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Por Carlos Brickmann

Um repórter pode contestar as declarações do entrevistado?

Esta pergunta foi feita por um jornal americano e virou tema de debates – nos Estados Unidos, a propósito, a impressão é de que o consumidor de informações não quer que o repórter conteste declarações do entrevistado (ver, neste Observatório, “O repórter deve contestar um entrevistado que mente ou distorce fatos?“).

No entanto, discutir o que diz o entrevistado não é uma escolha do repórter: é obrigação. Não é para bater boca, nem para brigar; é, entretanto, essencial que o repórter faça objeções. De maneira educada, sim, mas firme e precisa. Se o entrevistado insistir em sua versão, que a entrevista continue, sem que o assunto se estenda interminavelmente; mas, na versão editada, na versão que vai para o público, deve constar não apenas a contestação, mas também a reação da fonte.

Ao fazer uma entrevista, o repórter tem um mandato, uma procuração do consumidor de informações. Deve buscar a verdade, em nome da opinião pública. É um profissional, não um gravador destinado apenas a reproduzir a fala da fonte.

Um caso interessantíssimo está acontecendo agora, no aniversário do assassínio do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Um irmão de Celso Daniel diz que o hoje secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, informou à família que levava dinheiro de propinas arrecadadas na Prefeitura para o então presidente nacional do PT, José Dirceu. Carvalho mostrou documentos comprovando que o irmão do prefeito assassinado desmentiu, em juízo, ter recebido essas informações (e, aliás, por que teria dado a pessoas que, embora irmãos, não eram próximas do prefeito, informações a esse respeito?). O irmão se limitou a dizer que não havia desmentido nada – e a imprensa, apesar do documento judicial, aceitou numa boa sua negativa.

O debate do repórter com o entrevistado deve, claro, seguir as boas normas de lealdade. A contestação deve ser aberta – como a da âncora do SBT-Brasília, Neila Medeiros, que, revoltada com declarações inaceitáveis do entrevistado, criticou-o no ar, de maneira articulada, precisa, embora com indignação (ver “Jornalista defende trabalho da imprensa“). Mas não pode ser aquela contestação dissimulada, com caras e bocas, em que os apresentadores mostram ao público que não gostam do que ouvem, mas também não abrem se abrem à discussão. Debate franco, sim; muxoxos e ar de desagrado, não.

FONTE: Observatório da Imprensa

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