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quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Por Jacinto Junior – O submundo da política velha e o sofisma da mudança radical

O culto à imagem do ‘eu’ tem sido a grande aposta da velha guarda política objetivando a manipulação, o poder com ênfase no discurso modernizante da mudança social radical. Entretanto, é de bom tom que estabeleçamos uma distinção entre o que é, de fato, a essência desse intrépido discurso burguês-conservador.

O primeiro ponto a ser desmistificado é separar o ‘joio do trigo’. E, isto, implica na seguinte sentença política:

  1. De um lado, temos uma fração – tendência – política heterogênea em permanente conflito na disputa pelo poder político local. Esse conjunto heterogêneo pertence a uma mesma classe social: a burguesia – só que subdividida, fracionada por interesses particulares. Ela compreende que o mecanismo de manipulação, controle e força ideológica em todos os setores sociais, constitui o principal foco da dominação; e, desse modo, investe no poder econômico visando à destruição de todo e qualquer movimento social que não seja conforme seus interesses particulares.
  2. De outro, a grande massa dispersa e subjugada historicamente. Tal realidade empodera de forma sistêmica a elite local, induzindo fortemente sua influência sobre os incautos cidadãos – incautos…, será que são mesmos? Isso reflete sobremaneira, no nível de desorganização e retração da classe trabalhadora na conjuntura social e política atual. É visível a apatia dos setores protagonistas diante da ofensiva conservadora, parece que não estão sendo violentamente explorados e seus direitos expropriados sumariamente através de medidas como a reforma trabalhista e a terceirização irrestrita. Temos na realidade um histórico político com perfil já definido – a tradição política substituindo os processos dinâmicos, democráticos e protagonistas – expondo o modelo sustentado na falsa ideia do pleno desenvolvimento social e justiça para todos. A grande mística burguesa tem sua perspectiva na percepção do “eu”, do “individualismo”, na “livre concorrência” para gerar emprego e renda (lembre-se do chavão infalível da meritocracia).
  3. Quando olhamos para essa balela verificamos que o tão proclamado nível de desenvolvimento econômico-social tem apenas um túnel: aquele que transfere a riqueza produzida para o capitalista, enquanto o verdadeiro produtor da riqueza recebe humilhantemente migalhas permanecendo pobre e miserável. O capitalista, portanto, ficando cada vez mais rico. A pergunta que não quer calar: que tipo de desenvolvimento é esse que não atribui igual justiça para os trabalhadores? A evidência se manifesta no quanto o capitalista decrepito mantem uma acelerada concentração/acumulação de capital e o inverso ocorrem com a classe trabalhadora. Por isso mesmo, o discurso modernizante é contraditório e mentiroso, pois não promove a divisão igual da riqueza produzida. Até quando a classe trabalhadora continuará a aceitar esse imbróglio nas relações de produção?
  4. A política velha permanece atual sob o ponto de vista da exploração e da manipulação ostensiva contra o trabalhador/produtor.

Esse modelo constrange e humilha a dignidade, e fere brutalmente a condição humana em sua máxima cidadania. O resultado disso tudo é a criação dos grotões de miseráveis que, por sua vez, demanda o crescimento periférico desordenado das polis modernas. A origem das crises no mundo capitalista tem sua sustentação no próprio sistema cavalar. O propósito das crises tem apenas uma finalidade: atender aos interesses do lucro exacerbado impelidos por grandes corporações credoras, rentistas e financistas do mercado.

Jacinto Junior – pensando

Partindo desse pressuposto, é necessário que voltemos nosso olhar protagonista para a nossa cidade focando o que é necessário e o que é essencial para seu desenvolvimento pleno.

O discurso modernizante promete originar emprego e renda, porém, tal proposição ainda não se tornou realidade, ao contrário, o nível de desemprego permanece elevadíssimo. Tratando-se especificamente de nossa cidade o problema estrutural do desemprego nem sequer tomou forma para ampliar/gerar postos de trabalho. Não é justo e nem constitui tática aplicável acusar a crise internacional como entrave fulminante que impede a geração de emprego e renda aos trabalhadores de nossa cidade.

A grande massa trabalhadora de nossa localidade representa uma mão de obra desqualificada – pois, essencialmente temos um contingente excessivo de trabalhadores que sequer terminaram o Ensino Fundamental e, ou, o Ensino Médio, portanto, são trabalhadores horistas e que percebem uma remuneração mínima que, para o empregador constitui um elevado custo para sua empresa. Apesar de todas as benesses e proteção do Estado o empregador ainda se diz lesado pelo governo. A elite dominante quer sim, estatuir um modelo de gestão que dispense a presença do governo para que o mercado concorra ao seu centro natural de desenvolvimento e proporcione a riqueza total para o bolso do proprietário dos meios de produção.

A tirania do mercado invoca a miséria como fator preponderante na perspectiva do desenvolvimento econômico e social. Essa situação é tremendamente dramática e horripilante!

Bom, o que importa é pensar no futuro de nossa cidade, de nosso povo, principalmente no aspecto da cidadania – ou melhor, na valorização da dignidade humana e, isto, exige uma capacidade singular para incrementar um projeto político que se volte para o conjunto da sociedade civil como um todo e, estabeleça mecanismos eficientes para superar os gigantescos entraves sociais que perduram por mais de um século e duas décadas.

O maior erro que a sociedade civil comete é eleger o mandatário e, depois disso, esperar os resultados. Essa formula apolítica de não participação social provoca a inercia que acaba contribuindo para o congelamento integral das possíveis e necessárias atuações dos setores e atores sociais estratégicos da comunidade no enfrentamento direto dos problemas sociais que campeiam nossa cidade.

Quais seriam as medidas estruturantes que o governo poderia apresentar para reintegrar o pleno desenvolvimento social e econômico de nossa cidade?

Entendemos que a sociedade reclama por melhores dias!

A questão central que deve ser pontuada na perspectiva do desenvolvimento é a construção/elaboração e a participação popular de um Plano Diretor com projeção de vinte anos. Nele se pensaria a cidade de forma democrática e aberta – com a contribuição dos movimentos sociais e entidades de base e etc. – e, assim, garantir uma cidade sustentável em plena ebulição social.

Não é possível pensar o desenvolvimento integral – estratégico – sem antes não compreender sua história e sua vocação. Pressupor o desenvolvimento apenas cumprindo as políticas públicas (quando as executam) com o ‘ralo e parco recurso legal’ – constitucional e discricionário – é imaginar andar para trás. Portanto, o que se prevê é mais um governo sem novidade e sem programa reestruturante para modernizar e transformar nossa cidade. Um ano já se passou e, certamente, pouco se realizou em relação às políticas públicas! Codó não pode ser medida por obras faraônicas como se as mesmas fossem a ponte do iceberg do desenvolvimento social estruturalmente falando.

Codó precisa urgentemente apresentar alternativas para superar a crise do desemprego endêmico e recuperar seu atraso cultural, social e econômico!

O crescimento econômico só tem uma via: a instalação de um Parque Industrial. Creio que, a partir desse mote é possível pensar uma política macroeconômica para nossa cidade, oferecendo condições para que os grandes grupos econômicos venham instalar suas filiais aqui, já que a economia doméstica ganha nova perspectiva, através dos indicadores oficiais: safras de grãos com elevada produtividade (30%) e, consequentemente, a exportação, juros baixos – SELIC (7%) e inflação abaixo da meta estabelecida (2,95%) (g1.globo.com) acessado em: 10.01.2018.

A nossa cidade é extremamente pobre e carece urgentemente de políticas públicas estruturantes para reduzir drasticamente esses dados estatísticos apresentados pelo IBGE:

MAPA DE POBREZA E DESIGUALDADE – CODÓ (2003)        

Incidência de Pobreza 59,37%
Limite inferior de Incidência de Pobreza 50,67%
Limite superior de Incidência de Pobreza 68,08
Incidência  Pobreza Subjetiva 64,13%
Limite inferior de Incidência da Pobreza Subjetiva 56,73%
Limite superior de Incidência da Pobreza Subjetiva 71,54%
Índice de Gini 0,40
Limite inferior do Índice de Gini 0,39
Limite superior do Índice de Gini 0,43

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000 e Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF 2002/2003.

 Esses indicadores nos dá uma clara dimensão da pobreza e da desigualdade social existente. Diante dessa realidade cruel torna-se imprescindível uma avaliação acurada e propositiva com a finalidade de debelar progressivamente estes indicadores profundamente negativos. Mas, a exigência dessa avaliação requer, atitude e rapidez objetivando recompor o tempo perdido e o atraso em vários setores fundamentais.

Precisamos repensar Codó numa perspectiva progressista-desenvolvimentista e, isto, nos remete a um caminho diferenciado, em que os valores positivos passem a inverter a lógica do comodismo e reincorpore o sentido da esperança num instrumento possível de mudança. Portanto, é fundamental a pesquisa cientifica para fornecer elementos concretos na resolutividade dos problemas mais imediatos como: a geração de emprego e renda, educação com qualidade e equidade social, valorização do magistério público, construção de novas unidades escolares, fomento à agricultura familiar e a pesca como forma de incentivo aos pequenos produtores ingressarem no mercado e fortalecer a economia interna, gerando mais divisas para o município. Para Codó só há uma alternativa: enfrentar com responsabilidade os históricos problemas que, ao longo do tempo, proporcionaram seu atraso social. A ideia é encerrar esse pernicioso ciclo de engessamento. A ver!

Por Jacinto Junior

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

4 comentários

  1. Professor JACINTO , quando dava aula sua escola apareceu no fantástico , aí passou a secretário e nada fez por essa escola, incompetente, tem um rabo de palha sem tamanho,… vai mostrar dados do IBGE , e mostra de 15 anos atrás, bem a cara dele mesmo, desatualizado!

    1. Sei que a cultura é reservada somente para a elite. Felizmente, tive a oportunidade de adentrar no mundo de quem “imaginou” que jamais um descendente da classe operária pudesse galgar uma posição social elevada e de respeito por intermédio de sua própria capacidade, compromisso e, acima de tudo, com ousada soberania – isto é, com independência e autonomia intelectual, sem negociar seus princípios. Lamento “Cicinho” – não sei quem é você, pois, geralmente, os sujeitos que fazem comentários sempre buscam ocultar sua verdadeira identidade (usando pseudônimo), mas, independentemente dessa questão,posso garantir que não uso desses artifícios para me pronunciar publicamente; não temo expressar minhas convicções a ninguém, por mais PODEROSO que seja.
      Contudo, quem vive à sombra de outrem, deve sempre abster-se de ser o que desejaria sê-lo, pois, a cobardia, o coloca na condição de indigência intelectual. Isso é um drama terrível para quem sonhara com um futuro promissor e de muitas vitórias.
      Agora, posso garantir-lhe que sou realizado e plenamente feliz, pois, consegui transpor com sacrifício e determinação a barreira/muralha criada pela elite dominante e seletiva para impedir que pessoas simples possam sonhar com uma vida melhor, e saiba que consegui. De fato, não sou detentor de posses materiais, porém, imateriais é a minha maior riqueza.
      O verdadeiro intelectual é aquele que despoja sua cultura de forma clara e objetiva, sem receio de ser criticado, aliás, quem não quer ser objeto de crítica, permaneça na sombra, no silêncio imortal dos “zé ninguéns”.
      Seu argumento ferino demonstra de fato, o vértice de sua agudíssima cultura.
      Não se desaponte por não igualar-me ao teu nível prioritário decantador cultural, receio que seria uma ofensa à própria cultura.
      Reconheço sim, que sou “sectário”, e “sem noção”, e é por esse motivo aparentemente fútil – ponto de vista aclamado por ti – que procuro aprimorar meus conhecimentos, aperfeiçoar minha técnica de pesquisa, enfim, busco compreender um dado logístico para poder aferir um argumento, no minimo, plausível e condizente com a realidade social.
      Não vou descaracterizá-lo usando palavras chulas e depreciativas para atacá-lo, prefiro discordar de seu ponto de vista e trabalhar uma perspectiva no “campo das ideias”, é melhor assim, nê? Mas, o que é o “campo das ideias”? Você poderia suscitar algumas considerações que possam balizar um debate mais construtivo e plasmado no progresso?
      Primeiro argumento: o que é um ‘sectário’ e o que é um ‘sem noção’, no contexto
      sociopolítico? Esta é a primeira provocação. Ficarei aguardando suas inusitadas
      justificativas!
      Cordialmente,

  2. Com todo esse know how, deveria ser nomeado pra Secretaria de Educação de novo. Pra fazer uma gestão igual quela do governo Zito, ser desmoralizado de novo e acabar com essa lenga, lenga.

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