O navio da armada chilena Almirante Cochrane estava fundeado na baia da Guanabara. Na oportunidade, comemoravam-se as bodas de prata da herdeira do trono, princesa Isabel e do conde D’Eu. Um grande baile na Ilha Fiscal constava na relação dos eventos a serem realizados. Promovido pelo imperador no sábado dia 09 de novembro de 1889. Seria a ultima festa do império.

João Batista Machado - a História Viva de Codó
João Batista Machado – a História Viva de Codó

As festas obedeceriam a uma programação rigorosa. Expediram os responsáveis pelos festejos mais de 2.000 convites. Os áulicos e a nobreza seriam representados. Era um luxo, mas a derrubada da monarquia era eminente, os dias do antigo regime estavam contados. Conspiravam, abertamente, livremente como manda o bom exercício da democracia.

As mulheres dedicaram-se aos seus vestidos de seda pura e de decotes generosos. Os homens tiraram as suas casacas dos armários, apararam os seus bigodes, as suas barbas e acertaram as suíças. Tudo prefeito nos barões do café e nos titulares do Império.

Os despenseiros forraram e surtiram as adegas de bebidas e vinhos finos. Os salões foram decorados com temas tropicais selvagens. Na ocasião governava a Província do Maranhão Tito Augusto Pereira de Matos (12/11/1889) e o Codó emancipava-se em 15 de abril de 1896 (Lei nº 133 de 16 de abril de 1896, sancionada pelo Presidente da Província Alfredo da Cunha Martins). O 1º Intendente de Codó foi Francisco Sergio Bayma (1896). Mesinhas de doces, adredemente confeccionados para o grande dia, completavam os salões com as guloseimas.

A Ilha Fiscal, gloriosa, com a realização do grande Baile, iluminada feericamente, se sentia como uma bola de fogo, flutuando nas ondas verdes da Guanabara.

 Os jovens cadetes andinos, convidados de honra, desceram do Almirante Crochrane para o inesquecível Baile. Seguiram para a Ilha e se deram de corpo e alma às tentações de Baco. Foi o que se viu no dia seguinte: em 10 de novembro de 1889, quando da varredura dos salões foram achados colares, pulseiras, gargantilhas, brincos, luvas e as línguas de trapo dos cronistas marrons da época, que até calcinhas foram encontradas.

Contam os historiadores, inclusive, Érica Montenegro e Antonio Andrade que ao subir na lancha que o levaria à Ilha Fiscal o monarca escorregou e caiu no mar. Imediatamente foi salvo pelos marinheiros e exclamou Sua Majestade “ a monarquia escorregou, mas não caiu”.

Seis dias, após, o Baile a Republica foi proclamada, em 15 de novembro de 1889. A Imperatriz Teresa Cristina faleceu, em 28 de dezembro de 1889, na cidade do Porto e o Imperador D. Pedro II em um quarto do modesto hotel Badford, na cidade de Paris, em 05 de dezembro de 1891.

João Batista Machado – autor de Codó, Histórias do fundo Baú e O Imaginário Codoense.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PUBLICIDADES