ARTIGO: A culpa não é da sociedade

Outro dia, assistindo ao noticiário da TV, deparei-me com uma cena impressionante. Uma garota Chinesa, de apenas 2 anos de idade, foi seguidamente atropelada por dois automóveis e ficando completamente ignorada, sem nenhuma prestação de socorro, pelos transeuntes que passavam no local. Não me conformando com a ligeira reportagem do jornal recorri à Internet, na intenção de uma melhor análise dos fatos, deixando-me mais estarrecido.

A cena era forte, mas a indiferença que os pedestres do fatídico lugar mantinham em relação a vítima era tão terrível quanto ao próprio acidente. Um sociólogo Chinês, prontificando-se em analisar o comportamento insensível daqueles Chineses, manifestado nessa ocasião, justificou o ato blasé da seguinte maneira: A culpa é do capitalismo, concluiu.

A China, país símbolo de um sistema totalitário completamente sucateado chamado comunismo, foi conduzida por vários anos por um tirano (Mao Tse Tung) e doutrinada pela revolução cultural. De um regime de produção planificada ela emerge, agora, para uma economia de mercado inserindo-se de vez na globalização. Nas palavras do sociólogo é ai que mora o perigo, pois ele afirma que o capitalismo gera competitividade que gera “humanos mais desumanos”. Ledo engano!

Alguns sociólogos e engenheiros sociais fajutos têm a intenção de justificar os erros e irresponsabilidades de alguns colocando a culpa dos deslizes na globalização ou na própria sociedade, tirando dos infratores o peso da responsabilidade e fazendo deles eternas crianças ou vítimas sociais.

Shakespeare, sempre eterno, em sua monumental obra Rei Lear, escreve: “Esta é a grande tolice do mundo, a de que quando vai mal nossa fortuna -muitas vezes como resultado de nosso próprio comportamento-, culpamos pelos nossos desastres o Sol, a Luz e as estrelas, como se fôssemos vilões por fatalidade, tolos por compulsão celeste, safados, ladrões e traidores por predominância das esferas, bêbados, mentirosos e adúlteros por obediência forçada a influências planetárias”.

Hoje, ao invés do sol, da lua ou das estrelas, os engenheiros sociais culpam o sistema, a mídia e o capitalismo pelo fracasso dos outros. A ideia que se constrói de um sujeito como vitima social faz dele um mentiroso, preguiçoso e motiva-o cada vez mais para a reprodução das suas infrações.

Somos livres o bastante para sermos responsáveis por aquilo que decididamente cometemos para o bem ou para o mal. A sociedade não é um ser vivo, ela é constituída por seres que condicionam características e idiossincrasias diferentes. Caetano Veloso, na sua música “Dom de Iludir”, já confirma: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é…”

O ser humano não pode ser considerado uma construção social. Embora ela tenha relevância em nossas vidas, assim, como um peso de uma folha seca sobre a palma de nossas mãos. O problema do ser humano não é social, ledo engano, o problema sempre será moral.

(Kleber Santos)

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