
Cansei de ouvir essa frase evocada pelo movimento conservador-liberal-nacional – isto é, pelos teóricos da ideologia liberal – que propagaram de forma aviltante nas redes sociais sua tacanha tática política para engabelar os menos atentos sobre a interpretação dessa frase presente na CF/88 (Art. 1º, § Único) e seu uso continum produziu e permanece produzindo uma massa acéfala, alienada convertida à falsa ideia de que, ao pronunciar tal frase estaria se protegendo de um inimigo e/ou outra ameaça.
Nos últimos anos somos testemunhas oculares de um processo político que tem como pano de fundo o questionamento da “liberdade de expressão”, do “direito de ir e vir” e, mais, precisamente, o receio de perder por completo sua “liberdade individual” por conta do pensamento de esquerda – especialmente, como modelo de governo – e, dessa forma, apregoam/disseminam sistematicamente nas mídias sociais, fakes de toda ordem com o propósito de instaurar o medo e o terror psicológico nas pessoas.
Contingentes seletivos de grupos e pessoas se mobilizam virtualmente para dar vida a um pensamento florido pelo ódio e pela violência não apenas simbólica, mas, sobretudo, material – chegando-se às vias de fato – contra quem se opõem à sua ideologia liberal. É nessa perspectiva que encontramos os valores morais e socais se antagonizarem e se enfrentarem. Mas, há uma distinção a ser feita entre quem defende o espírito ideológico liberal-conservador e quem defende a democracia como fonte insubstituível de um sistema que prima pela garantia das liberdades e direitos dos cidadãos. De um lado, o pensamento único, expressa a ideia da meritocracia como elemento determinante para o sujeito açambarcar o sucesso. E somente a meritocracia se mostra perfeita para o homem trilhar exuberantemente sua trajetória vitoriosa. Esse mesmo pensamento opõe-se ao pensamento dialético – progressista – argumentando que a representação estatal não pode ser o instrumento necessário para oferecer as condições ideais para o homem obter algo na vida; pois, o estado é um ‘monstro’ que prejudica o desenvolvimento pleno da sociedade e, portanto, deve deixar de se ‘intrometer’ na vida dos indivíduos, especialmente no campo econômico. Ora, nada mais contraditório do que esse discurso, pois, vivemos numa sociedade substancialmente capitalista e o que temos enquanto ganhos sociais? Recentemente, a reforma trabalhista, a terceirização e a tentativa de se fazer a reforma administrativa para condenar os funcionários a ter um trabalho precarizado. Esse é o dilema social do capital, quer tudo para si e nada para os outros ou, quando concede algo é sob uma intensa pressão de lutas!
Nós, inquirimos: o que é liberdade, senão um direito inalienável do indivíduo em realizar suas atividades laborais, em ir e vir sem ser admoestado por ninguém? Ora, o conceito de liberdade não transige a ideia equivocada de que posso fazer tudo que desejo confiado na própria definição de liberdade; até mesmo para a liberdade existem limites; desde que estes sejam respeitados; a liberdade, por conseguinte, não pressupõe rearranjo na desordem da ordem social estabelecida. Ela deve velar pela ordem desde que tal ordem tenha suas implicações democráticas. Nosso país respira ar de liberdade e democracia desde a ruptura histórica ocorrida a partir da segunda metade da década de 1980, quando o regime militar fora, literalmente, dissolvido pela pressão e luta popular.
E, aparentemente, constitui-se consenso ou liberdade, a possibilidade de achar que se pode desfazer um ato que, anteriormente, caracterizou a essência da participação social na política de forma determinante – a decisão emanada pelo povo não poder ser desfeita a bel prazer de determinada personalidade por entender que fora injustiçado no processo e, por conseguinte, houve uma fraude e não uma tomada de decisão oriunda do povo.
Precisamos, contudo, entender a sua formulação originária para diferenciar/distinguir o modus operandi no campo político e/ou social a partir de seus loquazes intérpretes. Esses intérpretes fustigaram a essência de tal definição; pois, na prática, ela nos confere o direito de intervir politicamente por meios legais e, nesse sentido, é muito clara: o seu pressuposto induz à participação sociopolítica da sociedade civil de forma ‘representativa’ – ou seja, por intermédio de eleições diretas escolhendo os ‘candidatos’ – ou, ainda, ‘diretamente’, em que pese o desejo do cidadão/indivíduo/sujeito de ser candidato para disputar uma vaga na esfera municipal, estadual e/ou federal (cargos proporcionais e majoritários). Ora, é visível a tentativa desse movimento conservador-liberal em subverter a lógica constitucional a um apelo ignaro na perspectiva de suprimir a legitimidade de um processo eleitoral para, inclinar-se ao malfadado gesto em golpear uma decisão tomada pelo povo contrariando a vontade do agente inimigo da democracia – no caso específico, o movimento conservador. Por tudo isso, verificamos o desejo intenso do conservadorismo instigando a sociedade à subversão da ordem instituída com palavras de ordem: ‘o poder emana do povo’; nitidamente, visando à desordem social e espalhar motins submetidos ao jogo proposto pelo sistema conservador derrocado.
O pressuposto constitucional garante ao povo uma opção: decidir o seu próprio destino ao participar das eleições. E o resultado tem que ser respeitado, pois, a configuração processual das urnas é sólida e, por sua vez, revelam-se eficazes.
“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
De per si, evidencia-se uma tentativa – por parte dos defensores da ideologia liberal – de fraudar intempestivamente, utilizando-se de sua primeira parte – definição normativa – como se a mesma tivesse apenas essa definição – ou seja, estabeleceram um corte epistemológico diametral para ferir a democracia como instrumento fundamental nas relações sociais, políticas e culturais do povo – e, ao mesmo tempo, conclamam uma “Intervenção Militar” para legitimar um novo regime. Ora, como depreender um discurso com a presença massiva do povo movimentando-se e pautando-se na definição da CF/88; visando debelar um governo e, elevar ao poder outro tipo de modelo político baseado na ‘força’? É inaceitável a demolição de um regime democrático, como estar proposto pelo conservadorismo por se tratar de mero objeto de apropriação do poder pelo poder e fazendo deste poder uma ditadura.
A convivência com a ditadura não pode ser um campo natural para um país que já dissolveu esse modelo na segunda metade da década de 1980. Justificar seu retorno é, no mínimo, uma ideia estapafúrdia, fora do lugar, especialmente, para os tempos modernos em que estamos vivenciando com total e plena liberdade, longe das amarras do medo e dos açoites, das ameaças sistemáticas e, particularmente, às torturas – tanto psicológicas quanto físicas a quem se opõem a tal regime.
Essa declaração – ‘todo poder emana do povo’ – tem um viés ideológico invertido e desproporcional quanto sua verdadeira essência.
Esse discurso oculta o verdadeiro sentido de seu objetivo e opera a estratégia de alcançar o poder estimulando à ‘desordem’ desnecessária.
Quando alguém expressa uma frase ‘valorizo minha liberdade’ vivendo num país absolutamente democrático, visivelmente, ele está propondo uma quebra do elo fundamental que sustenta a sólida democracia desse país.
Ora, a liberdade se nutre da perspectiva do sujeito viver sem nenhum embaraço, tendo sempre o cuidado de respeitar os liames constitucionais que circunda a relação social do país. Mas, quando alguém ouve que a sua liberdade estar sendo tolhida – e, no fundo, não existe nenhuma coação, coerção por parte do próprio estado enquanto representação elementar social – este sujeito está defendendo uma tese falaciosa e sem base.
Por fim, o poder que emana do povo deve ser respeitado! Seja em qual for a circunstância histórica. Deixarei como exemplo a vontade popular explicitando o conceito acima mencionado para simplificar a compreensão daqueles alienados que até a presente data se queixam dos resultados: as eleições de 2018 fora a vontade oriunda do poder que emana do povo e, de igual modo, as eleições de 2022, sem nenhum traço de mimimi, simplesmente, a vontade popular, respeitem-na!


O melhor ganho do blog, o dono recebe e ninguém ler nada a mais do que o título, kkkk
esse ai, e um débil mental, esquerdopata, só enxerga o ladrão de nove dedos.