Li, um artigo interessante publicado no sitio da Boitempo, assinado pelo sociólogo uspiano Carlos Eduardo Martins, com um sugestivo título: “As esquerdas na encruzilhada: eleições, crise do centrismo e o quadro político brasileiro”.

Tal artigo em seu bojo tem quatro subtema e, a partir deles, pretendo estabelecer uma comparação com a esquerda codoense e, especialmente, o PT local. O autor evoca a campanha eleitoral de 2014 e seus efeitos negativos para o PT de uma forma geral por conta dos seguintes pontos identificados:

  1.     Apesar de sair vitorioso na campanha presidencial, o PT se retraiu (diminuiu de tamanho), em relação ao número de sua representação política (bancada) no Congresso Nacional;
    2.      Perde, também, importante estado estratégico como o Rio Grande do Sul;
    3.      Traça um importante paralelo sobre a postura assumida pelo governo Dilma à sombra do populismo e, paralelamente, não consegue identificar o ‘inimigo’ – no conjunto das manifestações de junho de 2013 – ou, pelo menos, não quis promover um confronto imediato e direto com a direita reacionária e conservadora peessedebista;
    4.      Identifica, estatisticamente, os manifestantes conforme sua classe social que representou 71% da classe média-média e baixa naquele evento;
    5.      E, por último, ele toca numa questão chave para o segundo governo de Dilma Rousseff: Qual sua Agenda. Ela romperá com o centrismo petista?
    Sim, de fato, o PT realiza uma grande façanha ao vencer as eleições presidenciais mediante a intensa campanha do dispositivo midiático e o conservadorismo representado pelo PSDB – diante da crise gerada pelas denúncias no interior da mais importante estatal do Brasil: a Petrobrás.

Mas o cerne de meu argumento não se volta para uma análise da conjuntura nacional e/ou internacional, mas, sim, para o PT em Codó.  Gostaria, portanto, de apresentar alguns pontos essenciais para servir de escopo aos dirigentes petistas visando resgatar o partido do esgoto em que se acha:

  •      Qual medida será tomada em relação ao parlamentar cujo nome não ouso pronunciar por sua conduta desonesta em plenário da Casa Legislativa Municipal?
    Ø      E sobre o filiado que, no segundo turno, apoiou publicamente, o candidato adversário do PT nacionalmente?
    Ø       Quando o PT resolverá tal “pendenga”? Será que haverá uma possível varrição para debaixo do tapete da sala de reuniões?
    Ø       E a Direção Estadual não se manifestará neste vergonhoso caso?
    Sob esses quatro apontamentos espero ver alguma atitude por parte dos “intocáveis”, dos “éticos” e “coerentes” dirigentes petistas; inclusive, a própria sociedade civil está acompanhando essa dramática situação que coloca em xeque novamente a conduta do PT e de seus dirigentes acima de quaisquer “suspeitas”.

Agora, mais do que dantes é fundamental um posicionamento imparcial para restaurar a espiritualidade petista, caso contrário, afundar-se-á no lamaçal da descrença popular.

Outro fator proeminente que não pode ser esquecido: aonde se encontra o projeto político alternativo do PT? Qual seu projeto para a comunidade codoense? Ou, será que a direção partidária reproduzirá os mesmo atos tolos de outrora? Em quê, afinal, o PT se transformou? Em um partido para servir a comunidade ou para servir a burguesia conservadora extremista?

O PT precisa se diferenciar! E tal diferença não tem como base teórica a subordinação a um grupo da extrema direita. É visível o seu esfacelamento. Não há unidade interna, e, aparentemente, segue-se cada dirigente seu caminho particular.

Essa postura não convém para o crescimento do partido, ao contrário, impede-o de tornar-se uma verdadeira alternativa na perspectiva de uma mudança significativa na base social.

Se, por acaso, os dirigentes não se desvincularem do discurso falacioso sobre as alianças táticas e estratégicas e continuarem a manter o mesmo procedimento, o PT permanecerá sob a sombra da burguesia reacionária e conservadora e, isso, o compromete violentamente enquanto instrumento tático da classe trabalhadora.

A esquerda codoense carece urgentemente se realinhar de sua tática e de sua estratégia visando à apropriação do poder político local. Uma pré-condição é a indispensável construção de uma Frente de Esquerda Ampliada – neste espectro, o componente fundamental é trabalhar a ideia unitária entre as forças progressistas, ou seja, PT, PCdoB, Psol, PSB.

A tarefa para consolidar esse projeto da Frente de Esquerda está para além de um pensamento egoísta, ou da individualidade de uma figura pública, mas, sim, conforme a tendência popular em perceber isso como uma possibilidade efetiva de alternância de poder sob a égide de um agrupamento totalmente comprometido com as mudanças sociais históricas.

A esquerda codoense não pode se dar ao luxo de querer conquistar o poder individualmente, precisa compreender que a composição de uma Frente Ampliada é fundamental para instar o refluxo da burguesia ou, melhor, remexer com as estruturas  conservadoras.

Em recente artigo já proponho essa questão. O PT pode fazer esse papel e, desse modo, poderá reacender a perspectiva da confiança popular em seu legado outrora esquecido!O esforço quádruplo a ser desenvolvido pelo PT não será fácil: primeiro precisa se livrar da condição  de subalternidade à alta burguesia da extrema direita; segundo, necessita construir seu projeto político alternativo de governo; terceiro, preparar-se para disseminar a ideia da construção da Frente de Esquerda Ampliada no campo progressista; e, quarto, lançar uma candidatura independente, autônomo e popular.

Se o PT conseguir articular esses elementos poderá restituir sua condição efetivo de partido oposicionista propositivo, assim como o é os demais partidos do campo progressista existentes em nossa cidade.
O caráter tático da construção de uma alternativa democrática perpassa pelo mecanismo da unidade na diversidade. A estratégia é conseguir mobilizar as massas populares em defesa dessa Frente de Esquerda Ampliada.

Não há outro caminho para se pensar numa perspectiva inovadora, a consciência social e política dos representantes do campo progressista deve medir a importância desse gesto histórico. Será a primeira composição pensada num marco histórico com profundas fissuras no campo conservador.

Fragilizar a alta burguesia passa, inevitavelmente, por essa tática e, aí, a esquerda codoense poderá pressupor a possibilidade concreta de conquistar o poder político local tendo como principal aliado o povo organizado em sua base.

Ao PT compete esse rigoroso processo mundacista interno e externo para configurar uma nova realidade política frontalmente livre de seu passado recente e de seus erros infantis e desnecessários. O PT não pode se escusar sob o discurso das alianças, para, assim, se tornar meramente um apêndice no processo de disputa renhida no campo da alta burguesia conservadora.

Esta é a única forma e/ou oportunidade para o PT se livrar de seu fantasma impudente. Reafirmar sua condição autônoma, independente e com uma proposta alternativa constitui a principal formula para que o conceito benévolo seja incorporado definitivamente em sua história restituída.

O PT tem de oferecer a si mesmo a imperiosa condição de retorno ao seu legado, ao seu primordial assento ideológico como sinalização para uma mudança radical e democrática em sua perspectiva transformadora. Essa é a única exigência histórica para sua história ser redimida por inteira. O contrário disso implicará, definitivamente, em seu desaparecimento como partido verdadeiramente democrático e socialista.

POR JACINTO JUNIOR

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