O conceito de crítica beira ao ridículo enquanto crítica acrítica ou, a crítica pela crítica. E foi isso que ocorreu na última sessão (12/06) na ‘Casa do Povo’. O edil “Chaguinha da Câmara” sentiu-se ofendido ao ser interpelado por um de seus pares referindo-se ao Projeto que havia sido aprovado – diga-se de passagem, com folga pela situação – indagando-lhe se o mesmo havia lido em sua totalidade (Projeto que trata da utilização do lixo residual, ou, o consórcio intermunicipal de aterro sanitário). Na prática, tudo que tem sido feito pela gestão “mais avanço, mais conquistas” tem um quê misterioso, oculto, nebuloso! E isso não pode ser questionado, absolutamente, pois, trata-se de uma benfeitoria oriunda da divindade franciscana e o que é divino não pode ser contestado, mas aceito de bom grado.

Na plenária encontravam-se uma parca presença da assistência e alguns profissionais da educação e, dentre eles, o professor Celso Moreira – líder sindical conhecido por suas firmes posições e um ferrenho crítico ao governo local e, também, à plêiade de pares descompromissados com a causa popular – que, num tom caricatural, enunciou a seguinte frase: “leu nada!”, comentando a fala do vereador Pedro Santos. Bastou essa lisonja para que o edil se reportasse ao autor da frase de forma insultadora, inclusive, chamando-o para um ‘telequete’ literalmente. Ainda bem que o mesmo decidiu não aparecer na fachada principal da ‘Casa do Povo’ para concretizar o ato impensado, pois, o professor o esperou por um bom tempo para ‘dialogarem’ sobre o ‘telequete’ bravio.
Vejamos o que esbravejou o edil dirigindo-se ao professor Celso:
(…) Eu quero dizer que não sou formado, certo, eu tenho só o ensino médio, mas tudo o que eu faço aqui eu procuro me planejar, eu tenho conhecimento de tudo isso aqui, graças a Deus. Tudo bem, você é um professor, eu lhe parabenizo, mas eu observo professor, que sempre que você vem aqui, vem criticar o legislativo codoense, enquanto eu tanto respeito pela sua pessoa, enquanto você é uma pessoa formada, tem curso superior, professor e vem pra cá criticar (Fala do vereador Chaguinha da Câmara, 12/06).
E o professor Celso Moreira rebateu seu argumento insustentável, dizendo:
Vereador você é representante do povo, portanto você deve sim ser criticado. Se você não aceitar críticas, é bom você deixar o seu cargo (Fala do professor Celso, 12/06).
Nitidamente, o nobre edil não consegue conter-se em sua deseducação e fulmina o seguinte teor riquíssimo:
Criticar é uma coisa, desrespeitar é outra rapaz. Tu vem pra cá é para desrespeitar o parlamento, tu tem que respeitar. Tu tem que dizer isso é lá fora pra mim, não é aqui não rapaz. Diz como homem rapaz, sou parlamentar mas tu tem que me respeitar cidadão (Fala do vereador, 12/06).
Sobre sua conduta ‘dialógica refinada’ deixa transparecer o lado da personalidade desequilibrada. Veja nas entrelinhas a frase que expressa sua extrovertida valentia “(…) Tu tem que dizer isso é lá fora pra mim, não aqui rapaz”. Com efeito, o nobre edil demonstra completo despreparo para o debate (ou melhor, para discutir num patamar elevado e com profundidade questões fundamentais) com qualquer cidadão(ã), visto que não aceita nenhuma crítica. Busca se firmar com o uso de sua investidura do cargo “(…) sou parlamentar mas tu tem que me respeitar cidadão”, como se tal fosse algo extraordinário e constituísse, efetivamente, uma posição intocável do ponto de vista social, político e ético. Esse discurso contraditório e deturpado não se alinha a quem, de fato, preza por valores morais e dignidade.
Como considerar válido um argumento que se contrapõe à ética e à moral, e que é substituído pela omissão e subalternidade? Não há possibilidade de se acreditar num arquétipo que se manifesta límpido, restaurado e transparente quando, na verdade, soçobra ante a força do capital?
A “Casa do Povo” vive, atualmente, no limite da ética e da moral questionável. O limite da decência e da dignidade do ente social se dissipa à medida em que ocorrem ações de natureza corrupta e corruptível! Vede, pois, o que está ocorrendo no país inteiro!
A letra constitucional (CF/88) garante ao indivíduo o direito social e a liberdade plena para manifestar seu pensamento e opinião, vedado o anonimato (Capítulo I, Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, incisos IV). Partindo desse principio, o professor Celso Moreira entende que é preciso estabelecer crítica ao parlamento municipal – por sua minúscula interdição na vida social -, sem, contudo, ultrapassar os liames legais. A crítica é o mais poderoso instrumental a serviço da sociedade civil organizada para sustentar suas inspirações e lutas por melhores condições de vida. Ninguém pode deixar de contribuir para o desenvolvimento social de uma dada realidade e/ou dada sociedade por ser ‘amigo’, ou, ainda, ‘amigo do amigo’ do representante do povo. Esse conceito é totalmente equivocado e desprovido da verdadeira sentença democrática de um povo que vela pela liberdade e pelo direito de criticar uma figura pública, seja em qual ordem e grau for (vereador, prefeito, secretários, deputado, governador, senador e presidente da república). Ninguém está imune de uma crítica, especialmente, a classe política cuja credibilidade encontra-se em rota de colisão com a democracia, a moral, a ética e a seriedade.
Ninguém pode se intimidar com a disposição de um parlamentar esbravejar que é representante do povo e por isso mesmo não pode ser criticado. Ora, a crítica é o mais contundente antidoto contra o silêncio e a omissão daqueles que deveriam ser os verdadeiros representantes do povo – no sentido lato da frase –, e não ao contrário.
Diante dos fatos ocorridos, não pude constatar nenhum ‘desrespeito’ para com o nobre edil em questão. É público e notório que a bancada governista é um símbolo marcante da subalternidade e do simulacro. Não há identificação especifica de cada edil, ao contrário, todos, sem exceção, despendem energias para notificar os empreendimentos do governo ‘mais avanço, mais conquistas’. Seria interessante que os pares governistas se manifestassem pela defesa da educação, por sua qualidade, dando integral apoio à luta dos professores no caso dos precatórios.
Nenhuma sociedade cresceu, desenvolveu-se e se solidificou sem a presença da crítica como instrumental mediador das circunstâncias históricas transformadoras. Não há perspectivas possíveis que projete o futuro de uma sociedade se não existir o dissenso construtivo e progressista. Portanto, a crítica é a mais valiosa arma para combater a inércia, o atraso, o comodismo nefando e a paralisia parlamentar.
Solidarizo-me ao professor Celso Moreira por sua postura e por sua coerência enquanto liderança social, não deve recuar de sua luta em prol daqueles que merecem respeito e valorização.


Boa reflexão jacinto, parabéns
Lá o cara metido a com um blá blá bá de sempre
cuamtta idiotissi
Muito bem cara amigo………………….