POR UMA AGENDA MODERNA E DEMOCRÁTICA PARA CODO
A presente reflexão analisa a fundo a crise sistêmica que o campo político codoense enfrenta no atual momento histórico em que se reflete na ausência de homens públicos briosos e verdadeiramente comprometidos com a causa popular – evidencia-se, na realidade, politiqueiros de carreira e oportunistas -, ou seja, determinado a conspirar pelos interesses dos menos favorecidos e, ao mesmo tempo, idealizar uma gestão efetivamente democrática para todos.
Nossa intenção, portanto, é propor uma concepção de natureza teórica – para além da atual quadra política que se manifesta cultural, historicamente e permanece na mesmice não oferecendo uma proposta que combine alianças com resultados amplos para a comunidade local.
Reformular esse conceito político – adestrado historicamente pela classe dominante – pressupõe antes de tudo, que haja uma bandeira a tremular no pavilhão da mudança estrutural perfazendo o caminho inverso – ou seja, partir para a construção de uma via capaz de aglutinar as diversas forças e correntes políticas oposicionistas -; objetivando inaugurar uma nova etapa histórica que não desvirtue, não desfigure de modo abrupto, os interesses populares e nem estilhacem suas esperanças; mas, contrariamente, reafirmar a nova política como instrumento revolucionário na perspectiva da sonhada transformação social.
As novas lideranças políticas que se insurgem no atual momento carecem de amadurecimento interno para debater a cidade com desprendimento e autonomia. Além disso, o principal líder desse novo movimento tem que estar preparado intelectualmente, deve conhecer e dominar a realidade social local; demonstrar que tem uma trajetória e, acima de tudo, compromisso com a classe trabalhadora.
A priori as articulações e movimentações em torno de um nome que seja leve, sem máculas, sem relações promíscuas e íntimas com os setores dominantes serão determinantes para o campo oposicionista se apresentar como alternativa democrática e popular.
Nesse processo de construção de alianças tático-pontuais é fundamental a resistência contra a ofensiva dos principais personagens que estão se digladiando cotidianamente – de um lado, o que deseja permanecer no poder e, de outro, a figura que representa o poder econômico do agronegócio – ambos defendem a tese que, apesar da atual crise, são as melhores opções políticas que estão postas na vitrine da sociedade civil para escolher um deles.
A sociedade civil tem que estabelecer uma ruptura com o velho e trazer para si o novo. Neste sentido, o que ela deve encaminhar como proposição indispensável é rejeitar por inteiro a cultura do atraso e do domínio que vem se arrastando ao longo do tempo.
O epicentro de todo esse processo de ruptura é compreender as dimensões que servirão de suporte para o povo se unir e marchar em ritmo cadenciado com essa frente democrática e popular.
A ala Oposicionista que vai conspirar em defesa dos interesses do povo tem que justificar sua luta por meio de um Programa Mínimo de Governo – que, no título acima, denomino de: ‘Uma Agenda para Codó’.
Se, de fato, a Oposição deseja ter êxito, deve palmilhar sua caminhada junto aos setores populares, dialogando abertamente sobre os problemas crônicos que são renegados por aqueles que, por puro oportunismo, se prontificam a solucionar tais demandas e, no final dos mandatos, elas permanecem do mesmo modo que anteriormente foram apresentadas. Esse típico retrato cultural conservador indubitavelmente precisa ser substituído por uma nova política baseada na verdade, no compromisso infalível e na necessária transformação estrutural desse modo viciado de se fazer ‘politicagem’; e, o resultado desse modelo falimentar é a sistemática prática da negação das políticas públicas a quem, verdadeiramente, deveriam ser implementadas.
Nossa cidade precisa mudar, e essa mudança não é apenas de boca. Ela tem que ser efetiva, concreta, com resultados palpáveis. Enquanto existir indivíduos oportunistas no exercício do poder recebendo o apoio popular, e sendo aclamado como um político bom e sem dar nenhuma justificativa porque fora conduzido; o estado de pobreza permanecerá por muitos anos ainda; por conseguinte, torna-se imperativo a ruptura popular com essa velha cultura, com esse velho politiqueiro travestido de novo. É fundamental que a sociedade civil reacenda seu espírito de luta e acredite no novo momento que se traduz na possibilidade de surgir o elemento que fará a diferença.
Por fim, essa nova liderança – que carrega a síntese da mudança política social – tem que ser capaz de dialogar e aglutinar forças democráticas em torno de si para consolidar o projeto político de transformação estrutural. E, para isso, é indispensável buscar os setores sociais organizados para consolidar o fechamento das alianças tático-pontuais. Essa tarefa não é fácil, requer do líder habilidade para convencer os possíveis aliados a ser parte constituinte desse extraordinário projeto político de transformação social creditado na democracia e na competência técnica.

