Por Jacinto JÚNIOR – Arlindo Salazar: um parlamentar diferente?

Antes de adentrar no epicentro da questão que envolve a chegada à Casa Legislativa de Arlindo Salazar (PCdoB), é necessária uma recapitulação dos acontecimentos anteriores para, em seguida, fixar-me estritamente ao assunto principal.

O “garoto virtual” começa a jogar no tabuleiro político com o intuito de se fortalecer para o embate eleitoral em 2020. As últimas pesquisas eleitorais demonstram uma rejeição popular histórica de 80%, fato inédito, e diria mais, irreversível politicamente. Diante dessa realidade inquestionável ele tenta se soerguer. Vejamos alguns pontos cruciais dessa articulação política:

  1. Sua jogada tem início com a pretensão de fazer aprovar a todo custo o Projeto de Lei que pede autorização ao Legislativo para fazer empréstimos a instituições financeiras na ordem de até R$ 30.000.000 (trinta milhões de reais) para investir na infraestrutura e saneamento básico do município – sobre esta questão fiz um artigo mostrando as dificuldades que causariam à cidade caso tal projeto seja aprovado;

  1. Logo em seguida, tenta fortalecer-se politicamente buscando resgatar antigos e novos aliados. E nesse pacote estratégico, resgata a família do Sr. Gigi – pai do ex-vereador e ex-presidente da Casa do Povo Argemiro Filho e seu irmão Zé Adilson – que, por sua vez, já disputou duas vezes uma cadeira no Legislativo -, segundo informações que nos chegaram, inclusive houve até mesmo uma grande festa na propriedade dos irmãos para comemorar o reatamento político;

  1. Anuncia um conjunto de obras (chamado pacote) com a presença de ilustres personalidades políticas do cenário nacional e estadual – em que o PCdoB foi agraciado com um acordão – em que o atual vereador “Chaguinha da Câmara” será deslocado para a Secretaria de Esportes e Lazer; como o 1º Suplente da Coligação é o Arlindo Salazar (PCdoB), assumirá a cadeira pertence ao Partido.

Ainda há, certamente, outras manobras políticas a serem articuladas para desestabilizar o pré-candidato Zé Francisco – que aparece na preferencia do eleitorado nas pesquisas realizadas pelos principais caciques políticos.

Professor Jacinto Júnior

A via crucis política do “garoto virtual” para se livrar da rejeição popular e reabilitar-se lhe custará muito caro – no sentido literal do embate político forjado pelas circunstâncias históricas.

Agora, sobre a integração de Arlindo Salazar à Casa do Povo preciso fazer algumas considerações com o objetivo de esclarecer a sua (possível) atuação na Casa Legislativa.

Não tenho a intenção de agredir ninguém com essa reflexão, mas apenas tentar delinear a possível articulação que resultou com a integração de Arlindo Salazar (PCdoB) à Casa Legislativa. A ideia motriz é desenvolver um quadro crítico sobre a própria conduta do novo vereador. Conheço Arlindo Salazar há mais de uma década e meia. Ouso afirmar que tenho afinidade com sua militância política e sua concepção filosófica – que, em última análise, o coloca numa perspectiva do campo progressista, e assim, esperamos que se porte. Sua atuação deverá ser pautada pela ética e com independência, sobretudo, defendendo as demandas populares mais imediatas.

E é a partir dessa mobilização onde o novo cenário político construído na Casa do Povo poderá assumir novas proporções com a participação do novo parlamentar, pelo menos é o que a comunidade espera, dado à sua conduta histórica de militante coeso e de princípios. Sempre esteve defendendo a luta social e popular. Surge uma oportunidade ímpar para que desenvolva plenamente suas ideias e tente imprimir uma fase transformadora no que é fundamental: transparência e comprometimento com a causa popular.

Sempre tive uma reserva crítico-moral ao atual parlamento – devido sua subalternidade e cumplicidade para com o Executivo. A comunidade espera que o novo parlamentar não enverede pela mesma trajetória que a maioria absoluta dos edis hoje percorre de forma equivocada e desnecessariamente.

A luta para alçar lugar ao “sol” não é, nem de longe, uma facilidade, portanto, quando a oportunidade surgir deve ser aproveitada ao máximo, com produtividade e empenho, para que o reconhecimento popular seja imediatamente identificado estabelecendo assim a empatia política.

Quero acreditar que o novo parlamentar faça um trabalho que orgulhe a comunidade e que, a mesma, o veja diferentemente como veem os demais: sem credibilidade. Inverter essa lógica deve ser o principal motivo que o levou à Casa Legislativa.

Por fim, expresso meus sinceros parabéns ao novo parlamentar!

Procure ser imparcial, ético e independente. A comunidade local estará acompanhando suas atividades e seu posicionamento. Não descuide de seus princípios, pois, vale “mais um pássaro preso, do que dois voando”!

6 comentários sobre “Por Jacinto JÚNIOR – Arlindo Salazar: um parlamentar diferente?”

  1. Meu caro e nobre eloquente pensador codoense; em outros tempos tivemos grandes embates sobre idéias e assuntos dos mais variados temas onde de maneira alternativa e também embasado em fatos sempre questionei vossa senhoria diante da exposição de seus comentários e ideias neste blog.
    Mas infelizmente, desta vez, tenho de concordar em todos os aspectos de sua sucinta observação, excelente pesquisa histórica, grande acidez nos comentários.
    Desta vez você me surpreendeu!
    Mostrou de forma clara como é, e como ficará o jogo político local a partir dos acordos celebrados na surdina, na calada da noite com os mais escusos interesses.
    Codó véi que se cuide!!!

  2. Pode até ser que tenha alguma exceção, mas o que se tem visto é que nenhum entra pra política pensando no povo, é só o próprio bolso, os parentes e uns puxa sacos enquanto estão sendo úteis. Quer apostar quanto como ……… mais um?
    É uma grande jogada para continuar. Tá pensando o quê, dinheiro público sem suar, todos eles querem. Já viu algum desistir do mandato por conta da baixaria e da malandragem que existe lá? Nunca.

  3. Quero discordar em um ponto do ilustre autor deste post! Levando em consideração que o nobre escritor tem o mesmo viés ideológico do agora vereador Arlindo Salazar, não é de estranhar essa de “dar uma no cravo e outra na ferradura”, ou o ilustre escritor acha que o agora vereador Arlindo Salazar, antes suplente de vereador, será vereador para ter autonomia no parlamento municipal, se tornando independente e imparcial? Eu tinha o nobre escritor por mais inteligente, ou, como dito na matéria são “companheiros” de longa data, e o ilustre escritor está querendo “tapar o sol com uma peneira”. Não meu nobre escritor, não haverá “independência nenhuma”, não posso julgar o caráter do vereador Arlindo Salazar, mas essa de der independente e imparcial não cola de maneira nenhuma, a não ser na mente dos “incautos e desinformados”, o que houve foi um “acordo prévio” , e o nobre ex-secretário de educação sabe muito bem disso, já votei no agora vereador Arlindo Salazar, porque cheguei a acreditar em suas propostas, mas o tempo nos mostra tudo, mostra até o que algumas pessoas teimam em esconder. Abraços meu nobre escritor, continue escrevendo seus posts, mas lembre-se, existe vida inteligente do lado de cá. Adiós y suerte.

  4. É preciso lembrar mais uma vez que o Vereador tem duas funções específicas e importantes: LEGISLAR E FISCALIZAR. LEGISLAR sempre olhando o bem estar da população. Quem os colocou nesta função bem paga foi a população. FISCALIZAR todas as ações do Poder Executivo. Não se justifica a frase: Vereadores da base do Governo. O que acontece fora destas duas ações vai totalmente ao contrário do que deveria acontecer. Vamos dar um exemplo claro: recentemente o Prefeito fez um acordo por debaixo dos panos com relação a área do antigo Aeroporto que é de propriedade do Município. O Município saiu perdendo nesta brincadeira. A Câmara aprovou este acordo? Ou estão aprovando as coisas sem um exame mais profundo da matéria. Por estas e outras é que não pretendo repetir o meu voto dado em 2016. Entenderam?

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