Por Xico Paiva – Tradição, gestão, alinhamento e movimento sociais

Em Codó, é comum políticos que já ocuparam cargos no executivo e mesmo no legislativo, em períodos eleitorais, evocarem o seu período de mandato como áureo para cidade. Essa reinterpretação do passado, com seus devidos retoques, é usada para tentar resgatar um capital político construído a duras penas; duras penas da população é claro.

Esse discurso tem se mostrado exitoso já que é longa lista daqueles que já venceram ou ajudaram os correligionários a vencerem alguma ou algumas eleições.

Para os que não podem evocar a tradição, o mais comum tem sido apresentar um discurso de bom gestor. A ideia de transpor para a esfera pública a implantação de processos gerenciais baseados na racionalização de custos, eficiência e eficácia tem sido a prática mais comum. Esse grupo eleitoral aposta que é possível transpor os seus modelos gerenciais consagrados na esfera privada para a esfera pública.

O perigo dessa compreensão está na simplificação da atividade política. Está como atividade humana não possui uma lógica universal, estável e permanente. Atividade política é antes de mais nada, a habilidade de conciliar interesses e não de impor vontades, caprichos, modelos acabados etc.

Há ainda o elemento novo que a possibilidade de oposição entre o governo do estado e poder público local. Considerando as configurações atuais, o executivo estadual apoiará o candidato do seu partido e o executivo local certamente lançará um sucessor. Esse cenário é único, porque como é sabido, quase sempre houve um alinhamento entre o executivo local e o grupo político da ex-governadora.

Esse “novo grupo”, com algumas figuras bem conhecidas da política local, precisa de um bom discurso/plataforma para não ficar esquecido, porque de um lado terá as forças tradicionais e de outro as forças empresariais.

Esse quadro é fechado pela candidatura vinculada ao Sindicato dos Servidores Públicos. Essa é uma candidatura construída em uma plataforma fora das ideias hegemônicas, ou seja, sem uso de recursos públicos ou empresariais, um programa com enfoque ético e valorização dos direitos humanos.

As próximas eleições poderão ser de afirmação para grupos tradicionais ou de fortalecimento para os grupos emergentes. Seja como for, é bom o próximo pleito seja mais propositivo, que não seja somente feito pelas insuportáveis “caminhadas”, denúncias de todos os lados, propostas vazias e falta de respeito a inteligência do eleitor.

Por Francisco da Silva Paiva

2 comentários sobre “Por Xico Paiva – Tradição, gestão, alinhamento e movimento sociais”

  1. Caro Xico Paiva, novamente vossa avaliação tem uma característica importante: a realidade conjuntural do jogo político dos profundos interesses das elites brancas conservadora.
    De fato, é até irônico avaliar tal conjuntura que, a priori, já está praticamente desenhada para o pleito de 2016.
    A lógica é a seguinte:
    1. O famigerado grupo empresarial já tem as suas cartas definidas e dela não abre mão;
    2. O “novo grupo” precisa não apenas se firmar como tal; entretanto, tem demonstrado uma fragilidade política infantil (que descamba na incapacidade de fomentar um debate democrático com os movimentos de base, além de não apresentar um discurso diferenciado) e imatura que beira a inexperiência, isto é, um discurso sintetizado numa proposta mudancista;
    3. A terceira via (vista como uma provável alternativa fora dos tradicionais esquemas “hegemônicos”) padece uma atrofia: não dialoga com a sociedade civil e as representações sociais e populares – na maioria das vezes, volta-se em defesa apenas de um movimento já carimbado; isso na verdade prejudica o próprio partido no qual suas lideranças estão vinculados a esse movimento. Portanto, há aí um equívoco, pois não existe uma dissociação entre os membros do partido em relação ao movimento e, nesse sentido, o partido torna-se uma sombra pálida.
    E, por fim, a questão central: as alianças táticas que, apesar de muito burburinho, só ocorrem ao final do último prazo de lei entre as facções conservadoras.

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