Campanha presidencial nacionaliza a corrida eleitoral no Maranhão

A declaração de apoio do PSDB ao pré-candidato do PCdoB ao Governo do Estado, Flávio Dino, ocorrida na terça-feira, dia 15, em Brasília, acendeu um sinal de alerta entre oposicionistas e deu aos aliados petistas do senador Edison Lobão Filho (PMDB) a certeza de que, com o movimento, os comunistas acabaram nacionalizando a disputa eleitoral maranhense e aproximando ainda mais o PT do PMDB.

Edinho, Lobão e Lula
Edinho, Lobão e Lula

Entre os observadores da cena política mais ligados a Dino, existe a convicção de que o comunista – que foi auxiliar da presidente Dilma Rousseff (PT) até janeiro e de quem se dizia aliado e admirador – perde eleitores ao garantir no Maranhão palanque ao maior adversário dela, o senado Aécio Neves (PSDB).

De outro lado, membros do PT entendem que, mais do que perder o apoio do partido da presidente, o PCdoB conseguiu, a partir dessa aliança, “chamar” o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a própria Dilma Rousseff para a eleição no estado.

A professora universitária Berenice Gomes, dirigente nacional do PT, defende essa tese. Em entrevista a O Estado, ela afirmou que essa “nacionalização” favorece o candidato peemedebista. “Penso que a nacionalização da campanha favorece a [presidente] Dilma [Rousseff] e o candidato do PMDB”, avaliou.

Segundo ela, ao aliar-se de forma explícita ao candidato a presidente do PSDB, Flávio Dino atraiu os principais líderes petistas para o embate. “Ele [Flávio Dino] chamou Lula e Dilma para a disputa ao se colocar no outro palanque, que é de adversários deles”, completou.

Também ontem, em entrevista ao portal Brasil 247, Berenice Gomes acrescentou que “a máscara de bom moço de Flávio Dino caiu” no dia em que ele firmou a aliança com os tucanos.

“Não é a primeira vez que o PCdoB no Maranhão confunde a sua análise política. Em vez de adotar a dialética como método, faz uso da forma pragmática ao considerar o projeto local acima do interesse nacional. A questão agora deixa de ser local e tornou-se nacional, à medida que o candidato do PCdoB trouxe para a cena o apoio do Aécio Neves, adversário do PT e do projeto nacional dos setores progressistas. […] A máscara de bom moço do Flávio Dino caiu no dia 15 de abril com o encontro dele com Aécio Neves e a direção nacional do PSDB”, analisou.

Lula – Ainda constrangidos pelo apoio ao PSDB de Aécio Neves, comunistas maranhenses têm tentado justificar a aliança sob a alegação de que o ex-presidente Lula os teria rejeitado, em prol do apoio a Lobão Filho. Para a dirigente petista, no entanto, esse argumento não é válido.

“Tudo indica que criaram essa desculpa de que Flávio Dino teria adotado este caminho após ter sido descartado pelo Lula, com a divulgação das fotos do ex-presidente com o ministro Edison Lobão e o senador Lobão Filho, candidato do PMDB ao governo. Na realidade, temos informação de que esta aproximação já estava posta, pois o Flávio Dino nunca explicitou o desejo de querer aliança com o PT”, afirmou a professora universitária.

Ao Portal Vermelho, site de notícias do PCdoB, o presidente do partido no Maranhão, Márcio Jerry disse achar normal a aliança com os tucanos.

Mais

O Portal Vermelho, site de notícias do PCdoB, não deu qualquer destaque à reunião ocorrida em Brasília, entre Flávio Dino, Aécio Neves e deputados tucanos. Até o fechamento desta edição, a manchete da página ainda era o evento de dissidentes petistas realizado no sábado, dia 12. Havia pelo menos dois textos sobre a aliança com o PSDB, ambos mais recentes, mas relegados a áreas de menor relevância.

Por Gilberto Léda

O ESTADO DO MARANHÃO

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