A política tem suas diabruras. E não as tão propaladas dinâmicas e articulações providas de elementos democráticos sustentadas numa ideia pujante e/ou projeto verdadeiramente democrático e de transformação social.

Desde quando garoto, ouço essa baboseira discursiva sendo defendida pelas pseudolíderanças partidárias e agentes políticos de que a política é um processo “dinâmico” marcado indelevelmente pela capacidade de estabelecer uma união improvável entre oponentes irreconciliáveis. E, mais uma vez, constato essa cultura miserável sendo reproduzida de maneira descarada e de forma vergonhosa. Posso citar apenas um exemplo para não perder muito tempo, sobre essa questão, mas que merece uma avaliação mais acurada.
Recentemente, li um post publicado pelo blog do Acelio Trindade com um fato extremamente inusitado, aliás, mais do que inusitado… Simplesmente cômico do ponto de vista da seriedade. O post retrata bem o ponto de vista por mim levantado.
Acelio Trindade subdividiu aquele momento ‘glamoroso’ em duas partes: na primeira com o seguinte título: “Deputado Camilo detona candidato de Zito e se defende de acusação de ‘não trabalho’” (16/08/14). E, a segunda parte, sua chamada é: “Biné oficializa que votará em Flávio Dino por causa de ‘traição’ da família Lobão” (18/08/14) note que, os fatos são de um mesmo momento político. Não pretendo aqui desenvolver uma crítica sobre o argumento apresentado, mas apenas o posicionamento circunstancial desse velho político reacionário e devedor da Justiça. Contudo, evidenciarei apenas o caráter da questão em pauta: o dinamismo político.
Ora, em que medida a política assume sua característica dinâmica? E por que é tão louvável ao agente político fazer proselitismo com tal dinâmica? Com base nessas duas interrogações passo a fazer minha crítica.
O primeiro ponto determina o nível degradante do oportunismo declarado por aqueles que estão envolvidos no processo político. A movimentação política sim tem tendências e características bem definidas e é nesse espectro que o dito líder se manifesta conforme a conjuntura originada pelo povo e não pelo político. Isto condiciona ao chamado líder ou que se propõe a tal ganhar simpatia com sua manifestação verificada pela tendência popular ao pontuar sua opção.
Segundo ponto descreve a verdadeira essência daquilo que é classificado pela ciência sociológica como processo ‘dinâmico’: as alianças pontuais. Tais alianças ocorrem de forma deturpada e confusa. Vejamos alguns elementos que servirão como alicerces para contrapor-se às famosas ações ‘dinâmicas’ materializadas pelos agentes políticos num determinado pleito eleitoral.
A ideia primária concebida pelos membros partidários sobre a dinamização política se notifica quando os mesmos se submetem aos caprichos da elite. A dinamização política só tem sentido lógico quando ela se converte em interesse da elite, jamais essa dinamização poderá ocorrer de forma inversa, ou seja, em que a construção e consolidação de um líder político economicamente inferior aos da elite esteja em condições de obter uma arrebatadora vitoria sobre a própria elite. Aqui, na verdade, temos uma clássica definição antagônica de interesses opostos classistas. A elite jamais conviverá com a ideia de subalternidade a um líder popular e que não seja pertencente à sua classe social (burguesia).
Vejamos o que ocorrera com a decisão tomada pelo velho reacionário e devedor da
Justiça Biné Figueiredo ao decidir apoiar Flávio Dino. Esse gesto caracteriza um oportunismo sem igual. Uma observação marginal: naquela reunião do dia 16/08/14, esteve presente o candidato a vice-governador: Carlos Brandão (PSDB). Esse nome não me é estranho. Há, lembro-me agora, é o mesmo candidato trazido pelo Biné na última eleição que, inclusive, fizera dobradinha com o deputado Camilo Figueiredo e que recebera em torno de 10 mil votos não é isso?!
Explicando melhor: naquela oportunidade Biné ainda era o mandatário da cidade e para mostrar toda sua força política, apostou num nome desconhecido – estrangeiro – para reafirmar sua posição como cacique influente na política local. Aí verificamos o ato dinâmico da política conforme o interesse da elite. O candidato foi eleito e nunca mais apareceu em nossa cidade. Quem foi o responsável direto pela sua eleição?
O ponto nevrálgico da concepção de política ‘dinâmica’ é, para a elite, a submissão dos demais agentes políticos – representantes de partidos, tendências e correntes políticas, sejam elas, de esquerda, centro esquerda, direita, de centro, de extrema direita e conservadora – em torno de seu ideal político de dominação. Uma demonstração disso verificou-se no ato de Biné fazendo sua declaração de apoio a Flávio Dino (PCdoB).
Como se o próprio Biné estivesse afirmando a seguinte confissão para o povo: eu estou apoiando Flávio Dino e quero que Codó o apóie também. Ora, nesse ato oportunista há um elemento importante que o impulsionou a declarar tal apoio ao Flávio Dino: as pesquisas eleitorais. Ela sim tem sido determinante para gerar uma debandada dos profissionais da política de ‘última hora’ a se enveredar para o candidato da Oposição ao Califa das Arábias do MA (Família Sarney), esse famigerado império fantasmagórico.
A sociedade precisa compreender um hiato que separa a justificativa plausível e coerente da justificativa oportunista. Eis que, o ato de Biné se constitui numa justificativa oportunista. Se, de um lado, observarmos a entrelinha da fala do velho reacionário encontraremos uma espécie de vingança por não ter sido atendido em seu pedido de ‘socorro’ devido os processos que tramitam nas barras da Justiça. Não importa se, no passado, ele contribuiu para eleger a figura de agentes políticos que hoje não se importa com ele. E, por represália, decidiu apoiar o candidato da Oposição aos seus antigos aliados. Ele próprio declara sutilmente que, se houvesse uma contrapartida por parte da Família Lobão estaria solidário à campanha do Lobinho 30.
Por isso, o processo ‘político é dinâmico’ – sob o olhar das elites – com essas circunstâncias abjetas. Não foi um apoio apostando no projeto do candidato da esquerda do maranhão, mas, meramente, um ato simplório e oportunista para marcar posição e tentar tirar proveito como liderança infalível. E, caso Flávio tenha uma votação expressiva dirá ele que foi por conta de seu ‘indispensável apoio’.
Por fim, vejo que é necessária uma reformulação conceitual desse paradigma político conservador. Quem elege o político é o povo e não o líder. O líder político tem que apresentar-se ao povo como candidato sem mácula – ficha limpa – e com propostas sérias. Sua biografia é o principal passaporte para governar um município, um estado e/ou um país.
A heterogeneidade política é a principal característica para a contaminação de um processo que se articula para uma perspectiva diferente. A heterogeneidade política não convém para o engrandecimento da democracia, na verdade, ela origina uma contradição prejudicial ao bom desenvolvimento das ações e políticas sociais.
4 Responses
Assim como tem “diabruras” tua passagem pela secretaria de Educação.
Cara sempre critiquei seus comentários de forma áspera, mas dessa vez concordo em todos os pontos e com uma ressalva: a politicagem de conveniência esta rolando solta em Cuduó nesses dias profanos.
Tem uma turma que antes de iniciar o pleito era amiga, agora cada membro tomou um rumo diferente. Se cada um fosse uma parte do corpo, o mesmo estaria todo esquartejado agora, pois cada pedaço seguiria para um caminho desconhecido. O lado oposto a tudo isso, são as alianças que foram costuradas na calada da noite e ao custo de bebidas importadas e caras e que hoje se declaram amigos de infância.
Creio que a sociedade codoense em sua maioria deve ter percebido o quanto a politica esta loteada de “prostituas”( as profissionais de verdades são sérias), e que não vão fazer o minimo esforço pra diminuir as mazelas desse povo sofrido que empunha bandeira o dia todo ao custo de “dez real”, sem direito a nenhum filtro solar decente.
Politico que não faz nada tem de sentir na pele o desprezo do povo. Por que ele não anda em áreas mais “esclarecidas” de Codó? Por que poucos compareceram aos debates entre estudantes da UFMA como aconteceu no ultimo pleito?
Politico ama o “povo” menos esclarecido, menos conhecedor dos seus direitos. Politico “ama” pobre não é porque ele tem pena da situação dele não, e sim porque ali naquela situação, ele vai ter como explorar por um bom tempo uma mão-de-obra barata.
CANSEI DE FALAR DESSES CARAS, ELES ME DÃO NOJO, TODOS ELES!
Jacinto, meu “amigo”, como você gosta de escrever textos longos e, por vezes, obscuros, prepara um sobre a tua passagem pela secretaria de educação. Passagem que, sem dúvida nenhuma, foi tortuosa e infrutífera.
Este Jacinto só quer ser intelectual!!!!!……………