O nosso Brasil possui cerca de 5.570 municípios politicamente emancipados.

A nossa Carta Magna – quando de sua promulgação (05.10.1988) foi declarada a mais moderna do mundo, inclusive, fora batizada com uma nomenclatura mui sugestiva: a “Constituição Cidadã”. E, hoje, é considerada abjeta que tem atrapalhado o país, especialmente, no mundo do trabalho e, por consequência, carece ser reformulada – segundo, os ideólogos neoliberais – urgentemente, para destravar a tranca que impede o pleno desenvolvimento de nosso país-colônia e proporcionar a tão sonhada utopia “justiça social” para os seus amados filhos.
Já se passaram 29 primaveras e, por conseguinte, tornou-se (nossa Carta Magna) uma adulta norma coercitivo-democrática – isto é, que disciplina a constituição, atuação de toda a estrutura dos três poderes harmônicos e interdependentes entre si, estabelece as relações econômicas e sociais e etc. – Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada um com sua competência tipificada. Nossa pretensão não é, obviamente, escavar detidamente, as competências de cada esfera configurada acima, na realidade, busco apenas dimensionar o caráter e a natureza de um dos poderes políticos disciplinados pela Carta Magna: o Executivo Municipal.
De per si, nossa intenção não visa criticar a estrutura de poder por criticar, mas considerar alguns aspectos fundamentais que carecem de uma atenção mais acurada por parte da sociedade civil organizada: qual o papel e o objetivo de uma gestão pública mediante necessidades intrínsecas para promover o consequente desenvolvimento econômico-social para todos os seus notórios filhos? Essa questão é central. Implica, na verdade, em apurar dados para, assim, consubstanciar a implementação das políticas públicas consoantes às aspirações populares.
É evidente que, a gestão pública se caracteriza por sua plena capacidade arrecadatória: as oriundas do governo federal – legais e/ou discricionárias – e, as suas próprias – ISSQN, IPTU, Inter vivos (EC nº 39/2000 e, EC nº 37/2002), portanto, possui recursos para alimentar sistematicamente as políticas públicas sociais internas. Independentemente de quem esteja à frente da gestão pública – e, cabe aqui, uma observação concreta e real – o elemento substancial a ser inserido é a capacidade de execução dos programas sociais já existentes e àqueles que forem criados visando melhorar as condições de vida dos cidadãos e a infraestrutura da cidade.
Neste processo amplo e extenso – o gerenciamento da coisa pública com responsabilidade e compromisso efetivo – a máquina administrativa deve construir uma cultura de investimento considerando sua capacidade arrecadatória e, ao mesmo tempo, estabelecendo metas que sejam compatíveis com tal arrecadação. Há a Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF (Lei nº 101/2000) que disciplina o quantum deve investir cada poder – Legislativo e Executivo com seu pessoal – sem, contudo, feri-la. E, caso ocorra, constituir-se-á um sério problema para o gestor.
Para além dessa observação, outro espectro que deve ser objeto de avaliação é a natureza de tal gestão pública, ou seja, sua inteira responsabilidade em transformar a realidade que se lhe apresenta. De um lado, têm-se o corpo administrativo para conceber políticas públicas que sejam viáveis para atender as demandas sociais do povo e, de outro, o espírito áureo da transparência pública. Cremos que, esse conceito deve inserir o mais importante capítulo de uma gestão que quer passar para a história por suas ações e obras modernas.
Em que realmente se sustenta uma gestão popular e democrática? Objetivamente, usando esse poder fascinante que é a transparência pública. Não há na história registro que identifique uma gestão democrática sem o instrumental da transparência e a acessibilidade às informações inerentes à estrutura de poder. A sociedade civil é a principal chave para a gestão pública tornar-se efetivamente um modelo visível para o restante da comunidade.
E o que é essa tal transparência pública? E em quê sentido ela contribui para o desenvolvimento da gestão e da cidade? O principio norteador desse instrumental é a força que se desloca (desprende) da sociedade civil e sua incólume pressão social para que as políticas públicas sejam concretamente executadas sob sua vigilância e fiscalização. Entretanto, esse passo fundamental ainda é muito incipiente em nossa comunidade. Há uma temeridade em ser protagonista na atual circunstância. Noutras palavras, a cultura organizativo-política ainda não se tornou um ato corriqueiro, sistemático e articulado por parte da sociedade civil por intermédio de suas representações sociais. E esse imbróglio constitui uma espécie de ‘aliado silencioso’ para o gestor que não é acostumado com a práxis da democracia participativa e direta. Mas, pressupondo uma iniciativa de alguém e/ou algum movimento social se articular nessa perspectiva, a coisa muda de figura e, para isso, basta seguir os manuais institucionais para fazer valer seu direito e garantir uma qualidade no serviço público. Portanto, a transparência pública é uma poderosa arma social para o povo intervir de maneira democrática e sem ser ‘massa de manobra’ na expectativa de provocar mudanças na estrutura de poder.
Uma demonstração de transparência pública é a existência do CACS-FUNDEB em Codó, onde os seus membros podem ter acesso a toda informação sobre a Educação e, caso percebam alguma ‘coisa estranha’ com o recurso gasto, pode elaborar um documento contestando tal procedimento e, isto, pode comprometer a lisura do processo licitatório quando esse material adentrar ao Tribunal de Contas Estadual.
Outro exemplo de transparência pública elaborado pelo governo federal é o sítio da Secretaria do Tesouro Nacional – STN, que mostra diariamente o recurso do FUNDEB de cada município, mês a mês. Ora, tive a curiosidade de verificar o exato valor que o governo federal enviou para o município de Codó no ano de 2017. Esse valor é considerado conforme o valor aluno-ano estipulado pela equipe Intergovernamental baseado na matricula geral do município – Educação Infantil (Creches e Pré-escolas), Ensino Fundamental I (1º ao 5º) e Ensino Fundamental II (6º ao 9º), com o auxílio das ponderações definidas conforme a etapa e a modalidade de ensino.
Veja abaixo, a distribuição dos recursos financeiros designados pela Cesta Básica do FUNDEB mês a mês. Codó é o município que sempre está entre a 5ª e a 6ª maior receita do interior do Estado e em relação ao FUNDEB idem.
Codó – FUNDEB – 2017
| MÊS | Valor (R$ 1,00) |
| 01 | 4.153.409,26 |
| 02 | 17.772.182,04 |
| 03 | 7.060.050,32 |
| 04 | 7.078.475,70 |
| 05 | 7.855.037,43 |
| 06 | 7.472.116,97 |
| 07 | 3.805.238,29 |
| 08 | 7.80.595,60 |
| 09 | 10.557.737,22 |
| 10 | 6.985.425,33 |
| 11 | 3.978.608,35 |
| 12 | 11.124.381,15 |
| TOTAL | 94.923.257,66 |
Fonte: www.tesouro.fazenda.gov.br
É do conhecimento de todo(a) trabalhador(a) da educação básica que o porcentual que lhe cabe como remuneração é a fração 60% do valor destinado mensalmente ao nosso município. No mês de janeiro Codó recebeu a cifra de R$ 4.153.409,26 (quatro milhões cento e cinquenta e três mil quatrocentos e nove reais e vinte e seis centavos). Quando retiramos o porcentual que compete aos trabalhadores da educação, encontramos o seguinte montante: R$ 2.492.045,55 (dois milhões, quatrocentos e noventa e dois mil, quarenta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos) para efetuar os vencimentos do pessoal efetivo. E o restante, dos 40% destina-se a investimento e qualificação dos trabalhadores da educação dentre outras ações consoante ao que é definida na Lei do FUNDEB (11.494/07).
É mister notar que, o poder público inicia o processo de contratação somente a partir de março/abril para completar o quadro do sistema educacional no ano em questão. Ora, olhando para essa realidade, é perceptível o acumulo dos 40%, pois, ainda não fora destinado a pagar nenhum trabalhador da educação. Esta referencia independe da argumentação do poder público em tentar justificar o não gasto com o pessoal ainda não contratado. O que fica patente é a possibilidade de se ampliar os investimentos no campo educacional, contudo, para isso acontecer é necessária vontade política em realizar, pois, o volume de recursos financeiros do FUNDEB-Codó é suficiente para equalizar uma política educacional redentora.
Portanto, uma gestão pública transparente sem dúvida pode imprimir um modelo capaz de mudar a velha cultura conservadora e inaugurar uma fase completamente inovadora reformulando o conceito de gestão pública assentada no tripé: democracia, participação social e transparência. Ou, simplesmente, reproduzir-se-á – ipis litteres – a formula de pensar a velha política e seu modelo de gestão antiquado. Se, assim, o for, temos viva a seguinte ideia conservadora: muda-se para não mudar o mudável, o essencial. A ver!
Por Jacinto Junior
7 Responses
TEORIA E UMA COISA, NA PRATICA E OUTRA. VC E EXEMPLO, COMO SECRETARIO DA EDUCAÇÃO, FOI UM DOS PIORES DA HISTORIA DE CODÓ, PORQUE VC NÃO BOTOU EM PRATICA, TU TEORIA.
Veja quantos onibus “amarelinhos” transportam os nossos estudantes. Todos “eles” foram adquiridos em nossa gestão. Por gentileza (sr. felicidade) procure se informar sobre as ações que foram realizadas em nossa gestão para não dizer “asneiras”=tolices. Obrigado!
Sei que não é o tema central do artigo, mas é interessante como a constituição brasileira, assim como a do México por exemplo, é repleta de promessas de mundos e fundos e tolhe a liberdade/iniciativa individual e transfere essas características ao Estado, que será o protagonista das mudanças sociais.
Não é difícil perceber que esse modelo de constituições falhou fragorosamente.
Caro “pedro”, pontuemos algumas considerações:
1.A questão essencial entre a regulamentação econômica entre o Brasil e o México – atendendo aos dispositivos constitucionais – giram em torno da concepção neoliberal apesar do esforço dos setores progressistas brasileiros em ajustar uma constituinte conforme os interesses do povo brasileiro e a preservação enquanto pais soberano, tal não aconteceu. Contudo, nós estamos sob a egide neoliberal. E as reformas que estão sendo implementadas pelo governo Temer já produzem seus resultados horrendos em relação às condições materiais da classe trabalhadora: a desvalorização do poder de compra. Houve uma diferença entre o resjuste salarial pafa menos em torno de 1.88% em relacao ao mesmo periodo de 2017. Ou seja, o trabalhador sofreu um xuplo golpe em sua massa salarial Isto é o que o mercado concebe como liberdade econômica.
Sim, graças à nossa constituição intrusiva e permissiva ao agigantamento do estado, vivemos em torno da concepção neoliberal, que inclusive foi tão evidente na era PT: intrusão do estado na economia, políticas das campeãs nacionais, bolsa-empresário via BNDES.
Grande golpe sofrido pelo trabalhador é ter quase metade de sua renda consumida pelo estado gigante intrusivo neoliberal, mais uma vez: graças à nossa constituição permissiva ao agigantamento do estado.
Pena que o Brasil nunca experimentou um momento LIBERAL. Esse é o motivo do nosso fracasso.
Caro ‘pedro’, perdoe-me minha ignorância intelectual, mas, “tirar dúvidas” é a única forma que temos para compreendermos determinados obstáculos, pois bem, em relação os princípios NEOLIBERAIS a indagação é:
1. Que sistema econômico o nosso Brasil experiencia desde sua fundação (ops!), desde sua ‘invasão’ pelos portugueses, a partir de 1500
2. Se o Brasil não é NEOLIBERAL, então a nações-modelos como: USA, Japão, Coreia do Sul, India, Rússia, Inglaterra, não o são
Por gentileza, podes explicar-me a distinção entre um e outro regime economicamente.
PS. Na maior crise econômica que o mundo enfrentou – e, isto, ocorreu exatamente com a nação-modelo USA em 29 – o debacle da Bolsa de NY – sabe quem salvou o mundo economico? o “agigantado” estado nacional com as políticas de investimentos na infraestrutura e na geração de emprego e renda.
Obrigado!
Prezado Jacinto,
o termo “neoliberal” se tornou totalmente abstrato. Mas a ideologia neoliberal surgiu no fim do sec XIX como sendo uma “solução intermediária” entre o capitalismo laissez-faire (e aqui está o liberalismo clássico com seu estado mínimo e sem intervir em questões econômicas) e o socialismo, que propunha o total controle do estado sobre a economia. O neoliberalismo não defende a estatização dos meios de produção como defende (ou defendia) o socialismo, mas possui uma agenda altamente intervencionista para “conter” o laissez-faire: Por exemplo, defende o monopólio estatal da moeda via BC, agências reguladoras, concessões em vez de privatizações totais, programas de redistribuição de rendas, controles de preços. Nenhuma destas coisas são defendidas pelo liberalismo clássico. Neoliberais acreditam que há questões econômicas em que o estado pode e deve aprimorar. Liberais clássicos acreditam que o melhor que o estado pode fazer pela economia é simplismente não se meter nela. Tanto é que um dos maiores nomes do liberalismo clássico, Ludwig von Mises, teve grandes embates contras economistas neoliberais na década de 40. O grande erro (ou talvez proposital) foi alguém ter batizado de neoliberal uma doutrina que nada tem haver com liberalismo clássico.
1. Desde a ‘invasão’ de 1500, tudo aqui sempre foi resolvido sob a supervisão do estado. Nada acontece na econoia sem que o estado dite as regras. O estado brasileiro sempre foi dos mais intrusivos na economia nacional, embora não estatize meios de produção como os socialistas talvez queiram. Dos 180 países que compoem a lista de liberdade econômica da Heritage, ocupamos aposição 140! Então eu diria que nos identificamos altamente com a doutrina neoliberal.
2. Todos estes países também adotam práticas do neoliberalismo, mas de forma menos intensa. Os EUA ocupam a posição 17 da Heritage.
Sobre o crash de 29, há algo interessante: as causas do crash foram basicamente as políticas de expansão artificial de crédito promovida pelo FED (que, vale lembrar, é estatal) através de redução progressiva da taxa de juros (https://fred.stlouisfed.org/graph/fredgraph.png?g=cdSb), o que criou a verdadeira febre de aquisição de empréstimos para compra de ações na bolsa. Quando o FED decidiu frear essa febre e aumentar a taxa de juros, muita gente não pôde mais revender suas ações, o que levou ao crash da bolsa. Para “curar” o crash criado pelas políticas do FED (que é estatal), o governo aumentou impostos, aumentou gastos, e implantou políticas de controle de preços, de controle de salários, e de aumento de tarifas de importação, proibiu redução de salários ou demissões. Ou seja: fez tudo que a cartilha intervencionista sugere durante crises. A “cura” promovida pelo governo fez com que a depressão durasse 15 anos! Agora veja a crise de 1921: também foi por conta de um crash na bolsa (até maior do que em 29), mas o governo dessa vez deixou a cura por conta do livre mercado: cortou os gastos do governo, diminuiu o imposto de renda, reduziu a dívida do governo americano, o FED não tomou nenhuma iniciativa, permitiu que os salários caíssem livremente, para acompanharem os preços em queda, fazendo com que os custos de produção das empresas rapidamente se estabilizassem. Graças à liberdade dada pelo governo ao mercado, a economia se recuperou em 2 anos.