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segunda-feira, 17 de agosto de 2026
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Por Jacinto Júnior – O DELÍRIO DE UM GENERAL

“Vamos com calma, porque o andor é de barro”.

Inacreditável ler um texto escrito pelo generalíssimo Gilberto Pimentel que, atualmente, preside o Clube dos Militares – arvorando-se o verdadeiro ‘homo sapiens’ analisando a conjuntura histórico-política ao mesmo tempo, solicitando o apoio em massa da caserna verde-oliva para defender o psicopata que ele denomina como “Chefe de Estado”, dos terrivelmente poderosos “ditadores” da Suprema Corte.

Jacinto Júnior

O generalíssimo Gilberto Pimentel, nesta ‘empobrecida carta’ – pois, o seu teor é profundamente contraditório e, às vezes até risível, por conta de sua extemporaneidade – omite, propositadamente, a essência dos fatos históricos horrendos cometidos pelo ‘glorioso Regime Militar Democrático’ – nesta ‘gloriosa’ frase de efeito ideológico, manifesta-se a primeira contradição no quesito ‘verdade histórica’ sobre o famigerado período obscuro de nossa recente história política.

O termo ‘Democrático’ com a inicial maiúscula, não se aplica a nenhum regime de natureza opressora, em que o principal elemento constitucional outorga ao sujeito histórico – o indivíduo – a garantia da liberdade de pensamento e opinião como direito inalienável; ora, isso, jamais fora permitido enquanto perdurou a dominação pela ‘força’ e pela ‘ilegalidade’ desse regime ditatorial. Portanto, o generalíssimo, usa da má-fé com o fito de angariar simpatia não apenas dos membros da caserna verde-oliva, bem como os simpatizantes do retardado “Chefe de Estado” – um pormenor: não é preciso colocar a letra inicial maiúscula no termo ‘nação’ com a finalidade de expressar um país soberano e que merece respeito, especialmente, quando há um risco iminente de se articular um contragolpe na jovem democracia brasileira sob o pretexto da “ameaça comunista”.

O generalíssimo Gilberto Pimentel evoca circunstanciais referentes à dramática realidade socioeconômica em que se encontra nosso país – a crise sistêmica do capital que retorna em um curto espaço de tempo após o lamentável golpe que depôs uma presidente legitimamente eleita – e, agora, fazem uma descrição como se o país não estivesse sob o comando do cínico “Chefe de Estado” e, assim, tenta jogar a culpa e/ou a responsabilidade de tal crise aos membros da Suprema Corte, afirmando ainda que os mesmos impedem o livre exercício do “Chefe de Estado”. Veja o que afirma o generalíssimo: Entre tantas preocupações e anseios que a Sociedade necessita nesses tempos difíceis e sombrios que passamos, ainda existem aqueles que insistem em nos provocar e nos intimidar pelas Vias Radicais Ditatoriais.

E, não satisfeito com a ideia de insinuar a transgressão dos representantes do Poder Judiciário sobre a Sociedade e, também, sobre o “Chefe de Estado”, utilizando-se de métodos “Radicais e Ditatoriais”, sublinha enfaticamente: Esse Tribunal que se diz ser Supremo, afronta a Nação de uma forma irresponsável, podando e talhando os Direitos Constitucionais adquiridos na constituição de 1988. Observemos a estrutura frasal emitida pelo generalíssimo, quando tenta ironizar o papel dos representantes do Poder Judiciário, esboçando uma opinião fora de contexto, pois, a existência deste Poder consta da Carta Magna. O Poder Judiciário é um ente legal, não surgiu do acaso, por vontade de um indivíduo como quer parecer o citado autor da carta frenética – para refrescar a memória do inoxidável generalíssimo, peço que visite o Capítulo III – Do Poder Judiciário, Seção 1 – Disposições Gerais -, note que há um capitulo especificamente tratando do assunto! Por isso não se pode denegar sua existência e, mais ainda, há um procedimento para a formação das Turmas e, inclusive, o Presidente tem o poder de indicação. Agora, o “Chefe de Estado” quando fora outorgado o direito de conduzir nosso país, através de um processo democrático e legítimo, ele já encontrou uma Turma constituída e, diga-se de passagem, que o mesmo já fizera duas indicações para esse mesmo Supremo Poder, ou esse fato não é verdadeiro? O que não pode é querer literalmente expulsar os membros que trabalham com isenção e autonomia, para agradar os “olhos azuis” do “Chefe de Estado”. O generalíssimo confunde o uso da letra “c” para designar sua importância no contexto.

Na verdade, ele inverte a lógica estrutural e, ao mesmo tempo, “constituição de 1988”; quando escreve “Direitos constitucionais adquiridos na constituição de 1988”. Na verdade, ele deveria ter escrito da seguinte maneira: “direitos adquiridos na Constituição de 1988”.

O generalíssimo engrossa o tom quando consegue enxergar que o período mais obscuro de nossa história política ocorreu sob a chancela do famigerado regime ditatorial e que teve uma existência de 21 anos promovendo verdadeira barbárie contra os filhos deste sagrado solo. Ele argumenta: E há aqueles que dizem que: “os 21 anos de Ouro foram trevas e repressores”. Esse período jamais será apagado da nossa História, muito menos da memória de quem fora vítima de suas investidas violentas e maleficamente e, por mais que tentem “forçar a barra” contando “história da carochinha” como se esse período tivesse sido o mais importante de nossa história e que, o combate desencadeado por forças ocultas contra os terríveis comunistas fora realizado com honra e patriotismo e, por consequência, o país se livrou desses sórdidos agitadores.

O generalíssimo Gilberto Pimentel ainda que de forma superficial, articula uma análise sobre o caráter e a natureza da democracia. Sua medíocre visão militarista não permite enxergar a essência da democracia sendo usufruída por todos os cidadãos/ãs plenamente – isto, obviamente, contrapõe-se ao conceito deturpado de democracia na perspectiva militarista -; para ele, atualmente, não existe democracia em nosso país, apenas a interferência de um único homem que se “acha um Deus Supremo”, afirma: mas então eu coloco a seguinte pergunta: “O que estamos vivendo agora”? “DEMOCRACIA”?

Há uma singularidade cultural no interior das FFAA: o xingamento. Digo isso, porque servi ao Exército e testemunhei diversas vezes, nossos instrutores nos agredirem verbal e moralmente. O exemplo manifesto se vê nessa carta escrita pelo generalíssimo quando diz: “Querendo amordaça-los com suas focinheiras escrotas de autoritarismo barato”; chamando os membros do Poder Judiciário de ‘porcos’ e de ‘testículos’ de natureza abusiva de ínfimo ‘valor’.

Zeloso como nenhum outro patriota, em sua empáfia retumbante, aclama por atitudes caracterizadas por um nativismo impressionante, aduzindo: “alguém terá que parar esses inescrupulosos homens deuses. Nós juramos defender a Pátria!” observe que, o alvo são os membros do Supremo! E acrescenta que, o Brasil precisa urgentemente ser protegido das estranhas forças que estão circundando o Poder Central para derrocar o intocável “Chefe de Estado”; além de reforçar a tese do papel desempenhado pelas Forças Armadas. Baixe a bola sr. generalíssimo Gilberto Pimentel, para que haja a presença do Exército internamente, é necessário que o país esteja sob uma intensa convulsão social e, o “Chefe de Estado” convocará o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional para poder exarar um Decreto explicitando os motivos para estabelecer “a ordem pública ou a paz social ameaçada por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza” (art. 136, CF/88), por conseguinte, nas atuais circunstâncias históricas é dispensada a presença do Exército para operar na salvaguarda de nossa nação, pois, uma crise econômica e política não pode ser considerada uma “grave e iminente instabilidade institucional”, para que o Exército seja acionado com o propósito de intervir e estancar tal situação.

Jacinto Júnior

O mecanismo a ser posto em prática para tentar contornar a crise do sistema capitalista é o Ministério da Economia alinhado com sua equipe, avaliar com responsabilidade identificando os elementos que têm gerado essas crises sistêmicas e, de per si, apresentar um pacote alternativo para restabelecer a crise momentaneamente; pois, o ciclo capitalista vive e se alimenta descomunalmente das crises violentas concebidas pelo próprio sistema na ânsia de amparar e ampliar suas excessivas “gorduras” econômicas.

E, mais uma vez, num tom agressivo, envolve o Poder Judiciário como sendo um elemento asqueroso, inclusive, faz uma insinuação tola como se fosse sofrer uma represália por criticar maldosamente os membros do Supremo, e, ao fazê-lo, trás à tona, de forma sorrateira, o caso do deputado federal Daniel Silveira – um séquito seguidor do “Chefe de Estado” -, dizendo: “Assim estou expressando meu maior sentimento de repúdio a esse Supremo Tribunal da vergonha. Será que também vão invadir minha casa?”

Saudosista que é o generalíssimo Gilberto Pimentel, impunha sua caneta e esbraveja ditosamente, alegando que o Supremo Tribunal Federal tem extrapolado suas competências e, por isso, são “autoritários” e “ditadores”; não respeitam a população que, por sua vez, é “silenciada”, pelos sinistros e “poderosos homens deuses” e, assim, afirma: “Nem em uma Ditadura mais opressora, viu-se o que está acontecendo em nosso país. Uma população que está acomodada em berço esplêndido e ao mesmo tempo oprimida ao seu maior medo. “O direito de se expressar”. Uma observação sobre a última frase: a Carta Magna nos resguarda em seu Título II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais. Basta verificar o art. 5º, inciso IV. Posso afirmar categoricamente que, após a quebra do regime militar em 1985, nunca antes em nossa história, o povo viveu com tamanha liberdade!

A ideia de retornar ao modelo facínora de outrora, já não tem mais abrigo no interior da sociedade civil como um todo, porque a chaga ditatorial fora estilhaçada pela própria sociedade civil nos idos anos de 1985, bravamente. Ninguém, em sã consciência, desejaria a presença novamente da toga militar oprimindo, perseguindo torturando e matando, como fizera no recente passado com centenas de vidas inocentes que sonharam com um pais simplesmente democrático. O Brasil, definitivamente, carece de um novo momento histórico e não de um velho modo de vida escorchante que vivenciaram no passado na sombra de uma ferrenha ditadura.

A liberdade é, sim, o maior valor do indivíduo, nela repousa o direito de criticar determinada realidade e circunstâncias, pois, ninguém, absolutamente ninguém, esta isento de uma crítica bem fundamentada e estruturada; nela encontramos abrigo na Carta Magna. Não precisamos de uma experiência pautada no inferno do silêncio imposto por uma ditadura nefanda.  Por conseguinte, o Brasil precisa renegar essa maldita experiência sob o comando do “terrorista”, e “nazista” chamado pelo distinto generalíssimo Gilberto Pimentel de “Chefe de Estado”.

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

13 comentários

  1. O Que vc diz sobre o Lula (ex-presidiário e descondenado pelo os amigos do STF), dizendo a população pra irem nas portas dos parlamentares e afrontarem, meter terror nos familiares dos mesmo???

  2. Primeiramente, peço que estude melhor os últimos fatos históricos para não expressar asneiras. O STF é autônomo e se manifesta imparcialmente. Agora, sobre essa arguição torpe de “o Lula (ex-presidiário descondenado pelos amigos do STF), dizendo a população pra irem nas portas dos parlamentares e afrontarem, meter terror nos familiares dos mesmos ???”, eu sei dos casos dos 300, lembra? E o que eles fizeram Que? E quem os estimulou a fazer aquilo? Lembra do 7 de setembro? Por gentileza, faça uma analogia mais apurada sobre nossa conjuntura política e, então, perceberá quem é quem é o que representa de fato, a beligerância e o ódio crescente em nosso país! Saudações democráticas!

      1. O que cabe numa só frase é a tua alienação. Por que você não faz um contraponto ao que está posto? Argumentar coisas desconexas é a tônica de quem não sabe o processo dialético!

    1. Sem resposta pra quem defende um ex-presidiário e descondenado pelo puchadinho do PT, o STF era pra ser um guardião da constituição, a autonomia dele deve ser dentro da constituição, e não pra ajudar os AMIGOS.

  3. O cara faz um duplo twisti carpado seguido de uma palavrosidade que deixa qualquer que nunca leu um livro sobre o tema boquiaberto. Detalhe: só quem nunca leu…

    1. Por isso, ficaste “boaquiaberto”!!! É preciso muita leitura e reflexão para compreender um simples escrevinhador!

  4. Isso é perca de tempo um texto inelegível desse. Inelegível, porque ninguém vai ler uma palavrosidade dessa de quem quer aparecer. Como disse o autor sagrado: “melhor falar uma palavra que se entenda, do que mil, que não se entende”. “Pérolas jogada aos porcos “. Jacinto, fica só contigo esse linguajar sem nexo. Os grandes autores brasileiros e mestres do saber não utiliza essa “língua estranha “. Acorda, fí!!!

    1. E só estudar que você vai entender o verdadeiro movimento que está em curso em nossa história contemporânea.

    2. Como fico fascinado com comentário dessa natureza! Isso é um combustível para continuar nessa lide de escrevinhador. Minha paixão é dissecar a realidade. Quem não gosta só tem uma saída: permanecer no quartinho da escuridão. A linguagem é o recurso que temos para esclarecer os fatos e suas consequências, e, nisso, sou bastante atento! “língua estranha” que utiliza são os os evangélicos que desconhecem o verdadeiro sentido narrado na Bíblia (At 2:1).

  5. E só estudar que você vai entender o verdadeiro movimento que está em curso em nossa história contemporânea.

  6. Alienado é quem não tem a coragem de falar com sinceridade e que se esconde atrás de pseudônimos. Mostre sua verdadeira identidade civil e vamos debater qualquer tema. Mostrarei quem é o alienado.

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