Telexfree vai ter sequestro de bens e quebra de sigilo

VITÓRIA – Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal realizaram uma operação de combate a fraudes envolvendo a prática de pirâmide financeira pela empresa Telexfree no Espírito Santo. Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços de Vitória e Vila Velha que são ligados a empresa.

A 1ª Vara Federal Criminal de Vitória, que expediu os mandados, também determinou o sequestro de valores e de bens imóveis dos investigados, o bloqueio de contas e a quebra do sigilo bancário e fiscal da empresa e de outras seis pessoas, todas ligadas à Telexfree no Espírito Santo.

As investigações começaram em dezembro de 2013 e revelaram que pessoas eram assediadas a fazer parte da Telexfree mediante o pagamento de taxas para que se tornasse um divulgador de sistemas de telefonia.

Segundo o inquérito federal, a rede construída pela empresa tinha abrangência mundial e não condicionava os ganhos dos divulgadores à venda ou revenda dos serviços de telefonia, mas principalmente à busca de novas adesões à rede.

“Isso torna o esquema lucrativo somente para os membros que figuram no topo da pirâmide. O número de divulgadores prejudicados com a ação da empresa já ultrapassa um milhão de pessoas”, informou a Receita Federal em nota.

Em 24 de julho, a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da operação, realizando buscas nas residências de sócios, sede da Telexfree e escritórios de contabilidade que prestavam serviço à empresa. A análise da documentação apreendida e das movimentações financeiras dos investigados conduziu à segunda fase da investigação, que tem por objetivo recuperar parte do dinheiro obtido com os investimentos feitos por milhares de pessoas na Telexfree.

Segundo as investigações, o capixaba Carlos Wanzeler, o carioca Carlos Costa e o norte-americano James Merrill “optaram por participar de uma conspiração para arrecadar, de forma fraudulenta, centenas de milhões de dólares ao redor do mundo”. Os responsáveis pela empresa podem responder por crimes contra o sistema financeiro nacional (oferta pública de valores mobiliários sem registro junto à Comissão de Valores Mobiliários); contra a economia popular (pirâmide financeira); evasão de divisas; lavagem de dinheiro; e sonegação fiscal.

Os empresários e seus familiares têm patrimônios, até agora revelados, de R$ 67 milhões. São ativos em conta-corrente, fundos, imóveis de luxo, iates e carros, mas a fortuna pode ser ainda maior. Serviços de monitoramento de transações bancários nos EUA mostram que muitos recursos foram encaminhados do Brasil para a Telexfree americana e depois desviados para contas dos empresários e de familiares em instituições bancárias na Republica Dominicana, Reino Unido e Cingapura.

A Telexfree movimentou no Brasil R$ 1 bilhão entre janeiro de 2012 e junho de 2013, mês de bloqueio das atividades por ordem da justiça. Até abril passado, o negócio pode ter captado R$ 3 bilhões e envolvido um milhão de pessoas. A maioria não recuperou o que investiu. Atualmente, a Telexfree é alvo de uma ação civil pública na 2ª Vara Cível Estadual de Rio Branco, no Acre, que pede o fim da empresa e a devolução do dinheiro, e também é alvo de um inquérito criminal federal na 1ª Vara Federal Criminal de Vitória por causa da prática de pirâmide.

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Além disso, é alvo de investigação nos Estados Unidos por causa de fraude eletrônica por uma pirâmide financeira. A Justiça americana, inclusive, determinou em abril o congelamento dos bens do grupo Telexfree. O pedido foi feito pela Securities and Exchange Commission (SEC), órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira, e determinado pelo Tribunal Distrital de Boston.

A Telexfree foi procurada, mas não se manifestou sobre o caso.

*Especial para O GLOBO

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