Por Francisco Paiva – Um jogo sem vencedor

Nos últimos meses as denúncias que ligam políticos a recebimento de recursos ilegais para fazer campanhas eleitorais se tornaram rotina. Um aspecto chama atenção de qualquer pessoa que acompanha a vida política do país: o ineditismo com que essas informações são apresentadas ao grande público.

Algumas matérias dão a entender que o financiamento privado de campanha nasceu por esses dias e outras que essas trocas de favores são coisas criadas e incentivadas pelo atual governo. No entanto, “o buraco é mais embaixo” e essas práticas não são nada novas, a novidade nesse caso é que algumas “caras estão sobre a mesa”.

Nessa trama fica visível a inadequação do financiamento privada de campanha. Essa lógica cria candidatos que não representam eleitores, não representam o interesse público, pois, estão comprometidos como seus financiadores, os verdadeiros donos dos mandatos. Uma pequena demonstração dessa situação foram os recursos recebidos por Dilma e Aécio na última campanha presidencial de empresas envolvidas criminosamente na operação Lava Jato, a Presidenta recebeu R$ 64 milhões e o Senador recebeu R$ 35 milhões.

Os financiadores ficam alheios aos resultados eleitorais, ou seja, quem ganhar eu ganho também, porque, todos estão comprometidos em manter as coisas como elas estão. Mantendo uma casta de empresas cada vez mais fortalecidas economicamente.

Contudo, o elemento mais danoso, nesse jogo macabro, é que a política perde sua força renovadora, transformadora e se torna somente um apêndice do poder econômico. Cria-se uma situação em que ocorrem trocas de governos, mas não ocorrem mudanças, redirecionamentos, novos rumos, a não ser em situações pontuais.

E a política se transforma em um balcão de negócios em que os interesses privados suprimem os interesses públicos, os financiadores cobrando a defesa de seus interesses, políticos sem legitimidade preocupados com as próximas eleições, situações que se repetem a cada dois anos, um filme em que muda os personagens, contudo, o roteiro continua o mesmo, não há novidade nesse castelo de horrores.É um jogo em que todos perdem, mesmo os que ganham.

Por Francisco Paiva

2 comentários sobre “Por Francisco Paiva – Um jogo sem vencedor”

  1. Como sempre Chico Paiva lucidamente, mostra a natureza escabrosa que permeia a vida política de nossa nação. Denuncia o jogo sujo praticado pelos corruptores: os empreiteiros. A nossa cultura está subordinada a esse processo nojento (o famoso financiamento legalizado) de tão naturalizado chega a ser doentio; entretanto, por sua quase imperceptibilidade, a sociedade civil ainda não consegue distinguir o hiato político antes e depois do governo PT. É a logica da peleja entre interesses antagonicos que resultou no escandalo da Lava Jato, aliás, à medida que se aprofundam as investigações o pássaro bicudo é revelado cúmplice da mesma pratica: corrupção ativa e passiva. Parabéns Chico mais uma observação atual sobre o caso Lava Jato.

  2. “Denuncia o jogo sujo praticado pelos corruptores: os empreiteiros”. E não denuncia o jogo sujo praticado pelos corruptos: os “ratos” petistas? “o pássaro bicudo é revelado cúmplice da mesma pratica: corrupção ativa e passiva”. Então admite a mesma prática ativa e passiva dos ratos vermelhos (ou seria ratos da estrela, ou ratos estrelares)?

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