Por Xico Paiva – Alfabetizar a escola e alfabetizar na escola

São frequentes os casos de pessoas que foram à escola um, dois, três anos ou mais e não conseguiram adquirir habilidades de leitura e escrita. Esse cenário é realmente complexo, pois temos que assumir que muitas escolas não são mais escolas, ou seja, não educam. Por que isso ocorre?

Esse fracasso é em parte explicado pela “política” (uso eleitoral do termo). Alguns podem questionar: mas a educação é pauta principal de todo partido ou plano de governo? É verdade. E o problema é esse. Os “partidos” perceberam que sem falar de educação, sem propor programas, projetos, leis educacionais não é possível ganhar eleição, uma vez ganha, os governos esquecem suas proposições educacionais, ou seja, a educação é uma peça de marketing eleitoral, um discurso sedutor, uma cantada eleitoral, nada mais.

Aliado a isso, a pressão que as escolas sofrem para seguir o roteiro dos exames nacionais terminam por “pasteurizar” as unidades de ensino. Foca-se mais em como obter uma maior nota nas avaliações padronizadas do que propriamente em considerar as demandas de aprendizagens dos discentes; é mais proveitoso trabalhar conteúdos disciplinares sem considerar as barreiras cognitivas dos estudantes, ou seja, o ranking é mais importante que os sujeitos, afinal, o “sistema municipal”, tem que ficar “bem na fita”.

É preciso considerar ainda que muitas instituições de ensino estão presas ao formalismo técnico, legal e pedagógico e sem ver ou questionar o óbvio: não estamos sendo eficientes naquilo que nos propomos fazer, educar. Escolas que não educam negam o direito à educação de seus alunos. Afinal, o direito à educação não está garantido quando os alunos entram na escola, ao contrário, ele é materializado quando os discentes conseguem aprender, compreender, ler o universo e seu entorno.

Em resumo, a escola precisa ser educada, porque o idioma que ela domina não faz parte do reportório dos novos estudantes. Ela quer “ensinar”, mas nem sempre ensina, ele quer passar de ano, mas nem sempre passa. Observa-se que as lógicas são distintas e cada um fica isolado em seu “diálogo mudo”. Quem deve ouvir quem? É lógico que a escola deve ouvir e levar em consideração a fala dos discentes e deixar de impor lógicas externas.

Finalmente temos que reconhecer que nossa escola precisa ser uma escola do presente e não somente no presente. Para tal, a escola precisa ser alfabetizada antes mesmo de alfabetizar “as novas gerações codoenses”.

Por Francisco da Silva Paiva – Técnico em Assuntos Educacionais

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