O discurso que permeia a educação tem como pano de fundo a sua qualidade e equidade social, isto, está manifesto nos documentos oficiais. Ora, avaliar o discurso que transita – tendo como suporte teórico, os instrumentos acima mencionados – no meio acadêmico e também na sociedade civil como um todo e, de modo ‘especial’ na fala do homem público, o infalível compromisso de fazer o melhor por esse setor estratégico revela-se, uma falácia inquestionável. Tal contradição denuncia o lapso e/ou o ato falho do homem público em renegar o óbvio que tanto assediou como elemento prioritário no decurso de um processo eleitoral e, assim, convencendo pessoas a acreditar em suas inverdades e, ao mesmo tempo, convencido de que fará uma repaginada na estrutura de governo de tal monta que seu nome ecoará por todo o universo.

Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo

A contemporaneidade sob o domínio tecnológico (a chamada terceira revolução) tem proporcionado uma perspectiva inovadora para governantes conservadores apostarem tudo na mídia. A mídia por sua vez, tem o papel diretivo para gerar uma realidade conveniente aos interesses desses governantes totalmente parciais. Ou seja, mesmo sob o crivo de uma profunda rejeição pela sociedade em relação a esses governantes hipócritas e desonestos intelectualmente, sem pudor e sem ética, e pela incapacidade em resolverem com eficiência problemas sociais históricos, utilizam a mídia – radiofônica, televisiva e as redes sociais – mostrando um lado superficial daquilo que, a princípio deveria ser meramente uma ação coordenada resultante de sua obrigação, é, na verdade, construída uma versão extraordinária como se tal feito constituísse uma ação revolucionária e que seu reflexo tornar-se-á um ato incomum e admirável. A mídia, nesse processo exerce um papel determinante sob o ponto ideológico e estabelece uma orientação que afeta diretamente o cidadão e cidadã que, em sua maioria, estão destituídos de uma capacidade teórico-reflexivo-crítica da singularidade representativa desses governantes mentecaptos e insensíveis. Sob esse espectro, a historiografia tem nos mostrado que a mídia cumpre e desempenha essa fórmula com grande mestria e consegue proteger – blindar – os governantes descompromissados com sua função pública.

Nesse processo conflitante – em que pese a presença de indivíduos comprometidos com a luta pela qualidade da educação – os governantes tentam impor uma realidade falsa de que estão proporcionando uma verdadeira revolução no sistema educacional, quando o quadro colorido apresentado por esses governantes através da mídia concretamente se esfarela com sua dura realidade marcada pelo mais completo abandono. É fácil estabelecer uma distinção entre o real e o ideal especialmente, quando o ideal afronta o real em sua essência. O sistema encontra-se debilitado, mais do que isso, encontra-se falido, nada funciona: escolas por fazer, obras inacabadas e paralisadas, escolas funcionando pela metade e outras não funcionando ainda etc., etc.

Há uma equidistância frontal entre o que realmente é daquilo que se deseja ter. O ter apenas teoricamente não compromete um processo de transformação, é mais significativo realizar uma ação do que dizer que vai fazer sem fazê-la. O não fazer se mistura ao ambiente da descrença e a descrença passa a ser a desesperança e a desesperança torna-se a última instância de um processo ultrajado; e o ultraje mede a distância entre os governantes que, de fato, são menores por aquilo que representam politicamente daqueles que, literalmente, são grandiosos por sua expressão inacabada da resolutividade, pela eficiência e pelo compromisso de fazer acontecer. É possível verificar essa distinção pelo modo característico que assume cada governante em sua função pública. Quando institui com responsabilidade a transparência e respeita a democracia; quando fortalece a participação popular e promove a paz social com a aplicação das políticas públicas.

Assim, o setor educacional deveria ser a prioridade absoluta. A essência de uma química perfeita onde os diversos atores sociais se relacionariam harmonicamente. Porém, a conduta inversa gera a instabilidade e a insegurança e, como consequência, projeta prejuízo no processo ensino-aprendizagem.

Um governante progressista não pensaria em redução de custos no setor tão importante como o sistema educacional. Ao contrário, tenderia a restituir-lhe o lugar de supremacia e sua devida valorização.

Governos passam – alguns com total desprezo pelo processo educacional e, outros, em menor grau, fingem proporcionar a devida atenção à ponta do “iceberg” do pleno e alvissareiro desenvolvimento – e o sistema educacional permanece praticamente com o mesmo vício: estagnado.

A luta pela qualidade do ensino público e a constate preparação do profissional para processar uma aula atraente e dinâmica com material didático-pedagógico à disposição tanto do educando quanto do educador não tem sido a prioridade. A escola como palco desse cenário fundamental não está cumprindo com sua função social, inversamente, tem gerado um fluxo de gentes sem perspectivas de futuro. É notória a dura realidade de como se manifesta o conflito desnecessário e evitável entre os envolvidos no processo ensino-aprendizagem. É visível a estranha aparência de nossas unidades de ensino. Parece mais com uma casa-fantasma, triste, sem vida, apática e opaca.

A carência de um mundo lúdico compromete profundamente o nível de aprendizagem e o livre desenvolvimento intelectual do educando. Os especialistas – psicólogos, sociólogos, pedagogos e filósofos denunciam com todas as letras esse horrendo quadro processual. Aqui não nos interessa ater-nos a determinadas teorias e metodologias, mas, apenas dimensionar o dramático processo que se manifesta em nosso cotidiano com resultados absurdamente comprometedores.

Repito: não pretendo estabelecer diretrizes pontuando teorias, mas, sim, introduzir uma factível realidade que nos atormenta intensamente, e, com isso, provocar o debate com maior evidência não apenas com os profissionais, mas, sobretudo, com o poder público que se constitui o centro da temática. O poder público tem a responsabilidade direta para redefinir o atual e delicado quadro de crise institucional que pesa sobre a estrutura educacional.

E quais seriam os mecanismos para inverter essa lógica que desanima o corpo docente e gera uma insatisfação ao corpo discente? Será que o educador é capaz de promover um processo de letramento apenas usando o tradicional quadro-negro como recurso pedagógico para atrair o educando e, desse modo, transformá-lo num habilidoso e dialético sujeito socialmente crítico? A tarefa de hominizar o sujeito vai para além dessa instrumentalidade passiva. O educando precisa se reconhecer como tal – nesse processo dialético – e como tal saber conviver num mundo que tem como base elementar o conflito social em todas as suas dimensões. Cabe, por conseguinte, ao mediador do conhecimento – o educador – a ensiná-lo com afeição, sendo solidário e, acima de tudo, amoroso – no sentido freiriano – e respeitando a individualidade do educando diante do mundo e sua história de vida.

Uma transformação educacional e cultural de uma sociedade e de um povo, não ocorre de uma forma ‘mística’, como num passe de mágica com uma ‘varinha de condão’. Na verdade, requer tempo e que surja, efetivamente, uma nova geração comprometida com essa causa fundante. Do contrário, o velho permanecerá velho se travestindo do novo com o espírito do passado inerte. Cito como exemplo, a Suécia que levou 200 anos para construir e consolidar sua democracia instituindo um modelo padrão-transparente com a presença forte do estado na vida de seu povo. Lá não existem escolas particulares. Portanto, o que é fundamental numa gestão pública é a vontade política em superar o personalismo, o triunfalismo, a mitologização doentia que incarna o indivíduo a-histórico e que o faz pensar ser um grande realizador social; quando na verdade, é um completo medíocre caracterizado pela aparência de mico.

O fundamento para entrarmos na modernização que exige a história é pela ponta do “iceberg” da educação, inevitavelmente não há outra perspectiva, não há outra porta, não há outro caminho.

Aquele governante que não se alinhar com essa vertente, estará comprometendo a base de um futuro altaneiro de sua cidade, de seu estado e de sua nação. O governante que alude um discurso pequeno e cheio de defeito, reforçando a ideia de que é impossível fazer investimento no sistema educacional por falta de recursos financeiros, definitivamente, sintetiza seu comodismo e assinala de forma descarada uma deslavada mentira, e uma clara tentativa de negar e/ou prestar esse serviço essencial à população. Nesse discurso emblemático podem-se distinguir duas vertentes e ambas com a mesma característica: a primeira tem em sua base a destituição da coragem. Coragem do governante em querer transformar e modificar a realidade em sua essência, oferecendo oportunidades; segundo reproduz de forma sistémica, o inteiro e inequívoco erro de não investir pomposamente o devido capital na melhoria do sistema como um todo. Se, de um lado, houvesse a predisposição do governante em proporcionar o desenvolvimento permanente – e, diga-se de passagem, que os recursos financeiros do FUNDEB são suficientes para reformular e fomentar a qualidade do sistema educacional em sua base – dos processos democráticos educacionais, certamente que, as condições seriam outras e bem avançados; de outro, o conjunto dos profissionais estariam desinibidos de sua responsabilidade de operar suas funções colaborando para a redescoberta do fazer pedagógico e o constante aprimoramento do ato de ensinar-aprender concomitantemente.

Que dificuldade encontra esse governante para desenvolver uma política progressista educacional se os recursos financeiros caem decenalmente nas contas do FUNDEB? Argumentar que tais recursos são insuficientes é querer nos convencer de que existem duendes verdes e fada-madrinhas em nossa sociedade e, por isso mesmo, quem os achá-los encontrará o tesouro que salvará sua vida da miséria que campeia seu cotidiano e fragmenta seus sonhos inócuos de viver uma vida decente.

Entendemos que obedecer aos tramites legais – a LBD, o PNE, o PME, PCCS – tudo se encaixará e o processo educacional vai ganhando sua dimensão na promoção da cidadania, da formação intelectual do educando, da paixão do educador pelo ato de ensinar, sem prejuízo da valorização do Magistério; enfim, é possível sim, investir na educação com qualidade e equidade social. Esse é o caminho que qualquer gestor público sensível e progressista seguiria visando o desenvolvimento da sociedade garantindo um futuro melhor para a geração que estar por vir, ao mesmo tempo, consolida as bases indispensáveis para uma sociedade democrática e participativa.

A omissão dessa tarefa histórica constitui o maior crime que se pode nomear a um dirigente político que deixou de realizar com proeza, responsabilidade e lisura; compromisso e desprendimento seu papel como homem público.

Por Jacinto Junior

8 Responses

    1. Como falar em qualidade e equidade, se como gestor em 04 anos e Assessor em maus 04 NÃO existiu educação seja de qualidade e muito menos com equidade?

  1. Texto longo e confuso. Misturando educação com ranço ideológico partidário. Se fosse uma resenha valendo nota, não obteria mais do que 4,0 e olhe lá.

  2. O caminha é nunca mais achar um doido que te indiques para ser Secretário…tú fostes uma verdadeira calamidade na educação de codó

  3. Acho legal é as fotos dele , me acabo de sorrir kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk e ainda com essa legenda a piada fica melhor (Professor Jacinto Junior – um pensador contemporâneo) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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