Desde de 24 de maio de 2007 é comemorado oficialmente o dia nacional do cigano, uma data que para a maioria da população brasileira pode passar despercebida, mas que foi celebrada por esses povos que habitam o Brasil desde o final do século XVI. Digo povos, por se tratarem de sete etnias presentes em todo mundo, sendo que os mais comuns no Brasil são os roms, sintos e calons, aproximadamente um milhão de pessoas.
Para o senso comum, a existência dos povos ciganos, quando é percebida de forma menos negativa, está associada ao exótico, em face das roupas coloridas, leituras de mãos, jogar cartas ou por conta das danças. Contudo, por séculos, a existência de tais povos esteve assim como ainda está associada à condutas deploráveis, são vistas como pessoas que “não se deve confiar”. Confesso que sinto muita vergonha de ter pensado dessa forma um dia. Hoje sei que o nomadismo não é algo inerente ao povo cigano e sim imposto pela falta de compreensão que o padrão eurocêntrico ocidental de sociabilidade os impôs, tornando-se, portanto, uma necessidade para poder sobreviver.
Pessoas ruins existem em todos os lugares, mas infelizmente falar em cigano já há presunção quase que absoluta de se tratarem de pessoas perigosas. Pois não são! Agradeço muito ao fato de hoje poder de alguma forma contribuir para superação da desigualdade étnica na comunidade em que vivo. Como diria Paulo Freire, “não há saberes mais ou menos há saberes diferentes”. Hoje tenho a chance de me reconstruir enquanto homem, enquanto ser humano, enquanto militante e gestor e ainda poder contribuir para essa desconstrução na sociedade e ao mesmo tempo dar visibilidade à causa e resistência do povo cigano.
Hoje 24 de maio, é sem duvida um dia histórico para a luta e resistência cigana. Conviver e respeitar os povos tradicionais, sobretudo os povos ciganos, é algo inerente à revolução brasileira, à luta pela soberania e emancipação dos povos historicamente oprimidos. O fim dos ministérios de direitos humanos e promoção e igualdade racial que culminou com a fragilização dessas políticas nacionalmente, foi um golpe brutal na luta dos ciganos e ciganas que nos últimos anos, ainda que com recursos restritos, conseguiram finalmente acesso às políticas públicas e conquistarem visibilidade.
Derrotar o golpe dado pelos setores conservadores e fascistas da direita brasileira é dar de volta aos povos tradicionais o direito de poderem lutar por uma existência digna, de serem respeitados dentro das suas diferenças e usufruírem das riquezas produzidas pela classe trabalhadora.
Aqui em Codó, vamos celebrar a data em uma roda de conversa no Bairro Santo Antonio, onde está concentrado o maior numero de Ciganos que vivem na nossa comunidade.
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SE BUSCARMOS CONHECER ANTES DE JULGAR, COM CERTEZA IREMOS TER OUTRA VISÃO DOS CIGANOS, ELES SÃO CIDADÃOS COMO QUALQUER UM INCLUSIVE COM TODOS OS DIREITOS FUNDAMENTAIS ASSEGURADOS PELA NOSSA CARTA MAGNA( CF-88), PAGAM IMPOSTOS DE IGUAL MANEIRA, TÊM UMA CULTURA CIGANA É RICA E LINDA,E MERECEM TODO RESPEITO.
ESTIVEMOS PARTICIPANDO DA RODA DE CONVERSA COM AUGUSTO SERRA E FOI ÓTIMA,MUITO PRODUTIVA E PASSAMOS A GOSTAR AINDA MAIS DA CULTURA CIGANA.