uma escolha. Para Luiz Fernando Garcia, psicólogo e autor de livros como O Cérebro da Alta Performance (Editora Gente), o primeiro passo é avaliar se permanecer no emprego significa fazer uma concessão ou violentar a si mesmo. Enquanto na primeira situação abre-se mão de algo no presente para ganhar no futuro, no segundo caso a desistência ocorre sem contrapartida, o que fatalmente levará o indivíduo ao auto-boicote. “É aceitável deixar um posto que cause mal-estar constante e vá totalmente contra o que se acredita. Mas a decisão não pode ser fruto de um melindre, pois uma demissão mal planejada pode trazer consequências significativas“, afirma.

É bom lembrar ainda que, muitas vezes, a diferença de posicionamento é circunstancial. A decisão sobre partir ou ficar também deve levar em conta se há alternativa ao emprego atual, como um plano de negócio próprio e uma reserva financeira para segurar as pontas no período sem trabalho fixo. “Se você tem um plano B, pode sair da empresa com elegância, rompendo o conflito interno“, afirma Eliana Dutra, coach e sócia da Pro-Fit Coaching & Treinamento, do Rio de Janeiro. Caso contrário, talvez seja vantajoso se manter no emprego por mais algum tempo para preparar uma transição. Só o autoconhecimento e o planejamento salvam o profissional de definhar dentro de um sistema que fere seus princípios.

Espero, com esse artigo, contribuir, de uma maneira ou outra, para o pretendente, de um emprego, – que tenha alguma ideologia politica – possa analisar e pensar sobre o seu futuro. Este assunto é muito interessante e vasto, pretendo voltar a discuti-lo.

Carlos Magno da Veiga Gonçalves – Notário

4 comentários sobre “Por Carlos Magno – QUESTÃO DE PRINCÍPIOS”

  1. Sua contribuição ao blog é salutar, meu amigo! Excelente artigo! Ao contrário de um que faz pose de “pensador” e só arrota baboseira.

  2. Novamente vem o Carlos com seu grau de conhecimento e pesquisa, a nos brindar com um artigo maravilhoso para quem ainda não pensou no assunto. Nos faz repensar como devemos nos posicionar politicamente no ambiente de serviço. Muito bom. Parabéns.

  3. Até um tempo atrás tinhamos o homem mais inteligente de Codo(Sr Murilo Salem), mas infelizmente veio a falecer. Mas graças a Deus agora temos o Carlos Magno. Parabéns

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