O SERTANEJO É, ANTES DE TUDO, UM FORTE”.
Olhando para o 1º turno das eleições presidenciais, vimos mais uma vez, a Região Nordeste, determinar os resultados a favor do campo progressista. E, neste sentido, aproveito o talentoso escritor carioca, Euclides da Cunha, que lavrou sua magna obra chamada “Grande Sertões: veredas”; para fraseá-lo: “o nordestino, é antes de tudo, um gigante”. A resiliência é a nossa sina. Sim, somos um povo resistente! Somos altivos, somos intempestivamente valentes por natureza; e, por natureza, permanecemos grudados em nossa fé de que jamais deixaremos de acreditar em nossas esperanças de um porvir que será bem mais promissor do que o de outrora.

Estou embasbacado com o comportamento de nossos próprios gentílicos pós-resultados do 1º turno, quando a nossa Região mais uma vez, demonstra sua capacidade de enfrentamento ante a realidade sociopolítica. Surpreendeu-me a cultura que se dissemina nas redes sociais com gigantesca força atacando a forma como votaram a expressiva maioria dos eleitores nordestinos, no candidato que alimenta a perspectiva de um Brasil mais justo, mais solidário, mais sensível às causas sociais e maior devoção aos menos afortunados economicamente. Essa votação é um dado curiosamente recorrente, não há nenhuma surpresa, pois, em 2018, ocorrera a mesma façanha. E a partir daí iniciou-se uma campanha difamatória, preconceituosa e xenofóbica contra nossa rica região nordestina.
O que tenho ouvido nas redes sociais em termos de crítica pejorativa à nossa região é espantoso. Mas, o mais espantoso ainda, é perceber nas entrelinhas dos discursos proferidos a manifestação da xenofobia e o autopreconceito. Inacreditável mas é verdade! Quando um nordestino afirma a seguinte ideia contra outro nordestino – ideia essa, de que “o nordestino é um miserável”, “é um ser que não merece pena de ninguém”; e, mais ainda; “que o governo deveria cortar os míseros R$ 600,00 porque não merece receber”; ou ainda mais grave posição: “são uns mortos de fome e vão procurar emprego nas regiões Sul e Sudeste do país” – esse sujeito estar manifestando um autopreconceito e, ao mesmo tempo, sendo um xenofóbico.
Tal comportamento evidencia a falta de respeito para com o semelhante na sua escolha individual sobre em quem desejou votar. Aqui, temos, indubitavelmente, a realização de um ato político que congrega em si o mais profundo e sagrado direito de exercer a cidadania e pondo em xeque a liberdade como pedra angular dessa escolha individual e pessoal. Ninguém tem o direito de interferir e/ou impor ao outrem o desejo manifesto que lhe assiste como se fosse você a realizar tal desejo; pois, conceitualmente, cada indivíduo possui sua própria capacidade de se manifestar com total independência naquilo que expressa seu desejo como instância máxima para satisfazer suas necessidades imediatas ou de médio e longo prazo.
As eleições nos têm revelado de forma gradual, o esnobismo, a carência de empatia, a ausência de humildade e humanidade, mas, sobremaneira, a falta de sensibilidade daqueles que, a priori, tínhamos como cidadãos e cidadãs do bem e com um comportamento exemplar. Mas, na realidade, seus atos comprovam o contrário daquilo que imaginávamos como indivíduos coerentes, influenciadores da urbanidade e tremendamente desrespeitadores. Infelizmente, os valores morais e sociais que são constantemente disseminados por essas pessoas estão sendo substituídos pela hipocrisia, pela dupla personalidade, pela falsidade, enfim, os valores estão sendo invertidos na prática. Só para ter uma ideia do que estamos nos referindo, basta olharmos com atenção os resultados das eleições de 2018, tanto no 1º turno, quanto no segundo, em que a nossa região votou massivamente no candidato progressista. Vejam os números contabilizados.
| Eleições 2018 – Presidente da República – 1º Turno | ||
| Candidato | Região | % |
| Bolsonaro | Nordeste | 25,86 |
| Fernando Hadad | Nordeste | 50,60 |
Note que, o candidato conservador vencedor no computo geral, perdeu numa votação em que seu percentual chegou à metade dos votos que o candidato progressista obtivera.
| Eleições 2018 – Presidente da República – 2º Turno | ||
| Candidato | Região | % |
| Bolsonaro | Nordeste | 30,31 |
| Fernando Hadad | Nordeste | 69,69 |
Fonte: Data Folha.
Enquanto no segundo turno, o percentual do candidato conservador cresceu um pouco mais, em relação ao primeiro turno, mas, mesmo assim, o Nordeste deu uma fragorosa vitória ao candidato progressista. Na mesma proporção de mais da metade.
O objetivo, portanto, é mostrar para esses críticos que o nosso Nordeste é uma região rebelde e não é de causar nenhuma admiração por ter mantido a mesma percepção sociopolítica em relação ao mesmo candidato do pleito passado.
O mesmo método que hoje vejo sendo operacionalizado nas redes sociais contra nossa região por se portar diferente das demais regiões de nosso país foi o mesmo utilizado no primeiro processo eleitoral de 2018, classificando os nordestinos de “jumentos”, “que não sabem votar” e “deveriam morar na Venezuela, Cuba, Coreia”; e toda sorte de baboseiras que esse movimento de extrema-direita paredista vem produzindo contra nossa bela região.
Não é cabível que haja pessoas que tentam desqualificar seu semelhante – gentílico – pelo fato de discordar e/ou votar em um candidato que seja o oposto do qual defendem e lutam para reconduzi-lo à presidência sendo que este, já dera comprovações irrefutáveis de que é um ser ignóbil, desrespeitador, insensível à dor do outro, intolerante, violento, preconceituoso, machista, misógino, xenofóbico e mentiroso. Em síntese é verdadeiro monstro! Iguala-se ao mais abjeto ser humano nascido sob a face da terra e que produzira o mais terrível holocausto da historia universal: o ditador alemão Adolf Hitler.
Como nordestino minha alma canta a vida. Como nordestino não choro uma lágrima que não seja por algo valioso e que valha a pena. Como nordestino tenho sentimento de pertencimento e não me envergonho de sê-lo e tê-lo. Como nordestino busco o caminho a ser caminhado por todos os irmãos e irmãs que acreditam na possibilidade de uma nova fase da história recheada pelo imortal amor que circunda nossas almas. Não somos uma ilha, somos uma parte significativa dessa nação. Como nordestino que sou jamais me curvarei ante a maldade, à perversidade e o mal-caratismo que prevalece sobre aquele que mente e tenta nos intimidar com seus asseclas nas redes sociais. A cena daquele vídeo propagada pelo ditador no ano de 2017, oferecendo capim para nós nordestinos – nos tratando como animais -, foi a gota d’água para que em mim surgisse o sentimento de repulsa/repúdio a esse ser indigente e completamente boçal.
Como é vergonhoso ver um nordestino desqualificar outro nordestino por discordar de seu candidato! E mais vergonhoso ainda, é ver nordestino alienado defendendo esse ser inominável. Quanta estupidez, quanta ignorância! Ora, vivemos num pais que nos garante a liberdade de escolha e nos dar, ao mesmo tempo, o direito de pensar e discordar de outrem por intermédio do livre-arbítrio.
O Nordeste sempre fora um eterno campo de batalhas, basta olharmos de que forma conquistamos nossa emancipação. Olhem para a nossa História! Vejam, por exemplo, a Revolta de Beckman (1684), a Insurreição Pernambucana (1645-1654), Guerra dos Palmares (1674-1695), A Conjuração Baiana (1798), Revolução Pernambucana (1817). Nosso glorioso passado, nos mostra o quanto somos altivos e corajosos.


Senhor Jacinto, permita-me ajudá-lo.
A magistral obra “Grande sertão, veredas”, é de autoria de Guimatães Rosa, e não de Euclides, como o senhor erroneamente atribuiu.
“Os sertões”, sim, é obra prima de Euclides da Cunha.
E, apenas para ilutrar o leitor, “Vidas secas” , de Graciliano Ramos, é outra obra que aborda a resistência do nordestino ante às intempéries da aridez.
Nonato Araújo, obrigado pela correção. De fato, incorri em equívoco, troquei o nome dos autores. Mas o elemento apresentado está valendo. Peço desculpas por esse equívoco, afinal, o homem não é perfeito em sua caminhada. Saudações culturais!
Grandes sertões vereda era uma formalidade danada lembra não da série ou era novela não lembro bem kkkkk
Verísmo teixeira de Andrade, comigo também permanece a mesma dúvida: série ou novela global?
Esse e o sinal da politica malefica da esquerda no nordeste. sempres os coroneis que mandaram aqui. O nordeste, ainda e, pior em tudo. Tu vem com essas narrativas besta. Tu e doente, te atualiza.
Felicidade, oh! como és acertado em teus eloquentes comentários! Isso ficou para os intelectuais! devias ser parte constituinte da Região Sul e Sudeste, para decantar a verdadeira obra-prima que essas regiões têm ocasionado benefícios para nós – pobres, alienados e analfabetos – nordestinos. Mas a pergunta que não quer calar: quais benefícios recebemos dessas regiões altamente desenvolvidas? A atualização está em tua presença, como és cego, não a percebe!
O que possibilita a manutenção do nordeste como região pouco desenvolvida é justamente a romantização de tal situação, fato que o estado pobre da região serve para legitimar a narrativa flopada de que a esquerda vai tirar- lo de tal posição. Na verdade, a esquerda nefasta- pt- precisa que o nordeste continue sendo seu curral eleitoral.
Cara chato esse Jacinto , se o nordeste esta nessa.situacao deplorável a culpa e do seu partido PT.
O próprio Jacinto petista, não fez nada pela educação de Codó ( nordeste ) enquanto secretário de educação, pelo contrário, para mim foi o pior secretário de educação de CODÓ.
Faça uma enquete aqui no blog, seu Jacinto e pergunte aos professores o que eles acharam de sua gestão incompetente.
Querubim – és valioso, percebe-se pela alcunha – na realidade, para compreender nossa dramática realidade socioeconômica, política e cultural, precisas apropriar-se dos fatos históricos e analisá-los com frieza de um verdadeiro pesquisador. Se não agires assim, certamente, permanecerá na superfície desse discurso “romantizado”. Para seu governo, o PT nunca governou o MA. Historicamente, tivemos duas grandes oligarquias em nosso estado: a Nunes Freire e a sarneysista. e, mais recentemente, a esquerda – mas não o PT – com a candidatura de Flávio Dino (PCdoB), consegue destronar essa oligarquia que imperava quarenta anos. E na sua visão medíocre, acha que em oito anos fora possível superar quarenta e, desse modo, recuperar o tempo perdido? Outrossim, o que você conceitua como (…) “fato que o estado pobre da região para legitimar a narrativa flopada de que a esquerda vai tirar-lo de tal posição.” Neste sentido, é bom lembra-lo de que o atual governante – o chefe de estado representante máximo do movimento da extrema direita paredista – o inominável, o ser abjeto que nunca se dispôs a ajudar o Nordeste, ao contrário, nos ofereceu capim, e com esse gesto, mostrou todo seu lado xenofobico e discriminatório para conosco e, você o aplaude? Esse ato de aplaudi-lo constitui o mais incongruente ato de autopiedade. E para finalizar: mais uma vez, incorre em erro grasso, quando afirmas que “(…) “a esquerda nefasta -pt- precisa que o nordeste continue sendo curral eleitoral. Primeiro, o PT não é governo e, segundo, o Nordeste sempre fora uma região de resistência ao que simboliza o atraso e o ódio infame manifesto nessa figura grotesca do ditador e fakeano concorrente ao cargo presidencial. Seremos novamente um povo altivo e corajoso para reafirmar um sonoro NÃO a esse gendarme que nos odeia no dia 30 de outubro. Minas Gerais deu uma surpreendente vitoria ao Lula no primeiro turno, essa região é também, uma região de pessoas que vivem em currais?
Atenção Professor,
1. Se o nosso Nordeste é considerado a região mais pobre do Brasil;
2. Se o nosso Nordeste é governado há décadas pela esquerda.
Então podemos dizer que a esquerda, tão defendida pelo Sr., seria a principal responsável pelo “atraso” do Nordeste em relação às demais regiões?
Excelente observação. Talvez seja tempo de mudar, tentar outro rumo a não ser que queiramos continuar neste atraso imenso em que nos encontramos. Temos que parar com essa dependência do governo, precisamos de oportunidade de trabalho para os nosso povo. Chega de migalhas do governo. Queremos um nordeste desenvolvido com empregos e oportunidade para todos.
E vai continuar sendo a Região mais pobre e é assim que a esquerda adora.
O político de esquerda e os coronéis do passado é a mesma coisa.
Que ver o povo em seus pés morrendo de necessidades.
Honorato Gomes, infelizmente, a cultura política brasileira é nessa perspectiva. A elite dominante jamais desejou a liberdade e a autonomia das pessoas enquanto cidadãos de primeira categoria. foi e necessário estabelecer rupturas de dentro para fora do sistema para se garantir o mínimo de dignidade. É evidente que isso gera um custo e demanda tempo para preparar uma toda uma geração consciente de seu papel no contexto sociopolítico. Esse discurso é sempre repetido. e vemos em cada eleição, esse tipo de coisa acontecer. Portanto, isso não é uma exclusividade da esquerda brasileira, pois, ela nunca governou tanto tempo quanto a elite governa o poder central e seus tentáculos regionais. O PT governou apenas 14 anos esse país e toda a tragédia e miséria existente culpa-se a sua gestão. Por favor, seja mais compreensivo! Ora, se o PT governou apenas 14 anos, quem, então, esteve governando a estrutura de poder durante os anos anteriores? Deduza 1500, o ano de nossa “invasão pelos portugueses” e veja quantos anos a elite brasileira ficou governando esse “estado-colônia chamado Brasil? E você vem falar de que a esquerda é que promoveu todo tipo de má sorte aos seus filhos nativos?