Governo se enrola em respostas sobre reservatórios e codoenses vão continuar sem água

Reservatório do Codó Novo, N.S. Milagres

Muitas ruas de Codó ainda enfrentam falta de água, no bairro Trizidela o problema parece crônico. Quem vive nos morros reclama o dia inteiro. A torneira do aposentado Domingos Moreira, no bairro Codó Novo, fica na porta da casa, uma tentativa de diminuir o esforço que a água tem que fazer para chegar ao restante da residência. Mas a localização dela em nada ajuda.

Ele confessou ao blogdoacelio que há dias em que crianças deixam de ir à escola por falta de banho.

tem dia que tem de dia, mas mais mesmo é só de noite…COMO É QUE FAZ? Fica assim mesmo, menino, eu não tenho nenhum não, mas vejo que menino não vai nem pro colégio porque não tem água pra banhar”, disse irritado

Na área visitada pela reportagem quem fica acordado, as vezes até na madrugada, consegue guardar, nos quintais, pequenas quantidades de água para o uso limitado no restante do dia. Se dormir demais, nem isso consegue.

CONVERSA ANTERIOR

Nós já mostramos, inclusive em rede estadual, este mesmo problema a cerca de 2 anos ou mais. Na época a autoridade responsável pelo serviço de abastecimento, ainda era Pauly Maran, hoje secretário de planejamento do governo Zito Rolim.

Depois de mostrarmos exclusivamente a falta d’água no bairro Santo Antonio, em cerca de oito travessas que recebem o nome de Goiânia (já resolvido), uma das soluções apresentadas por Maran foi a construção dos reservatórios erguidos no Codó Novo, Nova Jerusalém, São Pedro e mais um que seria construído no próprio Santo Antonio.

As construções já estavam paradas na época e a conclusão, garantiu a autoridade, dependia de novos recursos que viriam do Programa de Aceleração do Crescimento, versão 2.

SITUAÇÃO HOJE

Codó Novo c/vistas para Nova Jerusalém

Esta semana voltamos a falar de falta de água e visitamos os reservatórios que seriam a grande solução de Codó. Todo este tempo depois, nenhum dos que foram erguidos entrou em funcionamento.

A lavradora, Andrea dos Santos da Conceição, mora a menos de 50 metros de um desses reservatórios na rua Nossa Senhora dos Milagres, Codó Novo. A rotina dela continua muito difícil. Torneira sem água, roupa por lavar.

Tem que esperar, água que a gente pega é pra cozinhar, pra beber, aí pra lavar tem que esperar chegar a noite, aí se quiser lavar a noite tem que esperar a água chegar, sem dormir mesmo, as vezes a gente perde o sono pra lavar roupa”, disse indignada reclamando-se das contas do Saae que variam de R$ 12,00 à R$ 15,00 todo mês

Andrea e o filho sofrem

GOVERNO SE CONTRADIZ

Em busca de explicações para a falta de funcionamento do sistema estivemos primeiro no Serviço Autônomo de água e Esgoto que já mudou de direção 3 vezes desde a última reportagem sobre o assunto.

O atual diretor, Paulinho Maclaren, não quis gravar entrevista. Informou apenas que nunca recebeu nada sobre o projeto dos reservatórios e que, por isso, não tem como assumir as responsabilidades e concluí-lo.

Outra informação repassada pelo gestor é que o projeto inicial teria sido feito com erros, pois esqueceram dos poços que encheriam as enormes caixas d’água (algumas chegam a mais de 700 mil litros). Nenhum poço do Saae hoje teria tal capacidade, segundo Maclaren.

REFIZERAM

Na Secretaria de Infraestrutura, o secretário Márcio Esmero, explicou que o projeto inicial, que seria do governo de Biné, foi considerado inviável pela Caixa Econômica Federal, motivo pelo qual teve que ser refeito. A expectativa é de que a conclusão, que inclui compra de bombas, perfuração de poços e construção de adutoras, logo ocorra. Mas é bom que se diga, ninguém sabe se isso ainda ocorrerá em 2012.

O projeto de complementação do sistema de abastecimento d’água já está na fase de licitação esperamos que nos próximos dias a empresa vencedora, a gente dê a ordem de serviço pra ela dá continuidade às obras”, disse

Detalhe atual contraditório ao que disse a autoridade há dois anos é que o dinheiro não acabou, segundo Esmero estaria em um banco ‘rendendo’ a espera do desenrolar do novo projeto.

SUCESSÃO DE ERROS

O serviço público é uma catástrofe. Alguém erra, outros tentam consertar. O culpado sempre é o outro e o outro sempre tenta justificar arranjando outra desculpa. No final quem se ferra mesmo sempre é o cidadão que só queria água todos os dias na sua casa, direito básico à dignidade mínima.

Se outro governo entrar, ano que vem, já sei até como irá se defender – vai culpar a administração anterior e o povo vai continuar sem água.

É uma catástrofe ou não é?

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