Por Jacinto Junior – LITERATURA E CONHECIMENTO

Professor Jacinto Junior
Professor Jacinto Junior

Um renomado escritor tupiniquim afirmou entre outras coisas o seguinte axioma: “um país se faz com homens e livros” – Monteiro Lobato (1882-1948). De acordo com essa assertiva, a ideia é muito límpida, não há dúvida sobre seu sentido. Mas é de bom grado que façamos uma análise dessa frase objetivando deslumbrar o verdadeiro sentido proposto por esse gigante da literatura brasileira.

A primeira parte desta frase já denunciava naquele período, a necessidade de se erigir homens no contexto social com algumas características e virtudes notáveis; que fossem intrépidos e sérios. A parte final exulta o amor ao livro, praticamente uma devoção.

O livro em sua concepção constituía-se num instrumento essencial para formatar e elevar o nível de saberes daqueles que se debruçassem sobre os mesmos. Portanto, o talentoso escritor apostava e muito na construção de uma sociedade plural e democrática tendo como ferramenta a tão necessária leitura. Leitura apaixonada e profunda sobre a arte, a cultura, a economia, a política a sociologia, a educação e, mais ainda, a imaginação. Ele se tornou um escritor para o mundo infantil!

Mediante isso, jamais perderei o norte sobre a importância do ato de ler. Mas a leitura deve ser feita com uma finalidade: desmistificar o desconhecido. Exatamente isso! Imaginem o que seria de mim sem o hábito solene de ler sistematicamente todos os dias? Aliás, tal cultura a que estou absolutamente impregnado alimenta meu espírito e enobrece minha alma. Não importa o que pensa os medíocres, os mexeriqueiros, os plantonistas e os ‘papagaios de piratas’ que não conseguem avaliar com hombridade, independência intelectual e saber dialético um determinado fato. E por decorrência, pelo modo de palrar, incorrem corriqueiramente na abjeta acusação ridícula de que tal sujeito é ‘mafioso’ e outros adjetivos apimentados – coisa esquelética mesmo, daquilo de que não possui domínio cultural e capacidade reflexiva – pura deformação.

A minha maior tristeza é constatar o assassínio gramatical cometido por esses boateiros desqualificados. Não estou generalizando, apenas apontando o gritante e surdo crime lingüístico de alguns. Seria de bom tom que eles fizessem uma autoavaliação para evitar a reprodução da contínua pieguice intelectual e sentindo vergonha de si mesmos.

Fiquei assustado com relação ao posicionamento de alguns comentários sobre o texto que publiquei no blog do Acélio Trindade e preocupado pela forma como alguns o interpretaram. É bom fazer um comentário sobre os comentários a respeito do texto:

1.    O texto trata sobre um jantar formulado por um deputado no afã de demonstrar que é um articulista inveterado e único.

2.    Em nenhum momento frisei a Gestão atual.

3.    Seu conteúdo é especifico sobre a pujança da elite dominante e seus asseclas para discutirem o improvável, conforme sua individualidade e interesse.

4.    O nível vocabular que detenho e transcrevo para o texto é resultado de muita leitura e estudo sobre política, economia, cultura, sociologia, filosofia, educação, literatura e outros temas interessantes e convergentes. Ora, faço leitura em todos esses campos sociais com o intuito de compreender a realidade e ter um claro posicionamento, será que é um crime hediondo avaliar um fato ocorrido que, traduz em si, um elenco de interrogações?

5.    O texto não tem objetivamente o propósito de humilhar nenhum cidadão por mais simples que seja pela tonalidade vocabular.

Permita-me ser um pouco mais sincero aos comentaristas: minha vida desde sempre foi cunhada pelo saboroso degustar de um bom livro. Meus pais foram os primeiros a incentivar o culto à leitura. Meu honroso pai – o Sr. Jacinto Pereira Sousa -, que se notabilizou como um grande homem público nesta cidade (vereador por três Legislaturas e Sub-prefeito de Capinzal (hoje cidade com o acréscimo do termo Norte) na gestão de José Domingos Araújo e do Sr. Moises Alves dos Reis – ambos de saudosa memória); foi um exemplo para eu no quesito leitura, pois, ele sempre foi um exímio leitor! E homem público de ilibada conduta social e política. E olha que ele só estudou até a 4ª. Série (chamada na época de Madureza Ginasial).

Como homem público – só a título de informação -, ele trouxe para Codó, a Escola Agrotécnica, hoje transformada por força de lei, em IFMA. Na escola pública (onde estudei toda minha vida!) tive um professor que teve um papel preponderante no aspecto da leitura: Profº. Neto. Ele sempre nos estimulava a fazer leitura de grandes vultos da história e, paralelamente a isso, pedia-nos que assistíssemos ao Telejornal, além, é claro, de suas aulas de ciências. Pasmem, foi isso mesmo! Eu agradeço seu incentivo!

Sou um diamante que ainda precisa ser burilado cada vez mais para que seu brilho ofusque a escuridão da ignorância e ceda lugar para a benéfica luz do saber e, este, estará a serviço de qualquer cidadão. Não me envergonho de minha origem social e nem tampouco procuro os envergonhados e misteriosos abastados que campeiam por nossa cidade mostrando-se em seus palacetes e potentes automotores importados do ano.

Sou um homem economicamente inferior a qualquer cidadão. A riqueza – acumulação de capital – nunca me atraiu e nem me atrairá, pois, entendo que o que ganho como profissional da educação é o suficiente para manter minha família com dignidade. Eu e a minha esposa somos trabalhadores e honestos.

Em toda minha vida jamais externei opinião – negativa e pejorativamente – fustigando a vida familiar de ninguém. Tenho minhas reservas. Mas me controlo. Não sou chauvinista e jamais o serei. Por entender que a família é o sustentáculo da sociedade é a célula-mater indissolúvel e o bastião da moralidade. Minha esposa é uma dedicada autônoma em seu Escritório de Contabilidade. Não dá a menor importância para as minhas atividades políticas, aliás, ela detesta!

Maravilhoso é conviver numa sociedade plural, onde a liberdade se faz presente, entretanto, é extremamente salutar a presença dos valores sociais como respeito e ética. Sou um homem incapaz de subornar outrem para obter vantagem e/ou solicitar que faça apologia à minha pessoa na perspectiva de um ‘bom samaritano’ ou algo semelhante. Jamais utilizarei desses expedientes escusos e nojentos. Nunca comprarei consciência de quem quer que seja para falar em minha defesa de forma mentirosa e ardilmente. A minha relação social é pura, sem tramóias e sem segredos. Não abocanhei nenhum centavo enquanto dirigente de uma pasta. Trabalhei honradamente. Percebi o salário conforme dita a norma legal a um cargo de confiança. Sou feliz pelo simples fato de ser honesto.

Lamentavelmente, devido à cultura e prática sistemática daqueles que se apoderam do poder político e desrespeitam a legislação e promovem verdadeiros assaltos aos cofres públicos, isto, ocorre desde o nascedouro desta ‘colônia-brasilis’, somos, na verdade, resto do que considerava os nossos invasores europeus na sua ótica do desenvolvimento, triste realidade; ou seja, há um consenso no seio do imaginário popular de que todo homem que assume um cargo importante no setor público já é considerado um “larápio”. Essa prédica só se constitui fato concreto quando se vasculha a vida do sujeito depois de sua passagem pela função que ocupara, identificando uma considerável mudança em seu nível de vida financeiro que, antes não possuía. Isto sim é muito patente!  Diante disso, me sinto confortável, pois, estou limpo!

O conhecimento é, sem dúvida, um sistema complexo, devido a sua dimensão extraordinária; vejamos, então, algumas características de sua valiosa contribuição ao desenvolvimento técnico-cientifico e cultural: É de suma importância que estabeleçamos um comparativo entre a arte literária e o conhecimento. Será a mesma coisa? Ou, o conhecimento é obra da arte de rabiscar imaginariamente? Ou, é o inverso? O intelecto está a serviço de ambos os campos; entretanto, existe uma distinção óbvia entre um e outro, mas, não há desperdício em um ou outro. Note que, para elaborar um construto social é necessário a incorporação de um processo assentado em um método que orientará sua execução. No campo da ciência só é possível a construção desse elemento obedecendo a esse rito, caso contrário, não será ciência e, por conseguinte, não terá validade histórica. Agora, com a literatura a imaginação povoa o mundo fértil da possibilidade do irreal.

Aí, ingressaremos em campos verdejantes e prósperos, falando literariamente! Por exemplo, a figura de Gorki um homem que se construiu escritor aprendendo filosofia e línguas nos porões de navios onde trabalhava como cortador de batatas e dormia entre os vagabundos e miseráveis no porto de Odessa. Gorki tornou-se o mais importante escritor russo do século XX. Outro exemplo, de homem dedicado à leitura, ao estudo e à pesquisa: Josué Montelo, conterrâneo nosso, orgulho nordestino! O conjunto de sua obra é um retrato rico de construção imaginária e real.  Ora, a literatura se constrói… Espere… Antes deles temos noticias de outro importante homem que revolucionou a ciência e a cultura no século XV: Leonardo da Vinci (cujo período ficou conhecido como Renascimento) que mostrou todo seu potencial intelectual em campos que alhures não eram tão acimetandos de teorias, tais como: botânica, arte, anatomia, matemática, pintura, escultura, arquitetura, poesia, engenharia, invenção e música, tudo sintetizado em apenas um homem! Na realidade, Leonardo da Vinci é a representação clássica mais influente da revolução intelectual que se tem notícias até hoje.

Ele foi um dedicado pesquisador. Um notório pensador. Ele escrevia tanto com a mão esquerda quanto a direita com tamanha destreza e habilidade que não havia distinção entre o traço rabiscado de ponta a ponta e com um detalhe: de forma invertida. Para lê-lo confortavelmente é bom ficar diante de um espelho. Leonardo foi um polímata. Aqui, ao introduzir os nomes dessas figuras imponentes e admiradas, todas elas, sem exceção, tiveram acesso ao conhecimento e a literatura por intermédio da leitura e da pesquisa. Veja o que afirma Leonardo da Vinci: “quem pouco pensa, muito erra”. Tal afirmação desvela o ponto fundamental para o homem que anseia e deseja ardentemente ser uma figura destacada, deve buscar a reflexão como instrumento indispensável em sua vida. É impossível para o homem iletrado conquistar e alçar vôos nos píncaros sem ter a medida da leitura e da reflexão teórico-prática. A pergunta que não deseja calar: qual o mal em um filho codoense apresentar sua cultura, seu modo de pensar, ver, sentir e agir, sobre a realidade social e seus problemas cotidianos? Por que é discriminado na sua forma de rabiscar um polido texto? Qual o crime em expressar com eivada paixão e realismo tal realidade?

Os verdadeiros abnegados não se sentem ameaçados e não tremem diante da acusação inócua, da denúncia pela denúncia e/ou outra forma negativa de pessoas que perolam de maneira ingênua e descabida. Os que, assim agem, na verdade, demonstram indubitavelmente o seu nível raquítico cultural. Ao invés de escrever bobagens e tolices, aprendei a ser um assíduo e contumaz leitor e permita a si mesmo ingressar no maravilhoso mundo da leitura e da cultura, sem ficarem perdendo tempo escrevinhando idiotices. Para além da idiotice existe um novo ordenamento social moderno: a paralisação endêmica do ato de pensar a coisa, o objeto e o sujeito.

Tudo, absolutamente, se resume a uma crítica acrítica e açodada e, lamentavelmente, a pena que insere algo bom e construtivo, sofre, sob a ótica daqueles infelizes críticos anátemas que se recusam a reconhecer a virtude e a destreza do criticado como capaz de fomentar e propor uma nova forma de reescrever a história; só conhecem um método: o floreio da mentira, da calúnia e da inveja. Imaginam-se como emissários da coerência e da boa razão. É uma pena que o provincianismo ainda persista cortejar os falsos e indômitos letrados que se abstém de se posicionar de forma elegante num processo democrático e transparente de discussão. Como conseqüência disso, a representação teórica perde sua mais forte tendência: a apropriação dos diversos saberes sociais.

Somente um parvo é capaz de emitir, aleatoriamente, uma opinião acrítica e cheia de delírio frenético que não se apresenta contextualizada e não produz nenhum efeito colateral no corpo da sociedade; ao contrário, gera um profundo sentimento de desprezo e rejeição.

O verdadeiro sentido do ato de ler e escrever se manifesta no modo desprendido e elegante de traçar a pena sobre o papel em branco e criar, artisticamente, os elementos do imaginário tanto no campo da ciência propriamente dito, quanto no campo da literatura. Mediante isso, por ser um voraz leitor, comungo do pensamento de Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros”.

4 comentários sobre “Por Jacinto Junior – LITERATURA E CONHECIMENTO”

  1. O Che Guevara de Shopping Center acha que escrever rebuscado lhe credencia a criticar quem quer que seja. Não passa de um recalcado que quando se lambuzava e se beneficiava com as benesses do poder não dava um “pio” sobre o status quo. Cuidado com o Fidel.

  2. Professor Jacinto Junior.

    é sempre gratificante lê-lo. Procuro por artigos em seu blog Letra Cultural mas observo que não o tem atualizado, uma pena.

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