Por Jacinto Junior – O espectro LULA

Luís Inácio Lula da Silva
Luís Inácio Lula da Silva

O espetacular articulista do Agencia Carta Maior – O Portal da Esquerda -, Saulo Leblon novamente me deixa reconfortável diante de seu artigo cujo título é: ‘Pesquisa explica a sofreguidão para deter Lula já’, publicado dia 03/03/2016.

A leitura que ele constrói a partir dos fatos sobre a conjuntura política atual é de uma lucidez espantosa e crucial.

Antes de adentrar em sua acurada análise propriamente, preciso reportar-me ao século XIX, especificamente ao ano de 1848 – ano da publicação de um dos mais importantes documentos já elaborado na história sobre política, o Manifesto Comunista -, Marx/Engels fazem a abertura daquela obra com a seguinte frase ensurdecedora: “Um espectro paira sobre a Europa, o espectro do Comunismo”. Faço questão de lembrar esse período para poder iniciar minha abordagem sobre o teor apresentado pelo articulista Saulo Leblon quando afirma na primeira linha: “O espectro de um Lula eleitoralmente competitivo, que assombra os dias e atormentam as noites do conservadorismo, ganhou números sugestivos esta semana. E são eles que explicam a sofreguidão conservadora nas últimas horas, a uivar pela única forma segura de afastar o perigo de vez: deter Lula de uma vez por toda”. Esta é a síntese totalizadora de sua profunda clareza sobre a tentativa da oposição de direita judicializada de dar um golpe na democracia – leia-se a tentativa de prender Lula – e sentir-se segura para o pleito de 2018.

Leblon desmistifica as noites em claro, em que a direita conservadora atormentada pela possibilidade concreta de Lula retornar à presidência e intensificar/aprofundar o modelo político de justiça social aos menos privilegiados historicamente tem gerado uma cultura jurídica da ilegalidade e atitudes do juiz-partido para promover atos jurídicos inconstitucionais e ilações injustificáveis.

A evidência desse jogo manipulador midiático-jogral-judicializado incendeia o ódio e o espírito conservador visando destronar as conquistas alcançadas e, ao mesmo tempo, desfigurar o maior símbolo de nossa nação, notadamente, quando diz: “Quando a referência escrutinada passa a ser a vida real dos cidadãos, não a porção volúvel de um discernimento induzida pelo alto-falante midiático – ao qual o ex-presidente não tem acesso – o chão firme aos seus pés ampliam-se significativamente”.

Leblon usa ainda uma escrachada comparação para descaracterizar os objetivos podres de incutir no imaginário popular a ideia fragilizada por meio da pergunta elaborada pelo Datafolha, ‘como se fosse a bruxa da fábula infantil’: “Espelho, espelho meu, quem foi o melhor presidente da história deste país”? Obviamente, que, a resposta não surpreendeu: “E 37% responderam espontaneamente, juntando as quatro letras malditas: Lula”. Eis ai o motivo real que perturba e tira o sono do conservadorismo.

Leblon com sua sagacidade e compreensão histórica da conjuntura atual aprofunda sua crítica ao conservadorismo dantesco inconformado com sua inaptidão em conquistar a classe trabalhadora num regime democrático e livre – que, na realidade, é quem de fato, decide as eleições. Assim, prossegue com suas pitadas crédulas especialmente ao papel manipulador da mídia: “Se o espectro se arrastar até 2018 em liberdade, um jornalismo caricato, de viés obscenamente antipopular, perderá momentaneamente monopólio da mediação com a sociedade”.

E sem pestanejar reacende no povo a necessidade de permanecer incólume ante a perspectiva mudancista que fora desenvolvida pelo espectro Lula: “A sorte do país e o destino do desenvolvimento ganham uma nova janela do debate ecumênico. E será preciso, então, ouvir a voz através da qual reverbera a seta do tempo da luta secular por um Brasil mais justo com seu povo, mais soberano no desfrute de suas riquezas, mais democrático na ampliação dos canais de manifestação daqueles que nunca tiveram vez na história”. Quinhentos anos de dominação elitista ainda não foram suficientes para demonstrar à classe trabalhadora que ela não liga para os do ‘degrau de baixo’? Foi necessário um ‘pião’ de fábrica, ‘analfabeto’, inverter a lógica de um sistema e promover justiça aos oprimidos e excluídos e, paralelamente, engendrar o ódio de classe nos membros da classe dominante? Uma década apenas gerou uma formidável modificação na estrutura de poder, cuja ressonância violou a identidade da elite branca, a confrontação de seus interesses e o resultado claro de tal postura Leblon lembra com objetividade essa lógica: “O risco é a voz tornar devastadoramente explícito o projeto de Brasil inscrito na lâmina dos grandes interesses que esfaquearam, esquartejaram, picaram e salgaram a sua reputação, a do seu governo, a de sua família e a do seu partido, em praça pública, durante dias, semanas, meses e anos seguidos”.

Professor Jacinto Junior
Professor Jacinto Junior

Leblon nos alerta que, o primogênito e paladino representante da justiça curitibana, com seu desvario de prender Lula a qualquer custo poderá sim, engendrar uma reação popular nunca vista na história e com consequências imprevisíveis. “Podem exigir de Moro e Cia aquilo que a sofreguidão murmura por entre perdigotos incontroláveis nas horas que correm. A prisão cinematográfica de Lula, a fornecer o fotograma – uiva-se do fundo das redações ‘isentas’ – será possível reduzir a ameaça a um zumbi de punhal no peito, abatido em sua caminhada histórica”. E complementa arrazoando um paralelo com a figura indistinta e indescritível do ‘príncipe dos sociólogos’, o verdugo FHC: “Podem os números do Datafolha, ao contrário, impor cautela redobrada aos que, a exemplo do impoluto FHC, teme a reação popular”.

A esperança vive, respira e se movimenta. Lula é um símbolo que não pode ser tratado como um mero objeto, sem identidade política, sem influencia na sociedade, sem aliados e parceiros. Lula é a mais forte expressão de luta em defesa daqueles que foram subjugados pela elite branca por quinhentos anos, rancorosa e odienta. A classe trabalhadora reconhece nele a mudança indiscutível de sua melhoria e a transformação porque passou numa década o nosso país.

8 comentários sobre “Por Jacinto Junior – O espectro LULA”

  1. Publicado no Estadão

    Qual é o verdadeiro Lula? Aquele que, sem saber que estava sendo ouvido, afirma que o STF e o STJ estão “totalmente acovardados”; cobra gratidão do procurador-geral da República pelo fato de ter sido nomeado pelo governo petista; classifica de “palhaçada” a denúncia de que é alvo por parte do Ministério Público; manda policiais e procuradores enfiar em lugar impublicável as investigações que o envolvem; ou aquele que, em “carta aberta” obviamente escrita por gente alfabetizada, tenta corrigir o devastador efeito negativo da divulgação de suas conversas telefônicas legitimamente gravadas e divulgadas – não “vazadas” – pela Operação Lava Jato?

    Afirma Lula, no texto que assinou – e que devem ter lido para ele –, que como presidente da República sempre respeitou o Poder Judiciário e apela ao recurso demagógico de se fazer de vítima que tem sua intimidade “violentada por vazamentos ilegais” e apela à falsa condição de pobrezinho, pessoa humilde e bem-intencionada: “Não tive acesso a grandes estudos formais. Não sou doutor, letrado, jurisconsulto. Mas sei, como todo ser humano, distinguir o certo do errado; o justo do injusto”. Lula não diz a verdade. Ele, de fato, sabe o que é certo e o que é errado. Mas nunca quis saber como se distingue uma coisa da outra. Para ele, certo é tudo aquilo que faz e lhe dá prazer e proveito. Errado é o que não lhe apraz ou pode prejudicar.

    Tem sido sempre assim. Reeleito presidente, passou a demonstrar completo desrespeito pelo Judiciário, ofendendo gravemente o STF com a afirmação de que o processo do mensalão era uma farsa que ele trataria de desmontar depois que deixasse o poder. Mas então o petrolão já estava funcionando a pleno vapor e acabou com a fanfarronice do chefão petista.

    O perfil moral do ex-presidente foi descrito, em palavras duras, pelo decano da Suprema Corte, ministro Celso de Mello, ao repudiar, sem citar nomes, as “ofensas” e “grosserias” de que os ministros togados foram alvo por parte do ex-presidente: “Esse insulto ao Judiciário, além de absolutamente inaceitável e passível da mais veemente repulsa por parte dessa Corte Suprema, traduz, no presente contexto da profunda crise moral que envolve os altos padrões da República, a reação torpe e indigna, típica de mentes autocráticas e arrogantes que não conseguem esconder, até mesmo em razão do primarismo de seu gesto leviano e irresponsável, o temor pela prevalência da lei e o receio pela atuação firme, justa, impessoal e isenta de juízes livres e independentes”. Várias entidades representativas de juízes, do Ministério Público e dos policiais também repudiaram a tentativa de desqualificar o trabalho da força-tarefa da Lava Jato e do juiz Sergio Moro.

    A verdade é que Lula, hábil manipulador e especialista em dizer o que as pessoas querem ouvir, subiu na vida no papel de líder populista, pragmático no pior sentido do termo, sem nenhum compromisso sério senão com a crescente volúpia pelo poder. Inculto, mas espertalhão, Lula deu um nó nos intelectuais esquerdistas que se iludiram com a possibilidade de manipulá-lo e, com indiscutível apoio popular, fingiu converter-se à política econômica que vinha produzindo resultados e se elegeu à Presidência da República para amoldar a seu feitio o “novo regime”: uma ação entre amigos com sotaque nitidamente sindical.

    Enquanto a economia permitiu, o governo Lula mergulhou fundo em programas sociais indiscutivelmente meritórios, mas insustentáveis quando o panorama mundial se tornou adverso e a incompetência de Dilma Rousseff impediu as necessárias correções. Hoje, com o governo se desintegrando politicamente, inflação e desemprego crescentes e sem recursos para investir em programas estruturantes, os brasileiros caíram na real. Já não têm ilusões e isso os faz lutar por seus próprios direitos e interesses, o que significa pôr-se do lado oposto do governo responsável por suas frustrações.

    Lula, porém, parece acreditar que ainda conseguirá sobreviver ao desastre político, econômico e moral que montou. Mas isso ficou muito mais difícil a partir do instante em que as autoridades começaram a revelar à Nação, com detalhes, os esquemas de corrupção que vêm sustentando o lulopetismo. E, nesse processo, ficou exposta a verdadeira face de Lula, esse populista irresponsável que procura dissimular sua verdadeira condição de abastado burguês para manter a pose de líder popular que compartilha o destino dos pobres.

  2. De ‘o cara de Obama’ a pixuleco: a guinada melancólica de Lula

    No dia da posse do segundo mandato da presidenta Dilma um grupo barulhento chamava a atenção, ao lado da fila de cumprimentos à mandatária. Empresários, políticos e cônjuges empunhavam seus celulares para tirar selfies com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ano de 2014 começava como sempre. Lula era o centro das atenções mesmo quando os holofotes cabiam a sua sucessora. Depois de entrar no alvo da Lava Jato, porém, Lula passou por um escrutínio que atingiu o ápice com a revelação dos áudios mostrando possíveis ilegalidades numa conversa entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula e com outros interlocutores do PT que estão em Brasília.
    Pelas gravações, o Brasil e o mundo acabaram conhecendo o que o ex-presidente pensa de verdade sobre diversos assuntos por meio de áudios repetidos a exaustão em todos os noticiários.O homem que foi chamado de “O Cara” pelo presidente Barack Obama, em 2009, hoje se vê rebaixado a pixuleco, um caricato boneco inflável vestido de presidiário que toma conta das manifestações pró-impeachment pelo Brasil. Se já era considerado um ladrão por metade do país, os áudios, repetidos à exaustão nos noticiários e até em memes da internet, endossam ainda mais as certezas de quem despreza a figura de Lula e injetou dúvidas em muitos dos que confiavam nele, muito embora o protesto desta sexta, 18, contra o impeachment, tenha mostrado que o Brasil continua, como sempre, dividido.
    Os áudios são um tiro de canhão nas intenções do Governo de restaurar a confiança de que o país poderia encontrar uma saída para a crise política. Ao contrário, aumentou o clima de suspeitas sobre o ex-presidente, ainda que o juiz Sérgio Moro tenha afirmado, inicialmente, que “não há nenhum indício nos diálogos ou fora deles de que estes [fatos] citados teriam de fato procedido de forma inapropriada”, conforme explica no despacho para esclarecer sua decisão de tornar públicos os grampos.

  3. Lula e Dilma são alvos da maior campanha difamatória do país. O poder midiático, jurídico e parte do congresso nunca engoliram essa dupla.
    Por que resistem?
    Diferente de Collor possuem base política e um partido com História.
    Diferente de Getúlio ambos não foram traídos pelas formas armadas.
    Diferente de Jango que não tinha mídia alternativa para se comunicar.
    Se a campanha for frutífera será um recado para os demais partidos, ou ler nossa cartilha ou… já sabe…
    Se a campanha for exitosa ao contrário do que pregam o país vai virar um caos. Egito e Líbia são exemplos; depois da primavera Árabe financiado por Washington e UK são países arrasados pela ação de mercenários de toda ordem.
    O Brasil está servindo de laboratório para esse modelo de golpe. Na Venezuela tentaram derrubar Chaves com uma aliança mídia X militares falhou; esse mesmo modelo falhou na Bolívia e no Equador.
    No Brasil há uma inovação é Mídia x Judiciário com apoio de movimento financiados com recursos externos e de parte do congresso.
    Faz parte mais uma vez, com em 64: OAB, FIESP, Globo… Não aprenderam…
    E a velha tática do inimigo único volta outra vez como em 64 (comunismo), como no Nazismo (Judeus), como na Venezuela, Bolívia e Equador (Bolivarianismo), como na Líbia (corrupção), como no Egito (corrupção) como na era Vargas (corrupção), como no governo Collor (corrupção), como no governo Jackson (corrupção)…
    Vai colar? Para alguns já colou. Serve a quem? Serve as ideias altamente progressistas dos gênios da política nacional: Eduardo Cunha, Maluf, FHC, Serra, Aécio, Armínio Fraga, Calheiros, Mendes…
    Quais as ideias inovadoras desses gênios? São as mesmas receitas do FMI, BM apregoadas pelo Consenso de Washington que já quebrou: Chile, Brasil-FHC, Bolívia, México, Peru, Espanha, Portugal, Grécia…

    1. Caro Chico,
      A sanha direitista não se conforma com suas consecutivas derrotas eleitorais. É fato que, a elite brancas rancorosa, sentindo-se desprezada pelo povo, agora, age, com todos os expedientes inadequados/espúrios e, sobretudo, manipuláveis (Mídia+judiciário+FIESP+EUA e seus tentáculos covardes)tentam apropriar-se do poder por meio de um golpe branco e perigoso.
      Ao contrário do que ocorrera nas décadas de 1950/1960, na atualidade o povo está mais organizado, além de contar com o poder alternativo da mídia (leia-se, redes sociais) que possuem uma extraordinária força e consegue mobilizar muita gente comprometida com a história para todos e não para uma minoria opressora representada pelas figuras negras do conservadorismo vingativo.

  4. Confirma-se outra vez o diagnóstico sobre a saúde moral do país na trevosa noite lulopetista, segundo o qual o bandido quer prender o xerife: Dilma Rousseff, desde a divulgação das repulsivas conversas da súcia, repete para a louca que a mira no fundo do espelho que “em muitos lugares do mundo, quem grampear um presidente vai preso”, acrescentando uma crítica cínica sobre a justiça dos coronéis do começo do século passado, num disfarce ineficaz da própria sujeição a um coronel arcaico.
    Sempre cedendo à natureza dela e dos comparsas que os impele a mentir em qualquer situação, a criatura infeliz insiste em desconsiderar que o objeto do grampo legal era o outro bandido. Se a presidente telefona para bandidos, e a presidente não só telefona para bandidos como os nomeia ministros (diretores de estatais, assessores, etc.), ela cai no grampo.
    Também desconsidera que em “muitos lugares do mundo”, excetuados os pré-civilizados onde vicejam aliados do petismo, uma mulherzinha tão medíocre nunca se elegeria. A estratégia infame em atacar Moro brilhou na cerimônia de posse do ministro bandido, em que Dilma, aos berros, dividindo a mentira entre olhos, dentes e gestos, dizia que o termo de posse que citou na conversa grampeada não era o termo de posse que citou na conversa grampeada.
    Já tivemos demais disso, senhora, deixe-nos em paz e vá buscar alguma paz para si. A favor do bandido e contra o xerife, há ainda os intelectuais metidos a artistas e os artistas metidos a intelectuais habituais, a militância remunerada pela nação toda e um grupo inverossímil de juristas dizendo que Moro ofende o estado de direito democrático.
    Nas gravações, a linguagem de sarjeta de Lula aponta a obsessão da família jeca por determinada parte da anatomia alheia, em que manda enfiar desde processos a panelas. É chulo sim, mas mesmo o chulismo pode ter pertinência; essa linguagem é sobretudo de ódio. O tal ódio de que os defensores de bandidos acusam qualquer crítica, depois de silenciarem enquanto Lula fazia dele o lubrificante das relações entre rivais políticos na clivagem inédita e odiosa do país entre “nós” e “eles”.
    Pois bem, o ódio, o machismo e todas as dimensões do politicamente incorreto inundam as falas dos Lula da Silva sob o silêncio de associações, movimentos, coletivos ou qualquer outro ente da fauna-defensora-das-minorias-oprimidas para a qual estas se definem pelo crivo ideológico. Ora, a ideologia de Lula é o ódio ao que não é lula ou a quem a lula não se submete.
    A campanha e os gritos contra Sérgio Moro continuarão. O juiz que mostra à nação exausta a trilha para buscar a manhã que dissipará a sinistra noite que vivemos há 14 anos talvez seja a figura pública mais admirada e mesmo querida atualmente, enquanto a criatura e o criador toscos jazem na ponta oposta, mas não é só por isso que logo saberão que toda essa infâmia é inútil, e sim porque a verdade, contrariamente aos subalternos da república pixuleca, não teme os berros de uma cínica e o ódio de um coronel arcaico.

  5. O direito de expressar o pensamento e o de defesa é assegurado a todos, porém querer separar as pessoas rotulando alguns de “elite branca” é uma vergonha para alguém que se diz professor. Jacinto Júnior é um poeta calado, proferindo palavras é uma aberração!

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