Por Jacinto Junior – Combater uma ilusão política é necessário para libertar Codó

Nossa cidade tem sido palco de uma intensa batalha entre os representantes da classe burguesa na perseguição ao comando político central: o Paço Municipal.

Após conquistar o Paço Municipal – aqui, cabe um esclarecimento sobre os efeitos negativos que recaem sobre os ombros da sociedade civil organizada que, automaticamente, é posta ‘debaixo do tapete’ e solenemente torna-se um elemento invisível ante o olhar do novo gestor – seja ele qual for -, pois, sempre é um membro da seleta burguesia; e, isto, traduz de forma sistêmica o padrão cultural que permeia a vida do povo social e politicamente; ou seja, apesar de haver uma alternância no poder de uma figura para outra, o ponto central de todo esse processo político permanece inalterado: as péssimas das condições de vida do povo – o discurso de cunho desenvolvimentista perde força e é substituído por um deplorável engessamento social, onde nada funciona, é visível o papel da tecnoburocracia para realizar uma ação que venha beneficiar a comunidade quando o critério é res pública. E é inacreditável como os fidalgos exercem o poder administrativo em plena alvorada do século 21! É de nos causar náuseas! Suas enfadonhas e repetitivas falas nos horrorizam em se tratando de mudanças! Simplesmente, são hipócritas e altamente insensíveis! Não são populares, não têm o cheiro do povo e, por isso, detestáveis!

Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

Diante dessa frontal realidade sócio-histórico-político-cultural questionamos:

  • Até quando o cidadão comum codoense suportará, passivamente, esse método ultrajante e profundamente excludente?
  • Será que, em algum momento de nossa história, ocorrerá um ‘levante’ popular real, verdadeiro e independente que construa novos caminhos distantes do das elites seletivas que, comprovadamente, não são voltados para a comunidade?
  • Por que as políticas públicas são tão difíceis de serem implementadas já que em sua maioria são políticas elaboradas pelo governo federal e o gestor municipal tem só que executar?
  • Por que o gestor público – aquele cidadão – eleito pela comunidade sempre contraria sua vontade, como é o caso das contas públicas? Por que há tanta resistência por parte do gestor em tornar transparente essas informações?
  • Por que a Alimentação Escolar não é oferecida conforme demanda sua legislação especifica? Atualmente, é de péssima qualidade!
  • Por que o gestor não investe na infraestrutura das escolas para, assim, dinamizar o processo ensino-aprendizagem – investir na educação não é apenas reformar a escola com pintura nova, climatizar uma ou duas escolas e etc., o ponto elementar é tornar eficiente o ensino e, para isso, é imprescindível a valorização do Magistério Público – na aquisição de suplementos de informática, na construção e conservação de quadras poliesportivas, bem como construir bibliotecas e laboratórios para desenvolver o pensamento crítico e científico do educando?

O poder político é a síntese de um processo significante que deve revolucionar a cultura, o modo de operar a gestão pública e, sobretudo, transformar o retrógado cotidiano histórico num novo ciclo de desenvolvimento social amparando o maior símbolo da cidade: o povo.

Quando evoco a necessidade de se trazer as bandeiras de luta transformadora o faço com a convicção de incutir na mente de cada cidadão a tentativa de restituir sua inquietação e seu inconformismo, para enquadrá-lo no conceito máximo de cidadania. Uma sociedade pode ser uma vez enganada, porém, jamais se permitirá a reprodução desse engodo, seria uma facada em si mesma, pondo-a em desvantagem em relação ao principal oponente: o gestor público tornado seu inimigo comum.

Ora, a sociedade civil organizada carece de forma permanente de um alimento que a fortaleça, e nessa linha de raciocínio, os representantes da classe burguesa conhecem essa necessidade – a esperança de dias melhores com um novo membro da elite conduzindo o poder político – e é ai que ela constrói seus discursos em conformidade com essas necessidades identificadas. E que necessidades são essas? Basicamente, a perspectiva de dias melhores, porém, isso, na realidade acaba se tornando um pesadelo para a própria coletividade, devido às mentiras disseminadas pelos representantes da classe burguesa quando se apropriam do Paço Municipal, negando-lhes todas as possibilidades de crescimento – educacional, intelectual, moral, ético e econômico – enquanto construtores de uma pseudocidadania.

Quando olhamos para a atual conjuntura político-social nos deparamos com essa estratégia desfigurante. Temos uma gestão enquadrada na concepção de um discurso pautado na convergência de um governante competente e absolutamente novo! E o resultado é que nossa cidade está sofrendo, está acoelhada, humilhada e oprimida! A novidade tornou-se obstáculo, o desenvolvimento emperrou-se nas entranhas da leviandade e a qualidade de vida do cidadão(ã) espatifou-se no chão encharcado de lodo!!

O discurso da novidade perdeu seu conteúdo e seu brilho quando o ‘novo’ governante se deparou com a estrutura de poder e percebeu que o espírito da res pública em nada se compara com o inveterado espírito boêmio do espectro privado. Há, logicamente, uma distinção, uma contradição na forma/maneira de se administrar uma e outra. E isto tem causado sistematicamente o atraso, a pauperização social e produzido uma insatisfação popular indesejada sobre o modelo político conjugado aos interesses da burguesia.

A venda da doce ilusão política para a sociedade civil de que o jovem competente empreendedor e ‘novo político’ seria uma troça renovada, hoje, entretanto, ela reconhece o grave erro que cometera, tem consciência social e politica de que não vai repeti-lo; por mais que se esforce o ‘jovem competente’ empreendedor, o ‘novo político’, de que fará uma futura gestão essencialmente desenvolvimentista; uma cidade para os codoenses não haverá credibilidade popular para sustentar seu discurso eivado de engodo.

Codó precisa pensar numa lógica diferente. O centro gravitacional dessa lógica política distintiva seria uma tática que marcasse profundamente o afastamento do povo sobre a influência do discurso pomposo dos representantes da classe burguesa de que os mesmos são os verdadeiros ‘oráculos’ a decifrar (desmistificar) os mistérios da pobreza, da miséria social e o desemprego; quando na realidade, são esses mesmos atores políticos que engendraram historicamente e continuam engendrando a fabulosa miséria social, a indizível fome e a pobreza marginal. O povo precisa pôr abaixo sua indignação, condição essa fundamental para restituir sua cidadania e, paralelamente, enxotar esses representantes da classe burguesa de sua vida e recomeçando seu sonho apostando alto em outros atores políticos desvinculados da classe burguesa. O discurso da ilusão política vendido à sociedade civil organizada como a grande alternativa para a retomada do crescimento de Codó virou pó, e todos nós estamos vendo!

2 comentários sobre “Por Jacinto Junior – Combater uma ilusão política é necessário para libertar Codó”

  1. Texto rico em descrever o brasil, não somente a cidade de codo. Infelizmente vivemos uma época de completa ignorância e estupidez para enter o óbivio.
    Obrigado professor

  2. Fora a narrativa marxista que o autor deixa transparecer, o texto é profundamente verdadeiro quando enfatiza a necessidade de o município passar a investir na construção, climatização e estruturação das escolas ao invés de promover o investimento em apenas lazer (praças para show etc). No fim, tudo se resume na política romana do pão e circo. Numa cidade como Codó, onde a população é conscientemente analfabeta funcional, a única alternativa que aparece aos nossos jovens é a vida boêmia, sem objetivos educacionais proeminentes. Assim, enchem-se os bares ao mesmo tempo em que cresce a pobreza. O que a gente precisa é de uma cultura onde a educação está em primeiro lugar, e essa responsabilidade não é só do Estado, mas começa na tenra idade com os pais.

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