Por Jacinto Junior – 2016: Que caminho seguir?

Publiquei, recentemente, um texto opinando a respeito da reeleição no Brasil e suas conseqüentes implicações nefastas sobre a estrutura política. Agora, apresento uma avaliação introdutória na perspectiva e articulação sobre sucessão municipal que, já é objeto de discussão nos bastidores entre as facções, correntes e tendências políticas local.

Professor Jacinto Junior
Professor Jacinto Junior

Inicialmente, pretendo esclarecer quem é quem no jogo a ser jogado, o que intencionam fazer, quais os interesses e suas representações políticas – candidatos prováveis a disputarem o sonhado cargo majoritário local -, os princípios táticos e estratégicos para alcançar o poder político.

Codó é uma cidade que incide experiências administrativas sob o comando de grupos pertencentes à elite dominante local (burguesia) e cujos resultados nem sempre foram positivos para a classe trabalhadora.

OS NOMES PROVÁVEIS PARA A DISPUTA EM 2016

O desenho que se esboça para 2016 tende para uma perspectiva mais conservadora do que moderada (apesar de termos um governo com características mais centristas, ideologicamente falando), no entanto, há correntes e facções muito fortes economicamente que estarão pleiteando a conquista do poder político local. Lembremo-nos de que algumas legendas partidárias já desencadearam os seus pré-candidatos precocemente e, neste sentido, desenvolvem atividades paralelas de ordem social visando uma aproximação com a população para angariar simpatia e desfazer uma imagem profundamente negativa e, dessa forma, reduzir significativamente a “grande muralha” que os separam da multidão renegada por suas origens dominantes.

Diante da atual conjuntura posso dizer que, a posteriori, as articulações se darão da seguinte forma (hipoteticamente):

  PT: Provavelmente, a falange vermelha apresente o nome de Zé Francisco, porém, não como candidato majoritário, apenas para negociar a vice, pois, esse partido perdeu o “bonde da história” e retrocedeu em seu projeto original, enquanto alternativa de mudança real. Seria a candidatura ideal para ser trabalhada com a possibilidade real de vencer, contudo, devido aos erros táticos e estratégicos que resultou na descaracterização gigantesca do partido a ponto de ser negada pela sociedade codoense. Além disso, a mídia colocou o PT como o pivô da corrupção neste país, com o processo da AP 470.

 PDT: O grande cacique Biné Figueiredo, está impedido de se candidatar por conta de Processos na Justiça, além disso, já não tem mais estrutura física para suportar mais uma campanha duplamente pesada. Ele tem duas cartas na manga: a primeira pode apresentar o seu neto Rodrigo Figueiredo ou, então, a segunda, o próprio filho Camilo Figueiredo que já é conhecido e carrega consigo cinco mandatos de deputado estadual. Qual o empecilho neste grupo? A própria trajetória do filho deputado não é suficiente para respaldá-lo como pré-candidato ao cargo máximo do município, pois, sua conduta como homem público sempre foi marcada por omissões, seja com relação às suas atribuições como parlamentar bem como articulista para designar recursos para sua cidade que o reelege sistematicamente. O neto, apesar de exercer cargo público ainda é muito inexperiente, por isso, não tem ainda as condições necessárias para se impor com envergadura essa disputa. Na verdade, esse grupo procurará uma possível aliança com a burguesia emergente ultradireitista (cito o megaempresário Francisco Carlos Oliveira que representa essa tendência política e que tem sido visto freqüentemente dialogando com o cacique da extrema direita conservadora Biné Figueiredo).

PCdoBCom a provável vitória de Flávio Dino ao governo do estado, a legenda comunista local certamente terá um grande desempenho tendo Pedro Belo como candidato majoritário. É um candidato que terá um partido unido em torno de seu nome e aí, haverá uma mudança imprevista no cenário político local. Pedro Belo já teve uma experiência eleitoral bastante positiva em 2010. Diante desse quadro de disputa entre candidatos fortes economicamente, ele conseguiu obter uma expressiva votação; tal votação o credencia para a disputa em 2016 e, a partir daí, terá a tranqüilidade necessária para estabelecer uma composição com o campo da esquerda considerada progressista e bem articulada.

 PVO atual prefeito Zito Rolim, tem um problema em suas mãos, de um lado, há três candidaturas que tencionam a disputa com seu apoio direto: Cláudio Paz, Chiquinho do SAAE e Max Tony. Essa disputa interna já está inclusive causando ciúmes. Mas, o prefeito tem tido muita habilidade para acalmar os ânimos exaltados e, obviamente, saberá conduzir a crise de modo que não haverá cisão em seu terreno político. Entre os nomes que estão se apresentando no grupo, o prefeito precisa apenas ter a certeza de qual o povo tem mais aceitação e, então, iniciar o processo de discussão para consolidar o nome e fazer as alianças necessárias e que for conveniente para uma possível vitoria e, assim, demonstrar mais uma vez, sua influência.

 PR/PP?: O nome cotado é o do filho do megaempresário Francisco Carlos Oliveira, Francisco Nagib – que, inclusive, já concorreu no pleito passado e sofreu uma humilhante e amarga derrota. O grande problema que o filho do megaempresário vai ter pela frente é o próprio fantasma do pai. Seu comportamento não é visto como bom e de bem, e, isso, se reflete no filho, pois, o eleitor pensará duas vezes em votar no filho para que o pai comande e gerencie a coisa pública e, espera-se que, sob seu comando transforme Codó numa Nova York.

 PMDB: O ex-prefeito Ricardo Archer não ficará alijado do processo eleitoral de 2016. Ele é muito comedido, não age por impulso, ao contrário, é profundamente, ardiloso. Não dá um “pulo de graça”. É experiente. Tem um trunfo chamado Ricardinho que recebeu uma votação bastante expressiva no último pleito de 2010, porém, é bom observarmos se este fato se repetirá agora em 2014! Caso ocorra, sem dúvida nenhuma, ele saberá conduzir uma aliança tática com grande chance de sair vitorioso do pleito de 2016. O lado positivo que Ricardinho tem a seu favor é o de ter assumido por um período o mandato de deputado federal e ter designado recursos para o município – recursos financeiros para reforma do HGM e a retroescavadeira – sem se importar com a figura do gestor. Tal fato e postura gerou uma aproximação entre o grupo de Ricardo Archer e Zito Rolim configurando posteriormente numa aliança forte e vencedora, e que será reproduzida agora, em 2014.

 P-SOlLocalmente é o partido que representa a Oposição no sentido literal da palavra. Basicamente é um partido com forte representação dos movimentos social e sindical. Já apresentou sua cara para a sociedade codoense com a candidatura do Profº. Celso Moreira. Apesar de ser um partido de esquerda fica evidente que o mesmo ainda não tem um programa mínimo para a cidade que faça o contraponto contra as elites conservadoras e moderadas. Fazer um discurso como Oposição não é apenas acusar e dizer que é diferente – como ocorreu durante o processo eleitoral de 2012. É fundamental mostrar-se como alternativa por intermédio de um Projeto político de esquerda esquadrinhado no papel e disseminado para a sociedade avaliá-lo e submetê-lo à sua aprovação. Está faltando isto ao partido para poder se credenciar e se viabilizar como um canal de mudança. Essa observação serve para que os seus principais dirigentes pensem na construção/elaboração de tal Projeto político com a participação ampla dos setores sociais descontentes.         

OBSERVAÇÕES INCONCLUSAS

O caminho a ser percorrido até 2016 certamente apontará para uma ampla cogitação das facções, tendências e correntes políticas na busca da unidade – diga-se de passagem, as alianças tático-eleitorais – ou, pelo menos, a possibilidade de se estabelecer um nível de diálogo e entendimento razoável entre os oponentes e seus desafetos.

Penso que, a ideia mágica a ser discutida entre os agentes políticos carreiristas e fisiologistas é renovar e revigorar o discurso que se caracteriza pela repetição infindável: tudo “pelo social” – parece uma caixa ressonante em que todos, indistintamente, reproduzem a mesma fala e o mesmo tom -, pois, ele perdeu em muito sua vitalidade e força; fora substituído pela constante acusação sorrateira e cobarde – entre os candidatos que se digladiam – gerando uma grande confusão na cabeça do cidadão menos atento sobre o processo político – que fique claro o seguinte: o método que a burguesia utiliza para se transformar no elemento benéfico é sempre o mesmo: a mentira ou, a acusação falsa e a sabotagem. Este procedimento é corriqueiro entre as facções, tendências e correntes políticas com o intuito de vencer a qualquer custo a disputa e, para isso, são capazes de tudo.

O ano de 2016 se avizinha e, com ele, a perspectiva de mudança ou de permanência do poder local. O resultado do processo eleitoral estadual, certamente, terá uma influência direta no processo de 2016 em nossa cidade. Por isso, os agrupamentos se mobilizarão com a finalidade de convencer o eleitorado codoense de que o candidato do governo Roseana Sarney é o melhor para Codó e, inversamente, ocorrerá, também, em relação ao agrupamento que trabalhará e defenderá a candidatura de Flávio Dino com a mesma nota política. O tempo é o melhor guardião de todos os atos e fatos. Nele é possível encontrar as marcas indeléveis que se transformarão em diferenças fundamentais para a sociedade local e regionalmente no campo político.

O fator mais importante a ser ponderado agora, é a sociedade civil buscar compreender sua força e a capacidade de promover as mudanças fazendo uma opção por um candidato ideal e, para isso, torna-se necessário que ela esteja atenta neste aspecto. O verdadeiro motor da mudança estrutural concentra-se nas mãos da classe trabalhadora. Só há efetiva mudança se a própria classe trabalhadora assim o quiser. O mito da campanha “milionária” – que tem como principal função envergonhar e intimidar os candidatos mais fracos economicamente – precisa ser derrubado e substituído pelo da possibilidade do compromisso da classe trabalhadora votar em representantes da mesma categoria e com uma proposta forjada na democracia participativa.

O método aplicado para esse processo é simples e radical: negar a recondução ao poder daqueles políticos comprovadamente corruptos e viciados.

O caldo cultural conservador construído inerva o mecanismo de participação e congela o ativismo político propriamente, sendo assim, a cidadania é rebaixada à condição de inferioridade e excluída. O que demanda maior importância nesse contexto é a presença do discurso pomposo das elites conservadoras e moderadas afirmando que o candidato ideal é aquele que possui nada mais nada menos quê o capital para tocar a campanha. Desmistificar esse discurso falacioso é a principal tarefa da esquerda e, para isso, é indispensável uma articulação ampla e democrática com os setores estratégicos da sociedade civil. Que venha 2016 e apareçam os pretensos candidatos e se posicionem para o debate e a disputa pela conquista do poder político local e realize seu projeto de governo para o bem ou, para o mal.

12 comentários sobre “Por Jacinto Junior – 2016: Que caminho seguir?”

  1. Caro Che Guevara de Shopping Center, se não for pedir muito, gostaria que você fizesse uma análise sobre tua passagem pela secretaria de Educação, que ao que consta, foi de uma ineficiência atroz. Tua única preocupação era receber o salário no fim do mês. Patético!

    1. Um verdadeiro homem não vive na sombra. Ele mostra sua cara e se identifica. Somente os covardes agem dessa forma e vivem tateando no escuro, como morcego que não conhece a luz que irradia. Pena que isso, não seja uma anedota.

  2. Caro Che Guevara de Shopping Center, para onde vais dessa vez? Me pareces perdido, atirando pra tudo quanto é lado…Agora que não tens mais o Sindicato dos Professores para usar como trampolim político e como barganha para negociar um cargo qualquer, vai ficar difícil conseguir uma “boquinha”. Se fores depender desses teus textículos para puxar os testículos dos poderosos da vez, estais rodado!

    1. O verdadeiro homem não se esconde e nem vive sob o manto da sombra. Ele se identifica e mostra sua cara, não vive como a um morcego tateando sob a intensa irradiação do Luz. Pena que isso não seja uma anedota “Caro Fantasma.”

  3. O verdadeiro homem não vive na sombra. Ele se identifica e mostra sua cara. Não vive como morcego tateando no escuro fugindo da luz que irradia. Pena que isso não seja uma anedota!

  4. SÓ UMA RESSALVA NA SUA ANÁLISE JACINTO JR.QUANDO VC COLOCA O PP AO LADO DO PR,NÃO É POR AI,O PP É UMA SIGLA INDEPENDENTE ONDE A DIREÇÃO ESTADUAL E MUNICIPAL NÃO COGITARAM E NEM TRATAMOS DE ELEIÇÃO MUNICIPAL.

    1. Caro Paulinho Baião peço desculpas por ter inserido a sigla do PP, em relação ao candidato supracitado. Confesso que fiquei na dúvida qual é o partido ao qual o pré-candidato está filiado atualmente, e, se você teve a oportunidade de ler o texto, poderá se certificar de que coloquei uma interrogação, dando a entender que de fato, não sabia qual o partido que ele está atualmente filiado. Repito: peço desculpas e tal fato não ocorrerá mais. Saudações!

  5. Quero saber da análise sobre tua passagem pela Seduc. Morcego é quem se locupleta do “sangue” dos codoenses. Vamos aos fatos! E tenho dito !

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