Por mais de 90 minutos, o silêncio tomou conta da maioria das ruas, mas revelou uma cidade unida diante da telinha.

Apesar da derrota, clima familiar e esperança marcam a torcida codoense.

​Por mais de 90 minutos, quem circulou pelas principais vias da cidade, como eu fiz,  teve a nítida impressão de estar em uma verdadeira “Codó Fantasma”.

Ruas e avenidas desertas desenhavam um cenário atípico para um domingo, mas um olhar mais atento revelava que, na verdade, a cidade não estava vazia,  todo o seu povo estava, simplesmente, concentrado.

​Nossa reportagem percorreu alguns desses redutos da torcida e constatou que o empresariado do ramo de bares e lanches soube aproveitar o momento, caprichando para oferecer locais aconchegantes e festivos aos torcedores.

​Na Avenida Santos Dumont, o clima era de pura vibração. O empresário Vinícius Mohana, por exemplo, preparou seu estabelecimento com dedicação e colheu os frutos de ver a casa cheia.

“O jogo já é emocionante, com os clientes ainda mais, certo? Então preparamos este ambiente justamente pra recepcionar essa galera e, com certeza, tá sendo muito mais emocionante”, contou Vinícius ao repórter Acélio Trindade.

​Claro que, para aqueles que se dispuseram a proporcionar esses ambientes de festa, o desafio foi dobrado.

Foi preciso enfrentar a difícil divisão entre o suor do trabalho e aquela “espiadinha” estratégica na telinha.

O empreendedor Jessy James viveu exatamente isso, mas sem perder a alegria.

“A gente espia a TV e, ao mesmo tempo, trabalha”, disse ele, esbanjando o bom humor típico de quem sabe lidar com o público.

​Dentro de campo, o enredo não teve final feliz. Quando a Noruega balançou as redes pela segunda vez, já não havia mais esperança de reverter o placar.

O silêncio de frustração pairou sobre todos os ambientes, mas nem de longe o revés esportivo tirou o prazer do momento de estar entre amigos e celebrar.

​Para muitos, o futebol é apenas um pretexto para o afeto.

Foi o que preferiu o Seu Alberto. Ele fez questão de sair de casa, levando a filha e as netas para acompanharem o jogo juntas, em meio à galera.

“Eu gosto muito de fazer isso aqui, aquela coisa de família”, resumiu ele, provando que a verdadeira vitória estava ali, na união das gerações vibrando pela mesma camisa.

​O placar adverso contra a Noruega já é passado.

A frustração de hoje é o combustível para a festa de amanhã, porque se tem algo que o codoense e o brasileiro não perdem, é a fé.

Que venha o próximo ciclo, os próximos jogos e as novas emoções.

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