Por Walterli Lima – SOBRE A CONSTRUÇÃO DE UNIVERSIDADES NA AFRICA COM FINANCIAMENTO DO BRASIL

ALUSIVO AO 20 DE NOVEMBRO .
(DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA ).

SOBRE A CONSTRUÇÃO DE UNIVERSIDADES NA AFRICA COM FINANCIAMENTO DO BRASIL

Por prof Walterli Lima

Um recente estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômica Aplicadas (Ipea) comprovou que apenas acesso à educação básica não é suficiente para reduzir a desigualdade no Brasil. Fato este, é comprovado claramente ao vermos que grande parte dos nossos alunos, principalmente das escolas publicas , ao findarem o ensino médio caem na ociosidade , não avançando às universidades e muitas das vezes sem oportunidades no mercado de trabalho.

Em rodas de conversas sobre o assunto é corriqueiro falar-se dos investimentos financeiros do Brasil na construção de universidades na África, tema que gera polêmica e controvérsias.

Respeitando as opiniões contrarias resolvi expor meu ponto de vista tendo como inspiração o discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, na conferência dos chefes de Estado da União Europeia, Mercosul Caribe, em maio de 2002 em Madri , no qual defendeu ironicamente o pagamento da dívida externa ao seu país, o México, contraída pela Comunidade Europeia referente aos milhões de toneladas de ouro e prata extraídos no seu país para a construção da Europa.

Apesar dos tímidos avanços na educação básica e superior no Brasil é evidente que precisamos ir muito mais além , ampliarmos os investimentos e melhorarmos o acesso e qualidade.

E sobre a construção de universidades na África?

Ao meu ver o Brasil apenas está pagando parte de uma divida histórica com o povo africano.

Exploramos dessa gente não ouro e prata se suas pobres terras, mas algo muito mais valioso , suas vidas regadas de fome e miséria.

Com o suor das mãos escravas dos negros africanos construímos nosso país, e o que oferecemos em troca ?

A morte de dezenas de gerações confinadas em senzalas abafadas expostas a maus-tratos até não mais resistirem a fome e ao trabalho forçado .

Foram 300 anos de muita injustiça.

Ainda devemos muito a este povo.

Em analogia às palavras do índio mexicano Guaicaípuro Cuatemoc aos europeus sobre o peso do ouro e prata extraído seus terras pergunto , quanto pesaria isto em sangue e vidas?

Neste contexto, as polemicas construções de universidades na África seriam apenas pagamento de parte dos juros do nosso debito , e como não temos dinheiro para tal teríamos que entregar o pais inteiro como pagamento de nossa divida histórica.

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