Há 110 anos nascia Fausto dos Santos na cidade de Codó, alguns historiadores afirmam que a data de seu nascimento foi 28 de janeiro, outros, que foi 28 de fevereiro, mas todos concordam que foi em 1905 o ano em que ele veio ao mundo.

Fausto encantou o mundo racista do futebol das primeiras décadas do século passado. Inicialmente desfilou seu talento pelo Bangu, clube de fábrica que aceitava jogadores negros em seu escrete, entre os anos de 1926-1928. Foram suas magistrais atuações pelo por esse time que o levaram ao Vasco em 1928 onde ficou até 1931 em sua primeira passagem, retornando em 1933 e saindo novamente em 1934.

Respondeu assim o convite para vestir a camisa do clube da colina: “Está certo, eu troco o meu barraco pelo seu palácio.” – disse ao trocar o Bangu pelo clube de portugueses ricos, o Vasco.

Em 1929 Fausto liderou o time da cruz de malta ao título carioca. Aquele time tinha a seguinte escalação: Jaguaré, Brilhante, Itália; Tinoco, Fausto, Mola, Paschoal, Oitenta e Quatro, Russinho, Mário Matos e Santana.

“O ano de 1930 vai encontrar Fausto dos Santos como um jogador muito popular, ídolo entre os vascaínos, adorado pelas mulheres que frequentavam os cabarés. Já havia sido selecionado para alguns jogos das Seleções Carioca e Brasileira” (Revista Placar, 1979).

O segundo título de Fausto pelo Vasco ocorreu em 1934, mais uma vez o codoense liderou o escrete ao título. O time de 1934 era assim formado: Rei, Domingos, Itália, Tinoco, Fausto, Mola, Orlando, Leônidas (Diamante Negro), Gradim, Nena e Dallessandro.

Fausto foi também o primeiro brasileiro a vestir a camisa do Barcelona (Espanha) junto com seu companheiro de Vasco, Jaguaré. Sua passagem pelo Barcelona foi marcada por episódios racistas e pela conquista do torneio da região Catalunha em 1932.

Defendeu ainda o Nacional do Uruguai (1935) e o Flamengo (1936-1938).

Não foi um jogador de muitos títulos, mesmo assim, a exuberância do seu futebol o fez um jogador inesquecível.

Um capítulo à parte na vida de Fausto foi sua participação com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1930, no Uruguai. Em Montevidéu ele se tornaria “A Maravilha Negra” (FILHO, 2010), apelido dado pela imprensa uruguaia pelo extraordinário futebol apresentado por ele naquele mundial.

A Revista Placar assim descreveu o craque maranhense: “Um maestro em campo. Assim era o maranhense Fausto, apoiador que, na Copa de 30, jogou tanto que ganhou o apelido de Maravilha Negra, dado pelos uruguaios. Foi o único jogador brasileiro que escapou do fracasso naquele Mundial. Encantava os vascaínos pela elegância, visão de jogo e liderança. Até o surgimento de Zizinho, foi o melhor meio de campo da história do futebol brasileiro”.

Segundo Mario Filho Fausto, era para os vascaínos uma espécie de Deus, intocável, se alguém queria deixar o Vasco era só arrumar confusão com ele para ser preterido. Ele foi assim descrito pelo jornal France Football: “Ele faz com espantosa facilidade o que outros fariam com um esforço sobre-humano. Fausto, com seu futebol maravilhoso, veio ensinar à Europa como deve jogar um center-half (meio de campo)”.

Esse filho de Codó, ídolo do Vasco da Gama foi grande no futebol brasileiro, uma estrela, comparado a Friedenreich, Leônidas (Diamante Negro), Feitiço, Heleno de Freitas. Em sua época encantou o mundo do futebol no Brasil, na América Latina e na Europa com uma técnica refinada, um verdadeiro maestro.

Por Francisco Paiva

2 Respostas

  1. Meu caro Francisco Paiva o nome do cara é Fausto dos Santos ou Fausto de Sousa? há controversas a respeito disso, se é pra contar a historia vamos esclarecer as duvidas. Eu particularmente acho que é Fausto de Sousa e que o mesmo deu os nomes da Rua, da Travessa e da Praça, ou aquele Fausto é Outro?

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