Por Redação | Pindaré-Mirim, MA

​A curta distância que separa as margens do Rio Pindaré, conectando os municípios de Pindaré-Mirim e Monção, esconde um risco diário para centenas de moradores.

Apesar de a travessia durar menos de cinco minutos, a viagem é realizada em condições de extrema vulnerabilidade com barcos superlotados, transporte irregular de carga e a ausência  total de coletes salva-vidas — um item obrigatório por lei, mas ignorado por condutores e passageiros.

​A falta de segurança já coleciona sustos recentes. Em maio deste ano, uma canoa que vinha de Monção com três passageiros naufragou no rio. Uma das ocupantes não sabia nadar e só sobreviveu porque foi resgatada pelos outros dois homens a bordo, que conseguiram nadar com ela até a margem.

​Para quem depende do serviço diariamente, o sentimento é de impotência. Seu Francisco Oliveira, colocando a moto em cima do pequeno barco,  realiza o trajeto quase todos os dias e relata que o excesso de peso nas pequenas embarcações é uma constante assustadora.

​”Aqui é perigoso, porque tem dia que a canoa leva 12 motos montadas, ocupadas. Então, realmente, a gente não pode articular com eles [barqueiros], porque é difícil. A gente já fica naquela situação de agradecer ainda pelo tratamento deles, porque os servidores que trabalham nas embarcações só atendem uma determinação do superior deles, não podemos debater. É difícil. Nós temos essa rotina e somos muitos, tem muita localidade do outro lado, no município de Monção. Eu vejo assim como uma coisa que nós só temos que esperar em Deus”, desabafou

​Silêncio sobre a fiscalização e dados alarmantes

​A negligência na região esbarra também na falta de respostas das autoridades. Questionada formalmente sobre a ausência de fiscalização específica no Rio Pindaré, a Capitania dos Portos não respondeu aos questionamentos sobre a segurança no local.

​Em nota a TV Mirante, o órgão limitou-se a enviar dados estatísticos gerais do estado.

Segundo a instituição, entre 1º de janeiro e 24 de junho deste ano, o Batalhão do Corpo de Bombeiros Marítimo já registrou cinco afogamentos nas praias de São Luís, com uma morte confirmada.

O histórico recente do estado é ainda mais severo.

Em 2025, o Maranhão contabilizou 69 casos de afogamento, resultando em 27 óbitos — evidenciando o alto índice de letalidade em acidentes aquáticos.

​Embora o perigo seja iminente, o uso do colete salva-vidas não é opcional, mas sim uma exigência legal para salvaguardar a vida humana nas vias navegáveis.

Enquanto a fiscalização não desembarca na travessia entre Pindaré-Mirim e Monção, os passageiros continuam cruzando o rio dividindo espaço com o medo e o excesso de carga.

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