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quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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ARTIGO – O fim do dinheiro como conhecemos

Entre tantas revoluções pelas quais o dinheiro já passou, desde as moedas de ouro e prata ao cartão de crédito, voltamos agora a atenção para um movimento de mudança radical. Graças aos avanços tecnológicos, chegamos às criptomoedas. Tal qual as convencionais, as criptomoedas podem ser compradas e negociadas, e, a partir daí, serem utilizadas para adquirir desde serviços online até apartamentos, matéria-prima etc. No Brasil os estabelecimentos comerciais ainda resistem, mas ao redor do mundo alguns países já estão inclusive regulando a utilização da moeda.

A criptomoeda é considerada uma moeda fiduciária, ou seja, não possui lastro em metal, não tem representação física e é controlada por meio da tecnologia blockchain, que garante a segurança do sistema. Especialistas estimam que até 2027 cerca de 10% do PIB mundial estará armazenado em tecnologia blockchain.

Exemplo das criptomoedas, os bitcoins são virtuais, independentes e sem regulação de qualquer entidade, não existem em locais virtuais, como correios eletrônicos ou armazenamentos em nuvem, e muito menos em locais físico/virtuais como hard drivers ou pen drivers. Para “materializar” um bitcoin ou visualizar o balanço de sua conta corrente é necessário relacionar diferentes registros de transação dispostos em uma rede de bloco virtual (blockchain), que só podem ser consolidados mediante uma chave privada. No Fórum Econômico Mundial de 2017 as criptomoedas e o blockchain foram relacionados com temas como confiança nas negociações, mudanças nos serviços financeiros e outros impactantes para o cenário econômico mundial. A discussão se iniciou principalmente pelo potencial que essa tecnologia tem para dificultar tentativas de esconder ou disfarçar transações.

Apesar de uma pesquisa da consultoria PwC apontar que menos de 5% dos bancos estão bem familiarizados com o assunto, em agosto de 2016 os bancos Bank of America e HSBC revelaram ter construído uma aplicação para melhorar transações com letras de crédito. A atenção das instituições financeiras tem motivos, pois o blockchain permite que grandes volumes monetários sejam arrecadados, sem taxas ou desvios e em tempo real. Sem dúvida o blockchain irá impactar bancos, seguradoras e intermediadoras de pagamentos, mas existem infindáveis possibilidade em marketing, serviços sociais, vendas, a exemplo do que ocorreu como Uber, Airbnb e eBay.

Se esse modelo for aplicado, atividades hoje muito presentes tendem a desaparecer. Muitos dos especialistas que anteciparam e antecipam movimentos do mercado, como Don e Alex Tapscott, autores do livro Blockchain Revolution, apontam grandes mudanças em modelos de negócio que exigem intermediação, como os cartórios, que realizam atividades para garantir que as informações apresentadas por cada uma das partes em uma negociação sejam verdadeiras.

Em breve ao adquirir um imóvel, automóvel ou uma laranja orgânica poderemos consultar um blockchain que possuirá todas as informações históricas, sem a necessidade de uma entidade intermediadora. Será possível, a partir de um smartphone, realizar a leitura de um QR Code que detalhará todas as manutenções realizadas no imóvel, todas as vezes que o seguro de um automóvel foi acionado e até mesmo se a fazenda que vende orgânicos realizou recentemente a aquisição de agrotóxicos.

Como se não bastasse, a criptomoeda já é uma possibilidade disseminada de investimento, e vemos o reflexo disso nos seus preços. A cotação da moeda virtual bitcoin em comparação com o real, saiu do patamar negociados abaixo de R$ 1 mil reais, em 2015, para a cotação de R$18.000, mais de 1.800% em apenas dois anos. Ao que tudo indica, o título deste artigo não contém exageros.

*Christian Geronasso e Patrick Silva são membros do Comitê Macroeconômico do ISAE – Escola de Negócios

Acélio Trindade

Acélio Trindade

Autor no Blog do Acélio.

9 comentários

  1. Tudo leva crer que em pouco tempo a profecia divina se cumpra “Ninguém poderá vender ou comprar nada a menos que tenha a marca da besta cravado na testa” Apocalipse.

  2. Agora falando sério. A menos que ocorra alguma revolução, nunca que os governos adotariam as criptomoedas. Essas não podem ser controladas pelos governos, não podem ser criadas, como os governos fazem com a moeda de papel. As criptomoedas foram projetadas para funcionarem como ouro, elas são “mineradas” e tem quantidade fixa a ser minerada, isso significa que um dia a quantidade de moeda não poderá mais ser aumentada, quase como era quando o oura era a moeda. Acontece que os governos se livraram dos lastro em ouro justamente por essa “deficiência” pois o objetivo era controlar a economia e não deixar tudo por conta do mercado. Por isso, nunca que os governos adotaram as criptomoedas.

    1. Mas a grande vantagem das criptomoedas é justamente não ser “adotada” por qualquer governo. O fato do Bitcoin funcionar como se fosse ouro é que faz com que ela seja constantemente apreciada. Depois que as moedas estatais deixaram de ser lastreadas é que a constante inflação de preços se tornou o padrão no mundo.

      O lastro em ouro não era uma “deficiência” de mercado. Pelo contrário, era a forma de impedir que os governos expandissem muito a oferta monetária e causar desvalorização da moeda e inflação de preços constantes. Veja o Real: desde sua criação ja perdeu 82% do seu valor de compra inicial.

      1. Pedro, eu coloquei as aspas em deficiência, justamente porque não é. O governo é que usou isso como justificativa para acabar com o lastro em ouro. Não estamos discordando em nada. Pelo menos para quem acredita na liberdade econômica, livre mercado.

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