
A Secretaria de Estado da Igualdade Racial (SEIR) realizou, nesta quinta-feira (2), mais uma edição do projeto “Todo Dia é Dia de”, desta vez prestando uma justa homenagem a uma das maiores referências da cultura e da religiosidade de matriz africana do Maranhão, mestre Bita do Barão de Guaré.
Falecido em 18 de abril de 2019, aos 86 anos, o maior umbandista do Maranhão teve sua trajetória reverenciada em sua terra natal.
A iniciativa, idealizada pela SEIR, tem como objetivo central o resgate histórico e a valorização de personalidades negras que deixaram marcas profundas na sociedade maranhense. O projeto já homenageou nomes como Negro Cosme, Pai Jorge de Itací (do Quilombo da Liberdade, em São Luís) e Dica Ferreira (importante liderança comunitária do Coroadinho).
“Esse projeto nasceu da importância de nós, enquanto Secretaria de Estado da Igualdade Racial, sentirmos a necessidade de homenagear pessoas que são muito importantes para o povo negro. Quer sejam da área da religião de matriz africana, quer seja um educador ou um pesquisador. O ‘Todo Dia é Dia de’ não é direcionado apenas a pais ou mães de santo”, explicou a secretária estadual da Igualdade Racial, Célia Salazar, em entrevista ao repórter Acélio Trindade.
Como codoense, a secretária destacou o significado especial de trazer o evento para o município.
“Eu senti essa necessidade de prestar esta homenagem ao Pai Bita do Barão considerando tudo o que ele representa para a cultura do povo negro”, completou Célia.
Emoção e Reconhecimento
A diretora de Valorização e Cultura da SEIR, Elaine Dutra, reforçou a pluralidade do projeto ao lembrar o impacto de homenageados anteriores, como Dica Ferreira, pelo seu relevante trabalho comunitário. No entanto, a tônica do evento desta quinta-feira foi o reconhecimento ao legado social e espiritual de Bita do Barão.
Presente na solenidade realizada no próprio terreiro da lendária Tenda Espírita de Umbanda Rainha Iemanjá, a filha do umbandista, Mãe Janaína do Bita — que hoje está à frente dos trabalhos espirutais —, não escondeu a emoção com o tributo ao pai.
“O trabalho que ele fez foi um trabalho muito honesto com as pessoas, trabalhou no social, enfim, muitas coisas do mestre Bita que hoje nós sabemos que a nossa cultura deve a ele. Tenho certeza absoluta que esta homenagem é digna da pessoa dele. Ele, onde está, tá muito feliz, e eu me sinto muito honrada”, frisou Mãe Janaína.
Preservação da Memória em livro
O reconhecimento a essas trajetórias não irá parar nas solenidades. A SEIR anunciou que todos os homenageados pelo projeto farão parte de um livro biográfico que será lançado pela secretaria, com o intuito de fazer a história dessas lideranças ecoar nas próximas gerações.
A secretária-adjunta da Igualdade Racial, Socorro Guterres, enfatizou o caráter pedagógico e a importância da difusão desse material.
“Tornar isso público é muito importante para que a gente também leve essas informações para as escolas, para os institutos de educação, porque muita gente, muitas vezes, não conhece e não sabe as histórias dessas personalidades”, finalizou Guterres.